Resumo objetivo:
Empresas de logística portuária ainda não mensuraram totalmente o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os fretes, mas avaliam que o maior problema é a insegurança no estreito de Ormuz, que força rotas mais longas. Isso provoca "estoque em trânsito", aumentando o tempo das mercadorias na cadeia logística e gerando custos extras com taxas como detention e demurrage. Setores dependentes de insumos importados e exportadores com cargas sensíveis ao tempo são os mais vulneráveis a esses atrasos e sobrecustos.
Principais tópicos abordados:
1. Impactos indiretos do conflito na segurança marítima e no replanejamento de rotas.
2. Aumento de custos logísticos devido a taxas portuárias e atrasos.
3. Setores econômicos mais vulneráveis às disrupções.
4. Preocupações com perda de competitividade e janelas de embarque.
Empresas de logÃstica portuária ouvidas pela coluna ainda não conseguiram dimensionar os efeitos no preço do frete do conflito atual no Oriente Médio. Mas o consenso é que esta não é a única questão e nem a mais preocupante na guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Para empresários do setor, há o efeito indireto causado pela insegurança no estreito de Ormuz. Rotas mais longas devem provocar o que é chamado de "estoque em trânsito". A mercadoria fica mais tempo dentro de terminais e da cadeia logÃstica antes de chegar ao destino final.
"à um replanejamento que gera custos adicionais e pressiona cobranças de detention e demurrage sobre exportadores e importadores", define Thiago Santos, diretor de estratégia corporativa do Grupo Unimar.
Na logÃstica portuária, "detention" é a cobrança aplicada quando o contêiner é retirado do porto ou está em posse do cliente, mas não é devolvido no local indicado pelo armador ou dentro do prazo estipulado. "Demurrage" acontece geralmente na importação. à uma taxa gerada quando o contêiner fica no terminal portuário além do contrato.
Setores dependentes de insumos importados (indústria quÃmica, eletroeletrônicos, autopeças e bens de capital) seriam os mais mais vulneráveis a variações no tempo de trânsito. Nas cadeias com alto giro ou margens menores, seria a necessária a revisão de cronogramas e dos estoques de segurança.
Para exportadores, a maior preocupação das empresas é a perda de janelas de embarque nos portos, especialmente em cadeias mais sensÃveis no que se refere a tempo, como alimentos refrigerados ou produtos manufaturados de alto valor agregado. Estes precisam de agendamento preciso, sob o risco de perda de competitividade, argumenta outro empresário portuário.
Segundo a Antaq ( (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), os portos do paÃs movimentaram 164,6 milhões de toneladas em cargas conteinerizadas em 2025, o equivalente a 15,3 milhões de TEUs. Deste total, 10,4 milhões foram em operações de longo curso. TEU é o equivalente a um contêiner de 20 pés.
Nessa escala, mesmo sobretaxas de algumas centenas de dólares por contêiner aplicadas a volumes limitados podem representar dezenas de milhões de dólares em custos agregados ao longo de semanas.