Uma festa de formatura de alunos do Colégio Damas, no Recife, gerou críticas por usar o tema "Deu a louca no morro" em vídeos de divulgação, acusados de reproduzir estereótipos racistas ao sugerir fantasias associadas a moradores de favela. A jornalista Fabiana Moraes denunciou o caso como "racismo recreativo", questionando o papel da escola. Tanto a comissão de formatura quanto o colégio se distanciaram, afirmando que o evento foi organizado exclusivamente pelos estudantes, sem vínculo ou conhecimento prévio da instituição, e que não houve intenção de ofender.
Principais tópicos abordados:
1. A polêmica em torno da festa com tema acusado de racismo e reprodução de estereótipos.
2. A denúncia pública e as críticas sobre "racismo recreativo".
3. A defesa e o distanciamento tanto dos organizadores (comissão de alunos) quanto da escola.
Uma festa organizada por comissões de formatura ligadas a alunos do Colégio Damas, no Recife, provocou crÃticas após a circulação de vÃdeos de divulgação nas redes sociais com o tema "Deu a louca no morro".
Nas imagens, estudantes do ensino médio aparecem sugerindo looks para o evento, o que gerou acusações de reprodução de estereótipos associados a moradores de periferia.
O caso ganhou repercussão após publicação da jornalista e professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Fabiana Moraes. Na postagem, ela afirmou que, na festa, pessoas teriam ido "fantasiadas de... gente favelada, moradora de encostas, galerosa".
"O que pensar quando um grupo de educadores/as não vê problema no racismo recreativo? A escola não tinha nenhum conhecimento? Em um local de vasta maioria branca perfomar o que seria o cotidiano de locais de uma vasta maioria preta?", escreveu Moraes.
Em comentário na publicação, a comissão de formatura responsável pelo evento disse que a festa foi organizada exclusivamente pelos estudantes e que a escola não participou da concepção, divulgação ou realização.
Segundo o grupo, os vÃdeos foram produzidos apenas para promover a festa entre alunos, algo comum em eventos de formatura. A comissão afirmou que não houve intenção de ofender, desrespeitar ou promover qualquer forma de preconceito.
Os organizadores também disseram se preocupar com o compartilhamento das imagens fora de contexto e com a exposição de estudantes menores de idade nas redes sociais. A comissão pediu que conteúdos que exponham alunos de forma indevida não sejam disseminados e afirmou estar aberta ao diálogo para esclarecimentos.
A reportagem não conseguiu um contato direto com a comissão até a publicação deste texto.
Em nota, o Colégio Damas disse que o evento foi organizado de forma privada por estudantes, fora do ambiente escolar e sem vÃnculo institucional com a escola. A instituição afirmou ainda que não teve conhecimento prévio da realização da festa.
A escola disse que orienta suas atividades pelos valores do respeito e da dignidade humana e repudia qualquer forma de discriminação, preconceito ou discurso de ódio. Acrescentou também reconhecer a importância do debate público sobre racismo e reafirmou compromisso com a formação ética, humana e cidadã.
O colégio afirmou ser necessário cuidado na divulgação de informações que envolvam adolescentes, para evitar a exposição indevida de menores.