O Líbano declarou publicamente sua disposição para retomar negociações de paz com Israel em qualquer formato, sob mediação internacional, reiterando o princípio de "terra por paz". No entanto, o governo libanês criticou as ações israelenses nos territórios palestinos e declarou ilegais as atividades militares do Hezbollah em seu território, embora evite um confronto direto com o grupo. A declaração ocorre em meio a uma intensa escalada militar, com novos bombardeios israelenses no sul do Líbano nesta segunda-feira, que causaram mortes, feridos e destruição significativa.
Principais tópicos abordados:
1. Abertura do Líbano para negociações de paz mediadas internacionalmente.
2. Críticas às políticas israelenses e à situação nos territórios palestinos.
3. Posicionamento do governo libanês contra as atividades militares do Hezbollah.
4. Contexto de intensos ataques israelenses recentes e o custo humanitário no Líbano.
Líbano manifesta prontidão para negociações ’em qualquer formato’ com Israel
Após novos ataques israelenses, premiê libanês Nawaf Salam falou em iniciativa que alcance paz 'sólida, duradoura e eficaz'; Hezbollah não se manifestou
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que seu governo está disposto a discutir uma proposta de negociação com Israel, em “qualquer formato”, para alcançar uma paz “sólida, duradoura e eficaz”. A posição se deu em entrevista ao jornal L’Orient-Le Jour, de Beirute, que foi publicada nesta segunda-feira (09/03).
Segundo Salam, o tema foi discutido na mais recente reunião do gabinete libanês, na semana passada, durante a qual concordaram na disposição do país de retomar conversas sob mediação internacional.
“Reiteramos a nossa disposição de retomar as negociações, que incluem uma componente civil e são conduzidas sob os auspícios internacionais”, declarou.
Contudo, o premiê libanês informou que a possibilidade de negociações diretas com Israel ainda não foi abordada e que o governo israelense não respondeu à proposta. Ao mesmo tempo, Salam também criticou a política israelense nos territórios palestinos, citando a devastação na Faixa de Gaza, a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada e a anexação de Jerusalém Oriental.
“Não temos outra alternativa senão uma iniciativa baseada em uma fórmula muito simples: ‘terra por paz'”, afirmou. “Porque uma paz duradoura com Israel ainda não existe.”
Por sua vez, Salam destacou que não houve manifestação do movimento de resistência Hezbollah na entrega de armas. Segundo ele, a entrega se trata de um processo, enquanto a cessação dos combates “deve ser imediata”.
“O gabinete, na presença do presidente e com o apoio da grande maioria dos ministros presentes, decidiu que as atividades militares do Hezbollah agora são ilegais. Essa é a posição do governo e precisa ser implementada”, disse. “Não buscamos um confronto com o Hezbollah, mas não permitiremos que nos intimide.”
A declaração ocorre enquanto Israel continua bombardeando bairros do sul da capital libanesa, nas proximidades da infraestrutura aeroportuária. Na manhã desta segunda-feira, uma série de ataques aéreos israelenses provocou ao menos 11 mortes e dezenas de feridos.
De acordo com a Agência Nacional de Notícias (NNA), os bombardeios atingiram localidades entre as regiões de Tiro e Bint Jbeil, incluindo as cidades de Juwayya, Tayr Dibba e Maarake.
Apenas em Juwayya, intensas ofensivas do regime sionista atingiram diversos bairros, destruindo um mercado e várias residências. No local, quatro pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas, sendo todas levadas a hospitais em Tiro.
Na cidade vizinha de Tayr Dibba, ataques aéreos atingiram a rua principal e áreas residenciais inteiras. Sete pessoas morreram e 18 ficaram feridas, além de danos significativos às redes de água e eletricidade.
Outros bombardeios foram registrados em localidades como Dbaal, Tayri, Qlawe, Srifa, Aita al-Shaab e Kherbet Selm.
Segundo as autoridades locais, desde 2 de março, a campanha militar de Israel sob apoio norte-americano contra o Líbano deixou 394 mortos, sendo 83 deles crianças. Além disso, 517 mil pessoas foram deslocadas.
Ainda nesta segunda-feira, o presidente libanês Joseph Aoun acrescentou ter informado às Nações Unidas (ONU) e à comunidade internacional sobre a disposição nacional para retomar as negociações para interromper a agressão israelense.
O último acordo selado entre as duas partes foi em novembro de 2024, mas mesmo assim Israel continuou com violações diárias que mataram centenas e feriram muitos outros. Os recentes combates reacenderam depois que Tel Aviv e Washington lançaram um ataque conjunto ao Irã, aliado do Hezbollah.
(*) Com Ansa