Resumo objetivo:
O governador Tarcísio de Freitas, que antes era considerado o nome mais forte da direita para disputar a Presidência, viu seu cenário nacional mudar com a ascensão do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Isso provavelmente o levará a focar na reeleição em São Paulo, onde possui vantagem significativa sobre seus possíveis adversários, como Fernando Haddad. A pesquisa Datafolha reforça a viabilidade de sua candidatura estadual e influenciou a decisão de Haddad de deixar o Ministério da Fazenda para concorrer ao governo paulista.
Principais tópicos abordados:
1. A mudança no cenário eleitoral nacional da direita, com Flávio Bolsonaro surgindo como alternativa a Tarcísio.
2. A vantagem eleitoral de Tarcísio de Freitas nas pesquisas para o governo de São Paulo.
3. A decisão de Fernando Haddad de entrar na disputa estadual paulista.
A mera passagem do tempo, ao que tudo indica, se encarregou de resolver para TarcÃsio de Freitas (Republicanos) o dilema que ele tinha diante de si. A questão do governador de São Paulo era saber se deveria disputar a Presidência da República ou buscar uma recondução quase certa no comando paulista.
Os dois cenários, é bom que se diga, ainda se descortinam à sua frente. Mas é notável a diferença entre as fotografias registradas pelo Instituto Datafolha em abril de 2025 e em março de 2026, pelo menos no que diz respeito ao embate no âmbito nacional.
Quase um ano atrás, não havia, no campo da direita, candidato tão forte quanto TarcÃsio para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Assim, embora as pesquisas indicassem a perspectiva de reeleição do governador de São Paulo, não faltavam argumentos para ele concorrer ao Planalto.
O levantamento mais recente do Datafolha, contudo, esvaziou um dos pressupostos dessa discussão. Agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que há pouco nem confirmava a intenção de manter sua candidatura, aparece com cacife suficiente para substituir TarcÃsio no pleito federal.
Com isso, pode-se calcular que o governador de São Paulo, com menos sentimento de culpa e menor pressão dos aliados, se voltará para a eleição estadual, onde desponta com vantagem significativa sobre todos os adversários considerados pelo Datafolha.
Mesmo no cenário mais complicado para TarcÃsio, sua dianteira é de 13 pontos percentuais: ele lidera com 44% das intenções de voto, seguido por Fernando Haddad (PT), com 31%, pelo ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), com 5%, pelo deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil), com 5%, e pelo comentarista Felipe DâAvila (Novo), com 3%.
Haddad, ministro da Fazenda de Lula, deverá deixar a Esplanada na próxima semana âantes do que se imaginavaâ para concorrer ao Governo de São Paulo. A pesquisa Datafolha decerto contribuiu para essa decisão, já que o petista mostrou ter acumulado algum capital eleitoral.
No pleito paulista, os demais nomes testados na pesquisa têm desempenho inferior ao do petista no primeiro turno. Quem mais se aproxima dele é o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), com 26% das intenções de voto âem um quadro sem Haddad e no qual TarcÃsio chega a 46%.
Nas simulações de segundo turno, o governador de São Paulo mantém a folga e derrotaria qualquer oponente com pelo menos 11 pontos de dianteira.
Convém lembrar que os postulantes não estão definidos e que os humores do eleitorado podem mudar, mas, ao que parece, os jogadores principais começaram a pôr cartas na mesa em São Paulo.