Resumo objetivo:
No Dia Internacional das Mulheres, protestos no Distrito Federal denunciaram a alta de feminicídios e a falta de políticas públicas de proteção às mulheres, como delegacias especializadas. As manifestações também reivindicaram melhorias em direitos trabalhistas, soberania alimentar e solidariedade internacional, além de enfatizarem a resistência política contra a extrema direita.
Principais tópicos abordados:
1. Combate à violência de gênero, especialmente feminicídio, e crítica à insuficiência de equipamentos de segurança.
2. Reivindicações por políticas públicas amplas, incluindo direitos trabalhistas (fim da escala 6×1) e soberania alimentar.
3. Resistência política e defesa da democracia, com homenagens a lideranças feministas históricas.
4. Solidariedade internacional a mulheres afetadas por conflitos e sanções econômicas.
No marco do Dia Internacional das Mulheres, comemorado neste domingo (8), diversas organizações e movimentos sociais reuniram-se no Distrito Federal para o 8M Unificado. Sob o lema “Pela vida das mulheres, contra o feminicídio, fora Celina Leão e Ibaneis”, o protesto denunciou a escalada da violência de gênero e reivindicou melhorias em políticas públicas, soberania alimentar e direitos trabalhistas.
A situação da segurança pública no Distrito Federal foi um dos pontos centrais das manifestações. Maria das Neves, presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM-DF), destacou o alto índice de feminicídios, contrastando com a escassez de equipamentos públicos de proteção.
Segundo ela, existem apenas duas delegacias da mulher na região. “A crise do Banco Master revela qual é a prioridade e não é a proteção e a segurança das meninas e mulheres do Distrito Federal”, afirmou a dirigente, ressaltando ainda o aumento das filas em creches públicas.
Parem de nos matar
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), em 2025 foram 28 mulheres vítimas de feminicídio. Até janeiro deste ano, foram três feminicídios.
Para Rita Andrade, representante do Levante Feminista contra o Feminicídio, a luta contra a morte violenta de mulheres, que inclui também o lesbocídio e o transfeminicídio, exige uma estratégia de múltiplas dimensões. Segundo ela, as ações devem ser emergenciais, mas também de médio e longo prazo, passando necessariamente pela educação e pela “transformação cultural” para enfrentar a cultura do estupro e a “epidemia de morte”.
“Temos que mudar essa cultura da violência contra as mulheres, a cultura do estupro e agora essa epidemia de morte de mulheres, de mulheres sendo mortas pelo simples fato de serem mulheres. Então, esse 8 de março, a luta é pelas nossas vidas. Nós que lutamos pela democracia, que lutamos por diversos direitos. Hoje estamos nas ruas pela vida de todas as mulheres e das nossas meninas. Basta de feminicídio, basta de violência contra nossas meninas. Nos queremos vivas”, enfatizou Andrade.
A mobilização também ecoou o sentimento de resistência política. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) observou que as mulheres foram fundamentais para derrotar o fascismo no país e continuarão nas ruas para impedir o avanço da extrema direita. Em seu discurso, ela relembrou o legado de figuras como Marielle Franco e Margarida Alves, afirmando: “Medo, medo até a gente tem, mas a gente não usa”.
Unidade campo e cidade
Movimentos da Via Campesina Brasil, como o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também marcaram presença na mobilização.
“Se o campo não planta, especialmente as mulheres chefes de família, a cidade não se alimenta e não vive de uma forma saudável”, pontuou Mirelle Diovana dirigente do MMC.
Fim da escala 6×1
A Secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Amanda Corcino, defendeu a ratificação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra o assédio no trabalho e o fim da escala 6×1.
“Mas esse debate precisa vir acompanhado da corresponsabilização do trabalho de cuidados, para que nós, mulheres, com o fim da escala 6 por 1, possamos ter um tempo de autocuidado, um tempo de lazer, um tempo para nós também”, destacou.
Solidariedade internacional
O ato em Brasília também dedicou espaço à solidariedade internacional, com denúncias sobre os impactos das guerras e sanções econômicas sobre as populações femininas. Representante de mulheres iranianas, Samane Hosseini, que vive em Brasília, escreveu uma carta que foi lida na manifestação.
“Esta guerra injusta, diversas mulheres e meninas indefesas são mortas diariamente. Anunciamos, por meio desta mensagem, a todas as organizações que defendem os direitos humanos e os direitos das mulheres, que se ponham fim a esta guerra e condenem qualquer tipo de violência contra elas e contra crianças inocentes”, aponta um dos trechos.
A mobilização do 8 de março em Brasília integrou um conjunto de manifestações realizadas em outras cidades do país. A socióloga Camila Galetti reforçou a importância do ato para mostrar a resistência das mulheres contra todas as formas de violência.
“Estamos ocupando as ruas para dizer chega a todos os tipos de violência que cotidianamente os nossos corpos são acometidos. Estamos na rua contra a extrema direita que tenta diluir as nossas pautas, contra o antifeminismo que tenta desvalidar também as nossas lutas. É muito importante que a gente ocupe esses espaços mostrando as nossas vozes e que vamos continuar resistindo, infelizmente, num país onde mata mulheres o tempo todo”, reafirmou.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102