Resumo objetivo:
A pesquisa Datafolha revela que a televisão (58%) e as redes sociais (54%) são as principais fontes de informação política dos brasileiros. No entanto, há uma clara divisão entre eleitores: os apoiadores de Lula priorizam a TV, enquanto os eleitores de Bolsonaro e Flávio Bolsonaro se informam predominantemente por redes sociais e outras plataformas digitais. O contexto da notícia menciona que o TSE aprovou novas regras para redes sociais nas eleições, incluindo a proibição de conteúdo com IA no período eleitoral.
Principais tópicos abordados:
1. Hábitos de consumo de informação política no Brasil, com destaque para TV e redes sociais.
2. Divisão nas preferências de acordo com o perfil do eleitor, contrastando o público lulista (mais ligado à TV) e o bolsonarista (mais digital).
3. Contexto regulatório e político, citando investigações sobre desinformação e novas normas do TSE para plataformas digitais nas eleições.
A maioria dos brasileiros se informa sobre polÃtica e eleições por programas jornalÃsticos na televisão e por redes sociais como Facebook, Instagram e X (ex-Twitter), segundo pesquisa Datafolha.
Do total dos entrevistados, 58% dizem recorrer à TV para se informar sobre o tema, e 54% mencionam as redes sociais. Em seguida aparecem sites de notÃcias (26%), conversas com amigos e parentes (21%) e canais no YouTube (21%). Podcasts, programas jornalÃsticos no rádio e jornais impressos ou online empatam com 14% cada. O WhatsApp ou Telegram é citado por 10% dos entrevistados. Apenas 3% afirmam não recorrer a nenhum meio para se informar sobre polÃtica.
O Datafolha entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais da última terça (3) até quinta (5), em 137 municÃpios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nÃvel de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-03715/2026.
Na análise por voto declarado no segundo turno de 2022, o padrão sobre meios de informação se inverte entre eleitores do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A televisão é o meio predominante entre lulistas, citada por 66% do grupo â8 pontos percentuais acima da média geral. As redes sociais aparecem em segundo lugar, com 47%. YouTube e WhatsApp ou Telegram são mencionados por 16% e 8%, respectivamente.
Já entre os que votaram em Bolsonaro, as redes sociais lideram, com menções de 61% do grupo, enquanto a TV aparece em segundo, com 53%. O YouTube é citado por 28%, 12 pontos acima do que entre eleitores de Lula, e o WhatsApp ou Telegram é mencionado por 15%. Os dados sugerem maneiras de se informar distintas entre os dois campos, com o eleitorado bolsonarista mais concentrado em plataformas digitais, fora do alcance da mÃdia tradicional.
Padrão semelhante aparece entre os eleitores que declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente nas eleições de 2026. Nesse grupo, 63% mencionam as redes sociais como principal fonte de informação polÃtica, e 50% citam a TV. YouTube e WhatsApp ou Telegram também aparecem com 28% e 15%, respectivamente, Ãndices próximos aos registrados entre os eleitores de seu pai no pleito anterior.
Ou seja, enquanto a base lulista permanece mais ancorada na televisão, o eleitorado ligado ao bolsonarismo segue mais disperso por plataformas digitais, ambiente em que o controle editorial é menor e a circulação de desinformação, historicamente, é maior.
O uso das redes sociais para fins polÃticos foi um dos pontos-chave do inquérito das milÃcias digitais, que deu origem à investigação sobre o plano golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro âcondenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.
No inÃcio do mês, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou novas normas que preveem mais obrigações para as plataformas de redes sociais nas eleições deste ano.
Agora, elas precisarão, por exemplo, apresentar mais relatórios sobre as medidas que estiverem tomando no contexto dos riscos eleitorais, chamados de planos de conformidade. O tribunal também proibiu o uso de conteúdo gerado ou manipulado por IA nas 72 horas anteriores até as 24 horas depois do dia de votação.