Resumo objetivo:
Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril, com o Brent atingindo picos próximos a US$ 119, após ataques dos EUA e Israel a refinarias iranianas. O G7 discutirá a liberação de reservas emergenciais de petróleo para conter a alta, enquanto o fechamento do Estreito de Ormuz e a redução da produção por países do Golfo agravam a crise. A escalada gerou forte turbulência nos mercados financeiros globais, com quedas acentuadas nas bolsas asiáticas e europeias.
Principais tópicos abordados:
1. A disparada do preço do petróleo devido aos ataques ao Irã e à interrupção de rotas marítimas.
2. As medidas propostas para estabilização, como a liberação de reservas estratégicas pelo G7.
3. O impacto da crise nos mercados financeiros internacionais.
4. As declarações de autoridades sobre o conflito e suas consequências econômicas.
Preço do petróleo dispara acima de US$ 100 por barril
Alta ocorre após ataques às refinarias iranianas pelos EUA e Israel; G7 discutirá liberação de reservas emergenciais do combustível
Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022 em consequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último dia 28 de fevereiro.
O petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir mais de 30%, alcançando US$ 119 por barril, antes de recuar para cerca de US$ 110, após as notícias sobre uma possível liberação de reservas estratégicas, que será negociada pelos países do G7.
Segundo o Financial Times, os ministros das Finanças do G7 devem discutir a liberação de reservas emergenciais de petróleo em uma reunião emergencial, nesta segunda-feira (09/03), coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o impacto da alta dos preços, afirmando que “os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear iraniana for eliminada”. Ele acrescentou que este é um “preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo” e que “só os tolos pensariam diferente!”.
Freio na produção
A alta ocorre após os ataques neste domingo (08/03) contra a infraestrutura energética do Irã, atingindo instalações petrolíferas estratégicas na região de Teerã. Entre os alvos esteve a refinaria de Tondguyan, localizada no sul da capital, uma das principais unidades de processamento de combustíveis da área metropolitana.
Os ataques também atingiram o depósito de petróleo de Shahran, no noroeste de Teerã, um dos principais centros de armazenamento e distribuição de combustíveis que abastecem a capital iraniana.
No sábado, o presidente Masoud Pezeshkian havia proposto cessar os ataques às instalações petrolíferas dos países do Golfo, caso esses países interrompessem suas agressões.
Em comunicado, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que Casa Branca anulou a oferta de paz aos países do Golfo, o que teria consequência na alta do petróleo. “Quando os mercados reabrirem, esse custo aumentará ainda mais e será diretamente transferido aos norte-americanos comuns nas bombas de combustível”, disse.
Além dos ataques militares iranianos às instalações energéticas dos países do Golfo, incluindo Catar, Arábia Saudita e Kuwait, o país mantém o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Neste cenário, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait reduziram a produção diante do acúmulo de barris sem destino causado pelo bloqueio da rota marítima.
Em entrevista ao Financial Times, o ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que todos os exportadores do Golfo poderão ser obrigados a suspender operações, o que poderia elevar o preço do petróleo para até US$ 150 por barril.
Mercados hoje
A escalada da crise energética provocou forte turbulência nos mercados financeiros internacionais. Na Ásia, as bolsas registraram quedas acentuadas nesta segunda-feira. O índice Nikkei 225, do Japão, fechou com queda superior a 5%, após ter recuado 7% no início do pregão. O KOSPI, da Coreia do Sul, caiu 6%, depois de chegar a perder 8% durante o dia. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,35%.
Na Europa, os principais mercados também abriram em baixa: o FTSE 100, em Londres, caiu cerca de 2%. O DAX, em Frankfurt, registrou queda próxima de 3%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 recuaram 1,7%. Os do Nasdaq Composite caíram 1,9%.
Segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), cada aumento sustentado de 10% no preço do petróleo provoca, em média, elevação de 0,4% na inflação global e queda de 0,15% no crescimento econômico.