Resumo objetivo:
O artigo aborda o Caso Master, destacando as conexões políticas transversais do banqueiro Daniel Vorcaro, que mantinha relações tanto com figuras da esquerda (como Ricardo Lewandowski e Guido Mantega) quanto da direita. A investigação, conduzida pela PF no governo Lula, tem sido alvo de críticas de setores da esquerda, que deslegitimam as apurações como "lava-jatismo", enquanto o envolvimento de nomes do STF (como Alexandre de Moraes) gera tensões e preocupa aliados do governo.
Principais tópicos abordados:
1. As alianças políticas pragmáticas de Daniel Vorcaro e suas ligações com figuras de ambos os espectros.
2. A reação polarizada à investigação, com setores da esquerda atacando as apurações e o STF sendo visto como "sócio" do governo Lula.
3. O papel central do Supremo Tribunal Federal no caso e os riscos políticos de sua blindagem, que fortalecem a oposição e alimentam desconfiança popular.
Daniel Vorcaro não ligava muito para ideologia na hora de comprar apoio. Seus aliados no Congresso eram mais do centrão e da direita, mas não faltam parcerias à esquerda. O escritório de Ricardo Lewandowski, já ministro do governo Lula, tinha contrato de R$ 5 milhões com o Banco Master. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também prestou consultoria e apresentou Vorcaro a Lula. O CredCesta, cartão de benefÃcios consignados operado pelo Banco Master, foi originalmente comprado de uma estatal sob o governo petista da Bahia.
Os dois grandes nomes do jogo polÃtico, no entanto, parecem alheios ao caso. Lula teve uma reunião com Vorcaro, assim como tem com tantos outros empresários; e aparentemente nada saiu dela. Bolsonaro, por sua vez, fez post em 2024 surfando na onda de indignação contra o Banco Master: defendeu os servidores da Caixa que perderam seus cargos depois de barrarem operação com o banco, o que lhe rendeu o xingamento de "beócio" por parte de Vorcaro.
A esquerda poderia, aliás, tomar a investigação como sua. A infiltração no Banco Central se deu na gestão Roberto Campos Neto, e foram trocados na gestão GalÃpolo, que também liquidou o banco. Ademais, é a PolÃcia Federal no governo Lula que tem levado adiante a investigação.
E, no entanto, nas redes e na imprensa, o que mais se vê são vozes de esquerda vociferando contra a investigação e para deslegitimar a imprensa: Revista Fórum, Brasil 247 e até nomes como o diretor Kleber Mendonça Filho. A acusação de "lava-jatista" volta a ser lançada contra qualquer um que queira investigar possÃveis corruptos.
O que muda esse quadro são as suspeitas contra o Supremo. Moraes se tornou herói absoluto da esquerda brasileira ao protagonizar o inquérito e julgamento da trama golpista. Foi o algoz de Bolsonaro. E o Supremo é visto, com alguma razão, como sócio do governo Lula. Tudo o que enfraquece o Supremo fortalece o bolsonarismo. Assim, o caso Master é bom para Flávio. E só deixará de sê-lo se o núcleo bolsonarista entrar na mira.
As fake news se espalham nas bolhas da esquerda. Primeiro foi dito que nem sequer existia contrato entre Viviane Barci de Moraes e o Banco Master. Na segunda-feira, ela detalhou o contrato. Ou seja, existia. Agora circula forte o boato de que o Alexandre nas mensagens de Vorcaro não seria o ministro do Supremo.
Democracia não casa bem com heróis. Não há contradição nenhuma em um juiz ter uma atuação exemplar num caso (não estou dizendo que teve) e ser culpado de corrupção em outro contexto (não estou dizendo que é). à justamente pelo fato de que toda autoridade pode se corromper que temos divisão de Poderes, um limitando o outro. E não é à toa que, conforme o Supremo se protege, cresce âpor parte do povo e do Senadoâ o desejo pelo impeachment de ministro, o que também fortalece a oposição.
A postura do Supremo, de blindar os seus e de publicar notas explicativas que só enrolam e desencaminham, piora as suspeitas. Os tempos não são propÃcios para quem aposta contra a transparência. "Lava-jatismo" só é insulto em contextos minoritários. Ser contra o combate à corrupção â recado dos senadores petistas, que até agora não assinaram a CPI de Moraes e Toffoliâ para proteger um aliado alimenta ainda mais a desconfiança popular. A conta é paga nas urnas.