Resumo objetivo:
A ONU negocia com os EUA a autorização para envio de combustível a Cuba com fins humanitários, visando garantir serviços vitais para grupos vulneráveis. A crise energética cubana agravou-se após a interrupção do fornecimento da Venezuela e com os rigorosos embargos norte-americanos. Como consequência, a ilha enfrenta apagões frequentes e dificuldades no transporte de ajuda humanitária.
Principais tópicos abordados:
1. Negociações humanitárias entre ONU e EUA para permitir entrada de combustível em Cuba.
2. Crise energética em Cuba, agravada pelo embargo dos EUA e pela perda do fornecimento venezuelano.
3. Impactos sociais e operacionais da escassez, como apagões e restrições no transporte de ajuda.
4. Medidas emergenciais do governo cubano, incluindo abertura a parcerias público-privadas.
ONU negocia com EUA envio de combustível a Cuba com fins humanitários
Representante da entidade planeja operações de emergência para garantir serviços vitais em centros de atendimento a pessoas e grupos vulneráveis
A Organização das Nações Unidas (ONU) está negociando com o governo dos Estados Unidos a autorização de entrada de combustível em Cuba para fins humanitários, em meio ao embargo de petróleo imposto por Washington à ilha. A informação foi revelada nesta segunda-feira (09/03) pelo representante da entidade em Havana, Francisco Pichón.
Os Estados Unidos não escondem o desejo de ver uma mudança de regime em Cuba e não relaxam sua pressão sobre Havana. Devido ao embargo de Washington, nenhum navio carregado de combustível entrou oficialmente em Cuba nos últimos dois meses.
“Há discussões em andamento entre nossos colegas do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários e o governo dos Estados Unidos para garantir o acesso a combustível para fins humanitários”, declarou Pichón à agência AFP.
Ele detalhou que, quando fala em fins humanitários, está se referindo à entrega de combustível para nossas operações de resposta a emergências (…) e para garantir serviços vitais nesses centros de atendimento a pessoas e grupos vulneráveis. O representante da entidade em Havana enfatizou que o acesso ao produto pelas agências da ONU está fortemente racionado devido à crise.
“A viabilidade operacional da nossa resposta enquanto sistema da ONU depende do acesso à energia e ao combustível e, neste momento, está comprometida”, salientou.
Segundo ele, as visitas no terreno são raras. Outro problema é a menor disponibilidade de transporte de carga na ilha, cujos serviços sofrem aumentos de preços devido à escassez. Consequentemente, há muita restrição para transferir a ajuda humanitária que chega aos aeroportos e portos do país para as províncias.
Crise energética
A crise energética na ilha de 9,6 milhões de habitantes se agravou após a captura, por forças americanas, do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro. A prisão de Maduro provocou a interrupção abrupta dos envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de combustível da ilha nos últimos 25 anos.
Os Estados Unidos justificam a pressão máxima que exercem contra Havana pela ameaça excepcional representada pela ilha comunista, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida.
Diante da crise energética, o governo cubano implementou um pacote de medidas emergenciais, que incluem uma drástica restrição à venda de combustível. Mas a crise se intensifica a cada dia no país, que vem enfrentando uma série de apagões.
Na última quinta-feira (05/03), dois terços do território, incluindo Havana, ficaram sem energia. O corte, que deixou 1,7 milhão de habitantes sem luz, foi causado por uma desconexão parcial da rede devido a uma falha inesperada na usina Antonio Guiteras, a principal geradora do país.
O governo cubano autorizou a associação entre empresas públicas e privadas pela primeira vez em quase 60 anos, uma alternativa para tentar superar as dificuldades. O monopólio estatal nos setores de saúde, educação e defesa foi mantido.
Havana acusa Donald Trump de querer sufocar a economia da ilha comunista, que está sob embargo dos Estados Unidos desde 1962 e sofreu com o endurecimento das sanções americanas nos últimos anos.