A Human Rights Watch acusou Israel de usar ilegalmente munições de fósforo branco em ataques a uma área residencial no sul do Líbano, destacando o grave risco que a substância representa para civis ao causar queimaduras severas e incêndios. Paralelamente, a Unicef divulgou dados alarmantes sobre o impacto do conflito em crianças, informando que dezenas foram mortas e centenas de milhares de civis foram deslocados. Ambos os organismos fizeram apelos urgentes para o cessar dessas práticas e para a proteção dos civis conforme o direito internacional.
Principais tópicos abordados:
1. Acusação do uso ilegal de fósforo branco por Israel em área residencial.
2. Impacto humanitário do conflito, com foco em vítimas civis e crianças.
3. Apelos de organizações internacionais pelo fim das violações e pela proteção de civis.
A organização Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de utilizar “ilegalmente” fósforo branco na semana passada em ataques contra áreas residenciais no sul do Líbano. Ao entrar em contato com o oxigênio, o fósforo branco pode queimar pessoas até os ossos.
“O Exército israelense utilizou ilegalmente munições de fósforo branco disparadas por artilharia sobre residências em 3 de março de 2026 na localidade de Yohmor, no sul do Líbano“, afirma um relatório divulgado pela organização de defesa dos direitos humanos.
O documento acrescenta que foram “verificadas e geolocalizadas sete imagens que mostram munições de fósforo branco explosivo sendo utilizadas sobre uma área residencial da localidade, e trabalhadores da defesa civil respondendo a incêndios em pelo menos duas casas e um veículo na área”.
O fósforo branco é uma substância utilizada para criar cortinas de fumaça ou iluminar campos de batalha. Mas a munição também pode ser utilizada como arma incendiária e pode provocar incêndios, queimaduras graves, danos respiratórios, falência de órgãos ou morte.
Desde a semana passada, Israel lançou várias ondas de ataques contra o Líbano e enviou forças terrestres às áreas de fronteira para responder a um ataque do movimento islamista pró-iraniano Hezbollah.
Pelo menos 394 pessoas morreram nos ataques israelenses, segundo as autoridades libanesas, e mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas.
“O uso ilegal de fósforo branco por parte do Exército israelense contra áreas residenciais é extremamente alarmante e terá graves consequências para os civis”, afirmou Ramzi Kaiss, pesquisador da HRW sobre o Líbano.
“Israel deve interromper imediatamente a prática. Os países que fornecem armas a Israel, incluindo munições de fósforo branco, devem suspender imediatamente a assistência militar e a venda de armas e pressionar Israel para que deixe de utilizar tais armas em áreas residenciais”, acrescentou.
Mais crianças mortas por Israel
A agência da ONU para a infância, Unicef, afirma que pelo menos 83 crianças foram mortas e 254 ficaram feridas no Líbano desde 2 de março, com a intensificação da guerra entre Israel e o Hezbollah.
“Em média, mais de 10 crianças foram mortas todos os dias no Líbano na última semana, com aproximadamente 36 crianças feridas diariamente”, diz o comunicado publicado no site da Unicef nesta segunda-feira. “Nos últimos 28 meses, 329 crianças foram mortas no Líbano e 1.632 ficaram feridas”, acrescenta.
“Esses números são estarrecedores. Eles são um testemunho contundente do impacto que o conflito está causando nas crianças”, disse a agência. “O deslocamento em massa em todo o Líbano forçou quase 700 mil pessoas — incluindo cerca de 200 mil crianças — a deixarem suas casas, somando-se às dezenas de milhares já desabrigadas por escaladas anteriores.”
“Esses números são estarrecedores. Eles são um testemunho contundente do impacto que o conflito está causando nas crianças”, disse a agência. A agência apelou a todas as partes para que protejam os civis e as infraestruturas civis, incluindo escolas e abrigos, e para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário.
“O Unicef insta a esforços imediatos para reduzir a escalada da situação e evitar maiores danos às crianças”, concluiu o comunicado.