Resumo objetivo:
O projeto Cozinha Solidária Ecarta retomou suas atividades em Porto Alegre, reunindo voluntários para preparar e distribuir cerca de 140 refeições semanais a pessoas em situação de rua. A iniciativa, que completa quatro anos, depende de doações e trabalho voluntário e alia cuidado social a preocupação ambiental, utilizando embalagens biodegradáveis. Além disso, o projeto é sustentado por parcerias com movimentos comunitários e por doações arrecadadas em eventos culturais da fundação.
Principais tópicos abordados:
1. Retomada e funcionamento da cozinha solidária para combater a fome e a vulnerabilidade social.
2. Sustentação do projeto por meio de voluntariado, doações e parcerias com iniciativas comunitárias.
3. Integração entre ações assistenciais, eventos culturais e preocupação ambiental.
4. Perfil dos voluntários (majoritariamente mulheres da área cultural) e o papel da fundação na rede de solidariedade.
A solidariedade voltou a movimentar a cozinha da Fundação Ecarta na manhã desta segunda-feira (9), em Porto Alegre. Após a pausa de fevereiro, o projeto Cozinha Solidária Ecarta retomou as atividades reunindo voluntários para preparar refeições destinadas à população em situação de rua dos bairros próximos à instituição, na região central da capital gaúcha.
A iniciativa integra o projeto Ecarta Anfitriã e completou quatro anos de atuação. Ao longo desse período, a ação tem mobilizado doações da comunidade e o trabalho de voluntários para enfrentar, ainda que de forma localizada, uma realidade que cresce nas grandes cidades: a fome e a falta de moradia.
Uma das voluntárias que colocam a mão na massa é Tina Oliveira, professora de yoga, cantora e atriz, integrante do grupo As Crê Tinas. Para ela, o gesto de cozinhar também é uma forma de cuidado.
“Faço de coração como uma contribuição para deixar o dia de pessoas fragilizadas mais humanizado, com comida boa e feita com amor e dedicação”, afirma.
Rede de solidariedade
Todas as semanas, voluntários se reúnem na sede da fundação para preparar cerca de 140 quentinhas, distribuídas no final da manhã a pessoas em vulnerabilidade social. Em Porto Alegre, dados do CadÚnico de 2025 apontam mais de 5 mil pessoas em situação de rua.
Criada para somar esforços no combate à fome, a cozinha solidária atua em parceria com o movimento Amigos da Rua e outras iniciativas comunitárias da cidade. A manutenção da ação depende da participação da sociedade, seja por meio de doações de alimentos, contribuições financeiras ou trabalho voluntário.
As atividades culturais da própria Fundação Ecarta também ajudam a sustentar o projeto. Nos eventos do Ecarta Musical, o público é convidado a fazer uma doação solidária de 1 kg de arroz parboilizado, ingrediente utilizado nos risotos preparados e distribuídos às pessoas atendidas.
Uma das oportunidades de curtir o evento cultural e contribuir com a cozinha solidária ocorre neste sábado (14), quando o Ecarta Musical apresenta um espetáculo com canções que atravessam memória, afeto e pertencimento. O concerto Casa, criação de Simone Rasslan e Madalena Rasslan, abre a temporada musical da instituição e convida o público a refletir sobre o significado de lar — não apenas como espaço físico, mas como território poético e emocional. A entrada é franca.
Cuidado social e ambiental
Além da dimensão humanitária, o projeto também incorpora uma preocupação ambiental. As refeições são entregues em embalagens biodegradáveis e acompanhadas de garfos de bambu. A escolha busca reduzir o impacto ambiental das ações solidárias e reforçar a ideia de que cuidado social e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos.
Outro aspecto que marca a iniciativa é o perfil de quem participa da preparação das refeições. A maioria dos voluntários são mulheres ligadas à área cultural. São cantoras, atrizes e produtoras que transformam a cozinha em um espaço de encontro, mobilização e solidariedade.
A iniciativa é coordenada pela jornalista e produtora cultural Glaci Salusse Borges, responsável também pelos projetos Cultura Doadora e Conversa de Professor, da Fundação Ecarta. Segundo ela, a ação busca fortalecer redes solidárias em um país que ainda convive com profundas desigualdades sociais.
“O Brasil saiu mais uma vez do Mapa da Fome com as ações do atual governo e a mobilização da sociedade. A Ecarta dá uma pequena contribuição, por meio de sua vertente assistencial, para fortalecer iniciativas solidárias”, afirma.
Articulador do movimento Amigos da Rua, Melissandro Bittencourt ressalta a importância da parceria com a fundação para ampliar o alcance da ação. “Contamos com o apoio desta instituição cultural e cidadã para fortalecer esta iniciativa humanitária”, diz.
A Fundação Cultural e Assistencial Ecarta é uma entidade instituída pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS).
Como apoiar
Doação de alimentos (especialmente arroz parboilizado, óleo de girassol ou milho)
Contribuições via Pix: [email protected]
Informações: [email protected]