Os curdos iraquianos declaram neutralidade no conflito envolvendo o Irã, recusando-se a participar de ações militares. A principal razão é a desconfiança histórica em relação aos Estados Unidos, temendo que não serão defendidos em caso de retaliação iraniana. Eles destacam sua vulnerabilidade militar, sem sistemas de defesa aérea, e o trauma de abandonos passados por aliados.
Principais tópicos abordados:
1. Neutralidade e relutância dos curdos iraquianos em entrar no conflito.
2. Desconfiança histórica nos EUA e medo de abandono.
3. Vulnerabilidade militar a ataques iranianos.
4. Pressão e alertas do Irã contra a participação curda.
5. Negação formal de planos ofensivos e apelo para não serem envolvidos como "peões".
Curdos do Iraque temem participar de conflito contra Irã por desconfiança dos EUA, diz Axios
Membro do Partido Democrático Curdo Iraquiano declarou que estão neutros: 'temos problemas de confiança do passado e não queremos nos envolver'
Segundo informações da Axios, citando fontes, os partidos curdos no Iraque estão relutantes em tomar medidas contra o Irã e participar do conflito no Oriente Médio, pois não confiam que os EUA os defendam de possíveis ataques retaliatórios iranianos.
Os curdos estão receosos de se envolverem no conflito, especialmente depois que o Irã emitiu um alerta severo ao Governo Regional do Curdistão, órgão que administra a região autônoma curda no Iraque. Ali Akbar Ahmadinejad, representante do Líder Supremo no Conselho de Defesa do Irã, declarou na sexta-feira (06/03) que “todas as instalações” poderiam ser atacadas “em larga escala” na região autônoma iraquiana caso grupos curdos entrem no Irã.
“Certamente, como curdos iraquianos, permanecemos neutros porque não temos clareza sobre a política dos EUA. Trata-se de uma mudança total de regime? Ou apenas de uma mudança de pessoal? […] Nossa avaliação é que não pode haver mudança de regime sem tropas em solo, e nossa avaliação é que os EUA não estão enviando tropas para o solo”, disse um alto funcionário do governo curdo iraquiano ao Axios, acrescentando que “os curdos não deveriam estar na linha de frente deste conflito”.
‘Quem nos defenderá?’
Entretanto, um membro do Partido Democrático Curdo (PDK) disse ao Axios que os curdos temem que Washington os abandone em algum momento, por isso decidiram manter-se neutros. “Temos problemas de confiança do passado e não queremos nos envolver. Quem nos defenderá se o regime iraniano sobreviver a isso?”, questionou.
Nesse contexto, a primeira fonte indicou que a região autônoma do Curdistão iraquiano carece de sistemas de defesa aérea, ficando indefesa contra mísseis e drones iranianos em potenciais ataques retaliatórios após uma hipotética invasão curda da República Islâmica. “Eles não precisam de mísseis hipersônicos para nos atingir. 200 drones Shahed poderiam causar danos significativos aqui. Não temos sistemas de defesa aérea. Não temos como abatê-los”, afirmou a fonte.
‘Deixem os curdos em paz’
Por sua vez, Shanaz Ibrahim Ahmed, a primeira-dama do Iraque (de origem curda, assim como seu marido, o presidente Abdul Latif Rashid), afirmou que os curdos não estão preparados nem desejam se envolver em outro conflito, lembrando que já foram abandonados por seus aliados em diversas ocasiões. “Deixem os curdos em paz. Não somos assassinos”, implorou ela às partes envolvidas no conflito no Oriente Médio.
“Hoje, os curdos do Iraque finalmente experimentaram um grau de estabilidade e dignidade. Portanto, é muito difícil, até mesmo impossível, para eles aceitarem ser tratados como peões pelas superpotências mundiais”, afirmou.
A primeira-dama recordou que “em 1991, os curdos foram incitados a se rebelar contra o regime de Saddam Hussein, mas foram abandonados quando as prioridades mudaram”. “Ninguém veio em nossa defesa quando o regime mobilizou helicópteros de ataque e tanques para esmagar a revolta. Essas memórias permanecem vívidas e gravadas em nossas mentes”, afirmou.
Informações contraditórias
As alegações surgem em meio a relatos da mídia sobre tentativas de Israel e dos Estados Unidos de atrair milícias curdas para o conflito armado, a fim de minar a autoridade de Teerã. A Bloomberg, no entanto, informou que esses planos enfrentaram forte resistência dos próprios curdos, relutantes em arcar com as consequências do que consideram uma estratégia extremamente arriscada e mal planejada.
O Partido Democrático do Curdistão negou as notícias de que grupos curdos estariam preparando uma ofensiva terrestre contra o Irã a partir de território iraquiano. “A região do Curdistão não faz parte desta guerra que está sendo travada na região”, afirmou em um comunicado à imprensa.