Resumo objetivo:
O governador Eduardo Leite (PSD) minimizou as pesquisas eleitorais atuais, interpretando-as mais como um termômetro do descontentamento do que uma definição de voto, e destacou a alta rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro. Ele defendeu a viabilidade de uma terceira via, que una uma esquerda não-lulista e uma direita não-bolsonarista, e criticou a polarização e as discussões sem perspectiva no país.
Principais tópicos abordados:
1. Análise de pesquisas eleitorais (Datafolha) e a alta rejeição dos principais candidatos.
2. Estratégia e defesa de uma "terceira via" pelo PSD para superar a polarização.
3. Críticas ao cenário político nacional e a debates considerados irrelevantes.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, minimizou nesta segunda-feira (9) o desempenho dos nomes do PSD em pesquisas para a disputa ao Palácio do Planalto e destacou a rejeição do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) após os resultados do último Datafolha.
Ele disse que as pesquisas eleitorais no atual momento devem ser vistas como instrumento para avaliar o humor do eleitor, não intenção de voto, e citou os altos Ãndices de brasileiros que dizem não votar em Lula nem Flávio de jeito nenhum.
O petista tem 46% de rejeição, e o filho de Jair Bolsonaro, 45%, ficando empatados tecnicamente. Nesse quesito, os nomes do PSD aparecem com 19% (Ratinho Jr.), 15% (Eduardo Leite) e 14% (Ronaldo Caiado).
Sobre intenção de votos, dos três cotados do PSD, quem aparece melhor no Datafolha é Ratinho Jr., com 7% em cenário de primeiro turno com Lula (38%) e Flávio (32%). Contra a mesma dupla de concorrentes, Caiado aparece com 4% e Eduardo Leite, com 3%.
No cenário contra Lula no segundo turno, o governador do Paraná também é aquele dentre os três que se sai melhor, com 41% ante 45%.
O comentário de Leite sobre a pesquisa aconteceu em evento na Associação Comercial de São Paulo, no centro da cidade. Desde sexta-feira (6), os polÃticos do PSD têm participado de ações conjuntas no estado. Eles disputam a candidatura à Presidência pela sigla de Gilberto Kassab, com a promessa de que os preteridos vão apoiar o nome escolhido.
Leite afirmou que os eleitores ainda não têm o "cardápio todo" dos pré-candidatos e que os dois polÃticos à frente na pré-corrida eleitoral são mais conhecidos que os demais.
Para ele, é possÃvel conversar com uma esquerda não-lulista e a direita não-bolsonarista em busca de uma terceira via. O governador do Rio Grande do Sul acredita ser possÃvel conciliar uma "legÃtima preocupação social" de uma esquerda não-lulista e uma "polÃtica firme de segurança pública", bandeira de uma direita não-bolsonarista.
Leite afirmou que "é muito grave o que estamos vivendo nesse momento no Brasil", em referência à investigação do Banco Master que envolve ministros do STF, e defendeu uma idade mÃnima para ministros da corte. Para ele, também é preciso discutir a situação das emendas parlamentares.
O governador disse que o Brasil tem se debruçado em discussões sem perspectiva de futuro, pensando sempre no dia seguinte. "Até pouco tempo estávamos discutindo se o chinelo entra com a direita ou a esquerda", afirmou, em alusão à discussão sobre um comercial da marca Havaianas.
Pesquisa
A posição dos três pré-candidatos do PSD é bem abaixo da obtida por Flávio Bolsonaro, que já é citado por 12% das pessoas na pesquisa espontânea, atrás de Lula, com 25%. No último Datafolha, de dezembro de 2025, o senador não era citado, e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tinha 7% das citações.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece em empate técnico com Lula, com 43% das intenções de voto ante 46%.
Dos presidenciáveis do PSD, Leite é aquele que mais tenta se distanciar de Bolsonaro, embora os três pré-candidatos da sigla se apresentem como saÃda contra a polarização entre o polÃtico e o atual presidente.
Na sexta-feira, o governador do Rio Grande do Sul postou nas redes sociais texto reafirmando a pré-candidatura. Nele, disse que o Brasil "permanece dividido, fragmentado, excessivamente concentrado em disputas ideológicas e paroquiais que não produzem solução".
Segundo Kassab, a definição de quem vai de fato concorrer à Presidência por seu partido vai se dar até 15 de abril, mas Ratinho Jr. já afirmou que a sigla pode antecipar o prazo.