A notícia aborda principalmente a ascensão de Flávio Bolsonaro como forte candidato presidencial, apesar das rejeições iniciais, e os desafios do governo Lula. Os tópicos centrais são a polarização política, com Flávio empatando tecnicamente com Lula em pesquisas de segundo turno, e a fragilidade do atual governo, que enfrenta avaliação negativa, economia estagnada e escândalos políticos. A reportagem também destaca a inexpressividade de possíveis candidatos de terceira via e o alinhamento de Tarcísio de Freitas com a família Bolsonaro.
Quando a pretensão presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi anunciada por seu pai, em dezembro do ano passado, havia bons motivos para desconfiar da seriedade da empreitada.
Previa-se que Flávio herdaria a elevada taxa de rejeição do eleitorado a Jair Bolsonaro (PL), à quela altura já preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. O próprio senador afirmou de inÃcio que poderia não levar a candidatura até o fim âe haveria um "preço" para isso.
O que parecia não mais que uma manobra para garantir a fidelidade ao sobrenome por parte dos demais postulantes à direita, entretanto, vai se impondo como realidade polÃtica pela força das intenções de voto.
Em pesquisa Datafolha realizada neste inÃcio de março, Flávio tem cerca de um terço das preferências do eleitorado no primeiro turno; no segundo, consegue um empate técnico com o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 43% a 46%, respectivamente.
Com a ressalva de que ainda há muito a acontecer até a abertura das urnas, os números de hoje apontam para mais uma disputa presidencial polarizada entre um petista e um Bolsonaro âa terceira consecutiva desde 2018, quando Jair derrotou o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Cogitado como uma terceira via, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), não alcança mais de 7% das intenções no primeiro turno. Outros nomes, como os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), marcam ainda menos.
Já o governador de São Paulo, TarcÃsio de Freitas (Republicanos), preferido das forças do centro à direita, deixou claro que não se animará a concorrer contra o candidato escolhido por Jair Bolsonaro, seu padrinho polÃtico.
Pelo cálculo polÃtico mais convencional, TarcÃsio, menos rejeitado, seria um adversário mais difÃcil que Flávio para Lula. O que se prenuncia, no entanto, é uma contenda dura para o petista.
Mesmo com a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5.000 mensais, sua principal bandeira eleitoral até aqui, a avaliação de Lula não mostra melhora. Consideram seu governo ruim ou péssimo 40% dos brasileiros aptos a votar, ante 37% em dezembro, enquanto os que o acham bom ou ótimo se mantêm em 32%.
A economia, sufocada por juros nas alturas, não promete maiores surpresas positivas até o pleito, e as contas orçamentárias em frangalhos não permitem novos aumentos de gasto público sem severas consequências.
Os escândalos no campo polÃtico são sempre perigosos para o ocupante do Palácio do Planalto âe Lula tem um filho na condição de investigado em potencial. Enquanto isso, o bolsonarismo celebra as suspeitas que se acumulam no caso Banco Master contra seu maior algoz, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).