Resumo objetivo: O partido Novo protocolou um pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, baseado em trocas de mensagens reveladas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Paralelamente, o partido anunciou uma representação ética contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e defendeu a abertura de uma CPI sobre o Banco Master. A oposição alega que ministros do Supremo agem como se estivessem "acima da lei", mas líderes do centrão consideram a demanda por impeachment isolada no Congresso.
Principais tópicos abordados:
1. Pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.
2. Ação ética no Senado contra o presidente Davi Alcolumbre.
3. Defesa da abertura de uma CPI do Banco Master.
4. Críticas ao STF e alegações de que seus ministros se sentem "intocáveis".
5. A revelação das mensagens entre Moraes e Vorcaro como gatilho das ações.
6. O contexto político e a resistência no Congresso à proposta de impeachment.
O partido Novo apresentou nesta segunda-feira (9) um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de trocas de mensagens atribuÃdas ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
A apresentação do pedido foi anunciada durante coletiva de imprensa no Senado Federal e contou com a participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do senador Eduardo Girão (Novo-CE), do presidente do partido, Eduardo Ribeiro, e de deputados como Marcel Van Hattem (RS), Adriana Ventura (SP) e Luiz Lima (RJ).
"Se nós já tivemos dois presidentes da republica afastados, que sofreram impeachment, na minha opinião já passou da hora pelo fatos que assistimos nos últimos dias de isso acontecer com um ministro do STF", defendeu Zema. O governador considera que ministros do STF têm agido como se estivessem "acima da lei".
O partido Novo anunciou ainda a apresentação de uma representação no Conselho de Ãtica do Senado pedindo o "afastamento imediato" do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) por omissão e abuso de poder. Além disso, disseram que enviarão uma notÃcia-crime na PGR (Procuradoria Geral da República) contra Moraes.
"O Senado, só ele, pode cumprir esse dever perante a Constituição. Não o fez e agora estamos vendo alguns ministros se sentindo completamente intocáveis", disse Girão. O senador também defendeu a abertura imediata da CPI ou CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master e a prorrogação da CPMI do INSS.
"Quem não se levanta contra esses absurdos ou é corrupto ou é cúmplice ou é conivente", disse Ventura.
De acordo com apuração do jornal O Globo confirmada pela Folha, Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez, 17 de novembro. Nas conversas, reveladas a partir de dados obtidos do celular de Vorcaro, o então banqueiro narra negociações para tentar salvar o Master.
Duas vezes, Vorcaro cobra atualizações de Moraes, sem especificar a qual assunto se refere. "Alguma novidade? Conseguiu ter notÃcia ou bloquear?", diz uma das mensagens, enviada à s 17h26, segundo a reportagem.
A Folha acessou imagem que mostra que Moraes respondia às mensagens por meio de imagens que desaparecem automaticamente após serem vistas (a chamada mensagem de visualização única). Os textos são escritos no bloco de notas, depois transformados em print e enviados no formato instantâneo.
Além disso, em diálogo com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, o banqueiro também citou um encontro que teve com o ministro em 19 de abril de 2025. Vorcaro disse que estava "indo encontrar Alexandre [de] Moraes aqui perto de casa".
Em fevereiro, o Novo também apresentou um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, à época relator do Master no STF. Na ocasião, o lÃder da legenda na Câmara dos Deputados Marcel Van Hattem (RS) afirmou que, se as autoridades não agirem por determinação da lei, deveriam agir a partir da pressão social.
Toffoli deixou o caso após reunião entre os ministros e o processo foi assumido por André Mendonça. LÃderes de partidos do centrão, entretanto, afirmaram à Folha que a demanda por impeachment da oposição é isolada e não representa a demanda da maioria no Congresso.
Questionado sobre se o Novo está se articulando politicamente para levar o pedido adiante apesar da resistência de outros lÃderes partidários, Girão disse que não poderia falar por outros partidos e cobrou pressão popular para que o tema seja levado adiante.