Resumo objetivo:
A Polícia Federal prendeu o delegado federal Fabrizio Romano, suspeito de integrar uma associação criminosa que negociava vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional de drogas ligado ao Comando Vermelho. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), também cumpriu mandados contra um ex-secretário estadual, advogados e servidores públicos por venda de influência e corrupção. As investigações apontam ainda vazamentos de operações policiais, com envolvimento de autoridades como o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e o ex-deputado TH Joias, acusados de repassar informações sigilosas à facção.
Principais tópicos abordados:
1. Prisão de delegado federal e operação da PF contra esquema de corrupção e tráfico de drogas.
2. Investigação de vazamentos de informações sigilosas para o Comando Vermelho.
3. Envolvimento de autoridades públicas (ex-secretário, ex-deputado, ex-presidente da Alerj) e advogados.
4. Atuação do STF (Alexandre de Moraes) na autorização dos mandados.
A PolÃcia Federal cumpriu nesta segunda-feira (9) mandado de prisão contra o delegado federal Fabrizio Romano sob suspeita no caso envolvendo o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.
A prisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no âmbito da investigação sobre o envolvimento de autoridades com o crime organizado no Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão e três de busca e apreensão contra um grupo que envolve um ex-secretário estadual, advogados e servidores públicos "que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas".
A Folha não localizou a defesa do delegado até a publicação deste texto. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados.
"Os elementos de prova colhidos indicam que os investigados estruturaram uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e favorecimento de interesses atrelados ao tráfico de drogas", afirma a PF.
"O esquema contava com a articulação de um ex-secretário de estado e advogados, que atuavam como intermediários para viabilizar favores e pagamentos indevidos em espécie ao delegado de PolÃcia Federal envolvido no esquema, em troca de informações e influência interna. As apurações revelaram, ainda, a atuação de um indivÃduo com histórico criminal, focado na facilitação polÃtica e operacional em BrasÃlia", declarou, em nota, a corporação.
TH Joias foi preso sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. Posteriormente, o presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar, foi detido acusado de alertar o ex-deputado sobre a operação que iria prendê-lo.
Os dois foram indiciados sob suspeita de repassar informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho.
A PF apontou como origem do vazamento da operação o juiz federal Macário Júdice, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). Ele não foi indiciado porque, de acordo com a PolÃcia Federal, regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura estabelecem procedimentos especÃficos para a responsabilização de magistrados.
A defesa dos três negam as acusações.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, defensor de Bacellar, afirmou que "inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas".
O advogado Rafael Faria, que atua na defesa de TH Joias, negou a participação do ex-deputado em vazamentos ou informações a organizações criminosas.