As eleições legislativas na Colômbia consolidaram a esquerda no parlamento, fortalecendo a coalizão do presidente Gustavo Petro. Essa tendência contraria o avanço da direita observado em parte da América Latina recentemente. A recuperação da popularidade de Petro é atribuída a medidas como o significativo aumento do salário mínimo e sua estratégia de confronto político com as oligarquias.
Principais tópicos abordados:
1. Resultado das eleições legislativas e consolidação da esquerda.
2. Análise da trajetória e popularidade do governo Petro (medidas econômicas e estratégia política).
3. Projeções para as próximas eleições presidenciais e o cenário político regional.
As eleições legislativas na Colômbia que ocorreram neste domingo (8) consolidaram a esquerda no parlamento. O pleito geral ocorreu em meio a um cenário político marcado pela disputa entre forças de direita e a coalizão governista ligada ao presidente Gustavo Petro.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, afirmou que o cenário colombiano se diferencia da tendência observada em parte da América Latina nos últimos anos.
“Estamos nesse quadro colombiano que é um quadro contrário às expectativas ou à tendência política da América Latina das últimas eleições, onde a direita e a extrema direita têm avançado. Na Colômbia não, o sinal foi trocado”, afirmou. Segundo ele, a vitória do Pacto Histórico no Senado criou condições para fortalecer o campo governista no processo eleitoral.
Maringoni afirma que a recuperação da popularidade de Petro ocorreu nos últimos meses do mandato e está ligada a medidas adotadas pelo governo. Entre elas está o aumento do salário mínimo. “Ele colocou em pauta em dezembro e aprovou em dezembro um salário mínimo equivalente no Brasil a R$ 2.800,00. Vamos pensar que o nosso salário mínimo está em torno de R$ 1.600,00. A Colômbia é uma economia muito menor e com uma polarização política muito maior que no Brasil”, disse.
O professor também aponta que o presidente adotou uma estratégia de confronto político ao longo do mandato. “Ele decide fazer um mandato de enfrentamento com as oligarquias e com a extrema direita”, afirmou.
Segundo Maringoni, o governo enfrentou derrotas no Congresso, como na tentativa de reformar o sistema de saúde, mas respondeu com mudanças na equipe ministerial e mobilização social. “Ele, por mais de uma vez, foi para a rua nas principais cidades colombianas convocando o povo à mobilização.”
De acordo com o pesquisador, o aumento do salário mínimo teve impacto direto na percepção pública sobre o governo. “Quando o Petro reajustou o salário mínimo em 23,7%, eu fui conferir qual tinha sido a inflação do último ano achando que ele teria dado um aumento grande porque a inflação corroeu o salário. Não foi isso. O aumento de 23,7% foi dado diante de uma inflação de 5,1%”, afirmou.
A partir das eleições legislativas, Maringoni avalia que a disputa presidencial, que ocorrerá em 31 de maio, deve caminhar para um segundo turno entre Iván Cepeda e um nome da direita, Abelardo de la Espriella.
“Sabemos quem vai para o segundo turno. A expectativa é que Cepeda vá para o segundo turno contra o candidato da direita”, disse. Segundo ele, nesse cenário os votos conservadores tendem a se unificar na tentativa de derrotar o candidato governista.
O resultado da eleição também terá impacto no cenário regional. “É um terreno muito difícil em que um presidente progressista de esquerda vai ter que buscar alianças dentro da América Latina”, afirmou. Para Maringoni, a pressão internacional e a reorganização das forças de direita no continente tornam a disputa colombiana parte de um quadro político mais amplo.
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