Resumo objetivo: Um homem de 24 anos agrediu gravemente uma recepcionista de 55 anos em um hotel de Curitiba após ela recusar um beijo. O agressor foi preso em flagrante por tentativa de homicídio qualificado e, após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. A defesa da vítima caracteriza o caso como tentativa de feminicídio.
Principais tópicos abordados:
1. O crime: Agressão extrema com chutes, socos e tentativa de estrangulamento, motivada pela rejeição a um beijo.
2. Enquadramento legal e prisão: Prisão em flagrante por tentativa de homicídio qualificado, convertida em preventiva pela Justiça, que destacou a violência e periculosidade do agressor.
3. Caracterização como feminicídio: A defesa da vítima sustenta que se trata de um crime de feminicídio na modalidade tentada.
4. Detalhes do incidente: A sequência do ataque, registrada por câmeras e relatada pela vítima, e a fuga para pedir socorro.
Um homem de 24 anos atacou neste sábado (7) a recepcionista do hotel onde ele se hospedava em Curitiba, no bairro Bigorrilho. A vÃtima, uma mulher de 55 anos, disse que levou chutes e socos e que a agressão começou após ela recusar um beijo dele.
Parte do episódio foi registrada pelas câmeras de segurança do hotel, por volta das 5h. Ela conseguiu pedir socorro e o agressor foi preso em flagrante por crime de tentativa de homicÃdio qualificado, de acordo com a PolÃcia Civil do Paraná.
O homem foi identificado como Jhonathan Reynaldo dos Santos, morador de Joinville (SC). O advogado dele, Wanderley dos Santos, disse à Folha nesta segunda-feira (9) que "toda a defesa do meu cliente será feita nos autos respeitando seu direito constitucional e a ampla defesa". O homem se apresenta como pintor e estava em Curitiba para um trabalho na área de construção civil.
A vÃtima trabalha há cerca de nove meses no hotel. "Ele a agrediu após ser rejeitado. Temos um evidente crime de feminicÃdio na modalidade tentada. Ele só não matou essa mulher porque ela lutou pela vida", disse à Folha o advogado da vÃtima, Jackson Bahls.
Na audiência de custódia, neste domingo (8), a juÃza Diele Denardin Zydek converteu o flagrante para prisão preventiva, ou seja, sem prazo determinado. Ao analisar o caso, a juÃza justificou que a prisão preventiva é imprescindÃvel diante de um ato cometido "com extrema violência, provocando lesões na vÃtima".
"A ação cometida pelo custodiado, ao agredir pessoa que laborava no hotel em que estava hospedado e que possui fluxo de pessoas, certamente causa insegurança aos trabalhadores e hóspedes do local e da própria sociedade, pois uma agressão deste porte pela negativa da vÃtima a lhe dar um beijo, a qual ele sequer conhecia, denota que se trata de pessoa agressiva e de extrema periculosidade", diz trecho da decisão da magistrada.
A mulher disse que o homem estava na recepção do hotel bebendo e se aproximou dizendo que estava recém-separado, tinha interesse nela e queria beijá-la. Ela afirmou que negou o beijo e ressaltou que estava em seu ambiente de trabalho.
Pouco tempo depois, a mulher saiu em direção a um corredor que fica nos fundos da recepção, para beber água e ir ao banheiro. A partir daÃ, as câmeras de segurança do hotel mostram o homem pulando o balcão da recepção e indo em direção à porta do banheiro, que estava fechada.
A vÃtima contou que, ao abrir a porta, se surpreendeu com o homem tentando agarrá-la e a empurrando para dentro do banheiro. Ela afirmou que foi aà que levou chutes, socos, e que ele tentou enforcá-la mais de uma vez. A mulher disse que ele também a cortou com uma saboneteira de porcelana.
Cerca de dois minutos depois, o homem deixou o banheiro e foi até a recepção. Na sequência, a mulher também saiu do banheiro com sangue no rosto e tentou fugir.
Outra câmera de segurança mostrou o homem correndo atrás dela e dando um golpe em sua cabeça quando se aproximava da porta de saÃda do hotel. A mulher disse que quando conseguiu chegar perto da rua, o homem interrompeu as agressões e ela conseguiu pedir socorro.
A PolÃcia Civil afirmou em nota à reportagem, nesta segunda, que "o inquérito foi relatado e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público".