Resumo objetivo:
O artigo aborda o lançamento do que seria o último livro do escritor inglês Julian Barnes, que brincou sobre o alívio de concluí-lo antes de um possível acidente. A partir dessa observação, o texto faz uma transição crítica para o problema da insegurança no trânsito no Brasil, destacando o aumento de mortes de pedestres por motocicletas em São Paulo e a anarquia viária no Rio de Janeiro, onde a falta de fiscalização efetiva coloca em risco a segurança urbana.
Principais tópicos abordados:
1. O lançamento e o contexto pessoal do último livro de Julian Barnes.
2. O aumento de atropelamentos fatais de pedestres por motos no estado e na capital de São Paulo.
3. A desordem e os conflitos no espaço urbano do Rio de Janeiro, com a sensação de impunidade para veículos de duas rodas.
4. A crítica à ineficácia da fiscalização, apesar da tecnologia disponível, e o alto índice de mortes de motociclistas no trânsito.
No inÃcio do ano, Julian Barnes publicou "Departure(s)", mistura de ensaio e ficção tematizando memória, vida e morte. O escritor inglês tem 80 anos e sofre de uma forma rara e incurável de câncer no sangue. Em entrevista ao jornal Observador, de Portugal, ele brincou ao falar da obra que marca sua despedida da literatura: "Sinto um certo alÃvio por ter escrito o meu último livro como queria e por não ter sido atropelado por uma bicicleta elétrica".
Barnes tem sorte, mora em Londres. Se vivesse em uma grande cidade brasileira, com tanto trabalho para desviar-se de motos na contramão e nas calçadas, talvez não conseguisse concluir seu livro.
Levantamento do Departamento de Trânsito de São Paulo encomendado pela Folha mostrou o aumento de mortes de pedestres atropelados por motocicletas. No estado, o número entre 2022 e 2025 passou de 145 a 202; na capital, o total subiu de 38 mortes em 2023 para 66 em 2025.
No Rio de Janeiro, ciclovias, ruas e calçadas são espaços anárquicos, onde motos, bicicletas e autopropelidos âpatinetes e motinhas elétricas de rodas pequenas, muitas das quais usadas por adolescentes e marmanjões descuidadosâ disputam centÃmetros com outros veÃculos e com pedestres de olhos arregalados de atenção e medo.
Quem manda é quem está sobre duas rodas, desrespeitando os sinais de trânsito, os limites de velocidade e a mão de direção. Não há fiscalização, mesmo com todo o aparato de varredura digital, multiplicação de câmeras de monitoramento e incorporação de tecnologias de inteligência artificial. Os olhos eletrônicos, garantem as autoridades, são armas a favor da segurança pública. Mas não valem para a segurança urbana.
Velozes donos das ruas, motociclistas não só matam como principalmente morrem. Segundo dados do Ministério da Saúde, pessoas em motos representaram 41,7% do total de mortes no trânsito em 2024 ante 39% em 2023. Quantas delas trabalham em serviços de entrega por aplicativos, tarefa que obriga chegar mais rápido ao destino para ganhar mais?