Resumo objetivo:
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou publicamente a proposta dos EUA de enviar tropas norte-americanas ou formar uma coalizão militar no México para combater o narcotráfico. Ela afirmou que apenas as forças mexicanas operarão no país, defendendo o princípio de "cooperação, sim; intervenção, não". Paralelamente, Sheinbaum criticou a incoerência dos EUA ao classificar os cartéis como terroristas enquanto a maioria das armas apreendidas no México tem origem norte-americana.
Principais tópicos abordados:
1. Rejeição mexicana à intervenção militar dos EUA no território nacional.
2. Crítica ao fluxo de armas dos Estados Unidos para os cartéis mexicanos.
3. Apresentação de resultados da estratégia de segurança mexicana (prisões, apreensões e redução de homicídios).
4. Defesa da cooperação bilateral baseada em inteligência, sem intervenção estrangeira.
Sheinbaum rejeita proposta de Trump de enviar tropas norte-americanas ao México
Mandatária mexicana contrariou intenção de Washington de criar uma 'coalizão militar regional' para combater o narcotráfico
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou nesta segunda-feira (09/03) que apenas as Forças Armadas Mexicanas operarão em seu país, uma medida que rejeita a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de enviar tropas norte-americanas para o território mexicano.
Durante a conferência, a presidente mexicana celebrou o reconhecimento público de Trump pelo México, enfatizando que o país manterá com orgulho sua posição contra a intenção de Washington de criar uma “coalizão militar regional” voltada ao combate ao narcotráfico.
Sheinbaum ressaltou a incoerência na política de Washington, apontando que, embora o governo Trump rotule os cartéis como organizações terroristas, esses grupos se armam com armas e munições fabricadas em instalações governamentais dos Estados Unidos.
Nesse contexto, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos admitiu que 75% das armas apreendidas de criminosos no México possuem origem norte-americana. O Secretário de Defesa Nacional, General Ricardo Trevilla, revelou que 78% das armas confiscadas de criminosos provêm de lojas de armas no Texas, Arizona e Califórnia.
Além disso, foi descoberto que quase metade da munição calibre 50 apreendida tem origem na fábrica de Lake City, em Kansas City, principal fornecedora do Exército dos Estados Unidos. Vale ressaltar que os cartéis mexicanos recebem uma grande quantidade de armas militares, permitindo que empreguem táticas de guerra contra forças de segurança.
No entanto, a estratégia de segurança liderada por Omar García Harfuch resultou, entre outubro de 2024 e janeiro de 2026, na prisão de mais de 43.000 pessoas e na apreensão de 327 toneladas de drogas.
Essas novas medidas resultaram em uma queda histórica de 42% dos homicídios; ao mesmo tempo, a tentativa do México de processar fabricantes de armas nos Estados Unidos por US$10 bilhões foi rejeitada pela Suprema Corte americana em junho de 2025.
Logo, o tribunal decidiu que as empresas fabricantes não podem ser processadas pelo uso criminoso de seus produtos, continuando a proteger uma indústria que lucra enquanto seus suprimentos militares atravessam a fronteira para alimentar o conflito em território mexicano.
Sheinbaum apresentou dados de sua estratégia baseada em informações de inteligência e que aborda as causas profundas das prisões e apreensões. Destacou que, entre outubro de 2024 e janeiro de 2026, 43.438 pessoas foram presas por crimes de grande impacto e 327 toneladas de drogas foram apreendidas.
Da mesma forma, a morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração – Nemesio Oseguera Cervantes. Conhecido como “El Mencho” –, o homem mais procurado pelos dois países, representou um golpe para a organização.
A mandatária mexicana ressaltou que o México continuará a colaborar em inteligência e coordenação, mas sob o princípio de “cooperação, sim; intervenção, não”, mantendo as operações de segurança nas mãos de instituições mexicanas.
(*) Com Telesur