Revista inglesa coloca Seleção de 70 como maior time de futebol da história
Santos de Pelé aparece na décima posição e seleções de 82 e 2002 também formam parte da lista de 50 melhores
A revista inglesa FourFourTwo, uma das mais conceituadas publicações sobre futebol da Europa, divulgou recentemente um novo ranking com o que considerou os 50 maiores times de futebol de todos os tempos. A equipe que aparece no primeiro lugar da lista é a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, no México, e que conquistou a posse definitiva da Taça Jules Rimet – que seria roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nos anos 80.
O pódio da lista segue com o Milan de Arrigo Sachi (1987-1991) em segundo e o Barcelona de Pep Guardiola (2008-2001) em terceiro.
Outras três equipes brasileiras aparecem na lista, mas apenas uma relacionada a um clube: o Santos de 1955-1968 aparece na décima colocação. Vale destacar que as duas melhores equipes brasileiras da lista são as que tinham Pelé como sua figura principal.
Os outros dois times brasileiros ranqueados são a Seleção Brasileira de 2002-2004, em 22º lugar, e a Seleção Brasileira que disputou a Copa de 1982, que aparece na 37ª posição.
Há apenas outros quatro times sul-americanos na lista: o Independiente (1971-1975) em 17º lugar, o Boca Juniors (1998-2004) em 26º, o River Plate (1941-1947) em 34º, e a Seleção do Chile (2014-2016).
Nenhuma Seleção da Argentina aparece na lista, nem as lideradas por Diego Maradona, nem as encabeçadas por Lionel Messi – dado que contrasta com o fato de que, em 2025, a mesma revista FourFourTwo publicou um ranking de futebolistas que escolheu Messi como melhor jogador de futebol de todos os tempos, superando inclusive Pelé, que aparece em segundo, e Maradona, em terceiro.
Nenhum outro clube brasileiro aparece na lista, embora nela estejam várias equipes europeias que se destacam por façanhas futebolítisticas medianas e de nível regional, como Celtic Glasgow, Dynamo de Kiev, Borussia Monchengladbach, Nottingham Forest, Feyenoord, Leeds United, Steaua Bucareste, Tottenham Hotspurs, Hamburgo, Wolverhampton e Leicester City,
Também não há nenhum outro time, nem de clube nem de seleção, de qualquer outro continente, seja África, Ásia, Oceania ou América Central e do Norte. Além dos sete sul-americanos da lista, todos os demais 43 ranqueados são europeus.
Acerto sobre o Tri, erro sobre o Santos
Apesar de concordar com o fato de a Seleção de 70 ser apontada como o maior time de futebol em todos os tempos, o jornalista Juca Kfouri, que trabalha em meios da mídia esportiva desde os anos 70, afirma que a revista inglesa é “conhecida por cometer tais rankings para gerar polêmica”.
“Neste caso, a revista acerta na Seleção de 70, foi certamente a maior da história, mas erra no Santos, já que nunca houve um time de clube tão bom como o Santos de Pelé”, afirma.
Entre outros times montados por clubes que aparecem à frente do Santos no ranking – além dos já citados Milan e Barcelona –, estão o Ajax de 1965-1973 (em quarto), o Real Madrid de 1955-1960 (sexto), o Liverpool de 1975-1984 (sétimo), a Internazionale de 1962-1967 (oitavo) e até o Benfica de 1959-1968 (nono), que foi vencido pelo próprio Santos em confronto direto, na final da Copa Intercontinental (Mundial de Clubes da época) de 1962.
Ademais, Kfouri considera equivocado por parte da revista misturar times montados por clubes e por seleções no mesmo ranking.
Já o jornalista Fábio Altman, redator-chefe da revista Veja e também com longa experiência em coberturas esportivas, afirma que “a Seleção do Tri (1970) estar no topo do ranking é uma bela homenagem à inteligência no futebol”.
“De algum modo, aquele time esteve na antessala da criação do futebol moderno, antes mesmo da Holanda de Rinus Michels ou do Barcelona de Pep Guardiola. Destaco, em especial, a inteligência tática de Pelé naquela equipa e o deslocamento de Rivellino como falso ponta”, comenta.
Altman conclui dizendo que “parece não haver dúvida, estando o Brasil de 70 no topo e o Santos dos anos 60 em décimo lugar, que Pelé foi o maior e mais moderno jogador da história”.
