Resumo objetivo:
Desde o início de março, manifestações nas Filipinas protestam contra os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, denunciando a escalada de conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre países do Sul Global. Os atos, organizados por coalizões progressistas e movimentos sociais, também criticam a presença militar norte-americana no arquipélago por meio do Acordo de Cooperação de Defesa Ampliada (EDCA), alegando riscos à soberania nacional. As mobilizações, que incluíram uma grande marcha no Dia Internacional da Mulher em Manila, enfrentaram bloqueios policiais, mas continuam planejadas para as próximas semanas.
Principais tópicos abordados:
1. Protestos contra os ataques dos EUA e Israel ao Irã e a política externa norte-americana.
2. Críticas à presença militar dos EUA nas Filipinas via EDCA e seus riscos à soberania.
3. A organização e alcance das mobilizações por movimentos sociais, feministas e estudantis.
4. O confronto entre manifestantes e a polícia durante os atos, especialmente em Manila.
Uma série de manifestações vem tomando as ruas de diferentes cidades das Filipinas desde o início de março, em protesto contra os ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Organizações populares, movimentos feministas, sindicatos e estudantes denunciam a escalada militar no Oriente Médio e alertam para seus impactos econômicos e políticos sobre países do Sul Global.
As mobilizações começaram poucos dias após os bombardeios e rapidamente se espalharam por diferentes regiões do arquipélago. No dia 2 de março, ativistas realizaram o primeiro ato público em Iloilo, no centro do país, convocado por organizações ligadas à coalizão Bagong Alyansang Makabayan (BAYAN), uma das principais frentes progressistas filipinas. Durante o protesto, os participantes denunciaram o que chamaram de “agressão militar” contra o Irã e criticaram o papel de Washington na escalada do conflito.
No dia seguinte, 3 de março, as mobilizações chegaram à capital. Manifestantes se reuniram na região central de Manila e marcharam em direção à Embaixada dos Estados Unidos, um local tradicionalmente escolhido para protestos contra a política externa norte-americana. A polícia bloqueou o avanço da marcha antes que os manifestantes alcançassem o edifício diplomático, gerando momentos de tensão.
Em seguida, novos atos foram convocados por diferentes organizações sociais, ampliando o alcance das mobilizações. Entre os grupos mais ativos está a Gabriela Women’s Party, coalizão feminista com forte presença nas lutas sociais do país.
Mulheres tentam cercar a embaixada dos EUA em protesto
Neste domingo (8), Dia Internacional de Luta das Mulheres, manifestantes em Manila transformaram a tradicional marcha em um protesto contra os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, conectando a luta por direitos das mulheres com a denúncia à política externa que tem impacto global. A mobilização atraiu milhares de participantes ao histórico Liwasang Bonifacio, vestindo roxo e portando cartazes que também denunciavam corrupção, justiça social e o custo de vida no país.
A marcha seguiu pela Kalaw Avenue, em direção à embaixada dos Estados Unidos, mas foi impedida de avançar por uma forte linha de segurança estabelecida pela polícia. Segundo relatos à Philippine Daily Inquirer, os manifestantes enfrentaram intensa presença policial e tentativas de bloqueio da rota, que dificultaram a aproximação à embaixada e limitaram parcialmente a movimentação do grupo.
Apesar de não terem conseguido cercar a embaixada, os movimentos prometeram continuar as mobilizações, intensificando suas vozes em protestos futuros, uma multitudinaria manifestação esta programada para 27 de março, que segue sendo monitorado pelas autoridades como possível nova jornada de protestos.
Protestos pedem fim da presença militar dos EUA nas Filipinas
Os protestos de março nas Filipinas não se limitaram às críticas aos ataques de EUA e Israel ao Irã. Manifestantes também questionaram a presença militar norte-americana no país, especialmente por meio do Acordo de Cooperação de Defesa Ampliada (EDCA), que permite às forças dos EUA utilizar bases filipinas em regime rotacional.
Desde a assinatura do EDCA, em 2014, diversas instalações estratégicas passaram a receber treinamento, equipamentos e pessoal norte-americano temporariamente. Entre os locais mais citados estão a Base Aérea Basa, em Pampanga, o Fort Magsaysay, em Nueva Ecija, e a Base Aérea Antonio Bautista, em Palawan. Recentemente, o número de pontos de acesso rotacional foi ampliado para nove, incluindo regiões próximas a importantes rotas marítimas no Mar da China Meridional.
Para os manifestantes, a presença americana coloca o país em risco de ser envolvido em conflitos externos e compromete a soberania nacional. Nos atos de rua, eles exigiram maior controle sobre as decisões militares e denunciaram o que consideram efeitos negativos das alianças estratégicas sobre a segurança e o cotidiano da população.