Resumo objetivo:
Cerca de 500 mulheres do MST ocuparam uma área de 400 hectares da Fepagro em São Gabriel (RS), como parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra. A ação tem como objetivo pressionar o governo gaúcho e o Incra pela retomada da reforma agrária, exigindo a destinação da área para assentamento de famílias acampadas, incluindo as atingidas pelas enchentes de 2024. O movimento também defende a criação de um espaço específico de acolhimento e geração de renda para mulheres na área ocupada.
Principais tópicos abordados:
1. Ocupação de terra como protesto pela reforma agrária.
2. Pressão por negociações com governos estadual e federal.
3. Demandas por assentamento para famílias acampadas e desabrigadas.
4. Luta por direitos das mulheres e criação de espaços de acolhimento.
Cerca de 500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada desta segunda-feira (9), uma área de 400 hectares da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre 8 e 12 de março com mobilizações em acampamentos e assentamentos em todo o país.
Os atos denunciam a paralisação da reforma agrária e cobram do governo gaúcho a retomada da negociação de áreas para assentamentos e reassentamentos. O movimento também afirma que aguarda uma solução do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do governo estadual para famílias acampadas e atingidas pela enchente de maio de 2024.
“Com essa ocupação, queremos dizer ao governador que aceitamos a proposta do assentamento nas áreas da Fepagro. Já podemos ir para lá com as famílias acampadas do RS”, destacou a integrante da Direção Nacional do MST, Lara Rodrigues.
Segundo Silvia Marques, da coordenação nacional do MST, a Polícia Militar chegou a barrar alguns ônibus com militantes dentro, enquanto outras ocupavam a área. Após a Brigada Militar segurar os veículos, todas as mulheres entraram em marcha na área.
“Queremos acolher as companheiras que são violadas, violentadas e que às vezes não tem para onde ir. E não só, mas também aquelas que precisarem de um espaço para poder morar, produzir, gerar renda, ter uma vida digna. Cuidando da vida e cuidando uma das outras”, ressaltou Marques.
A região de São Gabriel é citada como referência na luta pela terra e reúne 10 assentamentos com mais de 700 famílias. Parte da produção de alimentos é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
“São Gabriel ficou marcada pela marcha de 2003 e também pelo assassinato do nosso companheiro Elton Brum da Silva, em 21 de agosto de 2009, pela Brigada Militar com um tiro de calibre 12 pelas costas, em uma das mais violentas ações de reintegração de posse de um latifúndio improdutivo, a Fazenda Southall”, acrescenta a integrante.
O movimento afirma que pretende reservar cerca de dez hectares para criar um espaço de acolhimento e geração de renda para mulheres. A jornada também inclui pautas como combate ao feminicídio, fim da escala 6 por 1, igualdade salarial e valorização da política nacional do cuidado.
O Brasil de Fato pediu um posicionamento para o governo do Rio Grande do Sul, o governo federal e o Incra. Assim que houver um retorno, o espaço será atualizado.