A Seleção de 70
A Seleção Brasileira conquistou o tricampeonato mundial no México, em 1970, com um esquadrão liderado por Pelé e lembrado até hoje por seu quinteto de ataque formado por cinco “camisas 10”.
A formação de ataque tinha Jairzinho, que que jogou com a camisa 7 na Copa e era o 10 no Botafogo. Gérson, camisa 8 na Copa, usava a 10 no São Paulo. Tostão, o 9 da Copa, vestia a 10 no Cruzeiro. Já Rivellino, camisa 11 na Copa, era o 10 do Corinthians. O camisa 10 da Seleção Brasileira na Copa era Pelé, o 10 do Santos.
O time titular contava com outros dois jogadores do Santos: o meia Clodoaldo e o lateral-direito Carlos Alberto, capitão da equipe, que compunha a defesa junto com o goleiro Félix (Fluminense), os zagueiros Brito (Flamengo) e Wilson Piazza (Cruzeiro) e o lateral-esquerdo Everaldo (Grêmio).
A equipe jogou junta em apenas dois torneios: aquela Copa do Mundo de 1970 e as eliminatórias anteriores. No total, o time disputou 12 partidas e venceu todas elas. Marcou 43 gols (média de 3,6 por partida) e sofreu apenas nove (0,7 por partida).
Durante as Eliminatórias, o Brasil foi comandado pelo técnico João Saldanha e se classificou como primeiro de um grupo com Colômbia (vitórias em casa por 6×2 e fora de casa por 2×0), Paraguai (1×0 em casa, 3×0 fora) e Venezuela (6×0 em casa, 5×0 fora).
Na Copa, o treinador foi Mário Zagallo, que fez a Seleção passar pela fase de grupos vencendo a Tchecoslováquia por 4×1, a Inglaterra por 1×0 e a Romênia por 3×2. Nas etapas decisivas, o time superou o Peru nas quartas-de-final, por 4×2, e venceu o Uruguai de virada na semifinal, por 3×1. Na final, outra goleada, por 4×1, contra a Itália.
Pelé foi o grande destaque do time, com dez gols (quatro na Copa e seis nas Eliminatórias) e nove assistências (seis na Copa e três nas Eliminatórias).
O Rei do Futebol também foi o protagonista de três lances que não foram gols, mas que marcaram o Mundial pela sua plasticidade: o chute do meio de campo contra a Tchecoslováquia, o a cabeçada contra o goleiro inglês Gordon Banks, produzindo o que é considerada por muitos a defesa mais difícil de todos os tempos, e o drible da vaca no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, no qual ele e a bola fazem um círculo quase perfeito desde o corta-luz até a conclusão da jogada.
Outros jogadores que se destacaram em números foram Tostão (11 gols e oito assistências), Jairzinho (10 gols e uma assistência), Rivelino (quatro gols e quatro assistências), Gérson (dois gols e quatro assistências) e Carlos Alberto (dois gols e três assistências).
Dos campos para as telas
A história da Seleção de 70 será tema de uma minissérie produzida pela produtora O2 Filmes, e que chegará à plataforma de streaming Netflix dentro de dois meses.
Brasil 70 – A Saga do Tri tem direção-geral de Paulo e Pedro Morelli (que são pai e filho, respectivamente), e promete abordar, entre outros temas, a controvérsia pela demissão de João Saldanha, que dirigiu o time nas Eliminatórias mas que era mal visto pelos generais da ditadura militar vigente no Brasil à época – ele era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) –, e sua substituição por Mário Zagallo.
Alguns dos nomes principais do elenco são justamente Rodrigo Santoro, que interpreta Saldanha, e Bruno Mazzeo, que vive o papel de Zagallo.
Entre os jogadores da Seleção, o elenco traz Lucas Agrícola (Pelé), Daniel Blanco (Rivellino), Gui Ferraz (Jairzinho), Ravel Andrade (Tostão), Caio Cabral (Carlos Alberto) e Fillipe Soutto (Gérson).
Também estão na minissérie José Beltrão, no papel de Carlos Alberto Parreira (o técnico campeão da Copa de 1994 foi preparador físico daquela Seleção) e Marcelo Adnet, que vive o narrador esportivo Eusébio Teixeira, um dos principais entre os personagens fictícios da trama.
A minissérie Brasil 70 – A Saga do Tri tem data de estreia marcada para o dia 29 de maio e contará com um total de seis episódios.