Resumo objetivo:
O preço da passagem de ônibus em Londrina subiu para R$ 6,25, tornando-a a segunda tarifa mais cara do Brasil. O aumento foi justificado pelas empresas e pela CMTU com base no INPC e na compra de ônibus novos com ar-condicionado, mas usuários relatam que os serviços permanecem ineficientes, com longos tempos de deslocamento e condições precárias em parte da frota. Trabalhadores e estudantes, especialmente os que dependem de integração, são os mais afetados pelo custo e pela má qualidade do transporte.
Principais tópicos abordados:
1. Aumento e alto custo da tarifa de ônibus em Londrina.
2. Críticas às justificativas oficiais para o reajuste (INPC e renovação da frota).
3. Relatos de usuários sobre a ineficiência, desconforto e impacto financeiro do transporte, principalmente para estudantes trabalhadores.
4. Questionamento da transparência dos dados das empresas e menção à mobilização por Tarifa Zero.
Enquanto empresas de transporte de Londrina mascaram dados, trabalhadores e estudantes começaram a pagar R$ 6,25 para se locomover dentro da cidade. Trabalhadores são os mais afetados pela política entreguista e neoliberal de Tiago Amaral (PSD).
Juno Devergenes | Redação PR
TRABALHADOR UNIDO – Londrina é a segunda maior cidade do Paraná, com 555.965 habitantes (IBGE). No entanto, é a segunda cidade mais cara do Brasil inteiro para andar de ônibus. Em janeiro deste ano, a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) apresentou seu reajuste de R$ 11,84 para R$ 11,86) e a Londrisul, de R$ 10,22 para R$ 10,85, dos quais R$6,25 são pagos na passagem e o restante é pago por meio de impostos da Prefeitura. A CMTU foi conivente com o aumento usando o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a compra de carros como justificativa.
“Nós estamos falando de praticamente 102 carros novos, uma frota em que você tem mais de 55% de ônibus que atende a população de Londrina com ar-condicionado, com carregador de celular, levando esse conforto”, disse Bianchi, presidente da CMTU.
Essa justificativa é estranha para os usuários mais frequentes dos ônibus. Os carros que andam ao centro da cidade até são seguros e limpos (não se pode dizer o mesmo da periferia), mas a ineficiência das frotas tira até 4 horas do dia de quem precisa trabalhar e estudar.
Estudantes trabalhadores sofrem mais
Os estudantes, desde 2018, precisam pagar metade do valor da tarifa, como relata Mariana Sousa, que estudou Direito na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e hoje trabalha em dois empregos para pagar as contas. Ela pega ônibus desde que se mudou para Londrina em 2016 para estudar. Sempre vim e voltei da faculdade de ônibus, só que naquela época, a gente não pagava a tarifa. Aí depois começou com uma palhaçada que o estudante deveria pagar, e aí começamos a pagar meia, mas até aí tudo bem, era meia que a gente pagava”, relata.
Depois que começou o mestrado, tudo ficou mais difícil porque ela se mudou para mais longe e aí precisa fazer integração. “Preciso pegar dois ônibus e aí começa a ficar pior porque cansa mais e eu tô achando muito absurdo pagar, eu já achava absurdo pagar cinco e pouco, agora é R$ 6,25! Fora que o ônibus não tem melhoria nenhuma, muitas vezes o ônibus tá fedorento, tá impedido, tá lotado, não tem lugar pra sentar, eu acho isso um absurdo, tem ônibus que tem ar-condicionado, mas tem ônibus que não tem…Fora quando o motorista passa nos pontos correndo, é um absurdo, é muito caro pagar R$ 6,25 em uma tarifa, sabe?”
Os estudantes universitários que precisam trabalhar são os que mais sofrem com a ineficiência do transporte, encarando três turnos de trabalho e perdendo seu tempo de descanso nos carros “confortáveis, com ar-condicionado e carregador de celular”.
Bruna Medeiros, estudante de Serviço Social da UEL, pega cinco ônibus por dia para ir ao trabalho, ao estágio, à faculdade e retornar para casa. “É difícil porque às vezes não tem quantidade de ônibus suficiente, parece. Então demora muito para chegar o ônibus”, denuncia. Ela também relata que nem sempre os ônibus têm ar condicionado “como estão falando que sempre tem”. Ela também conta que mesmo com o meio passe, a tarifa acaba saindo cara. “Quando estava R$ 5,25 já era caro, então agora vai ficar pior ainda. Eu e minhas amigas comentamos sobre isso. Todo mundo ficou meio preocupado com a situação, porque às vezes tem gente que não consegue ir para a faculdade no final do mês, que está sem passe já”, diz.
Povo nas ruas, pela Tarifa Zero em Londrina
Apesar da desculpa esfarrapada para justificar o valor exorbitante da passagem, os dados da planilha de custos de ambas as empresas mostram que a aquisição de novos veículos não é a maior fonte de gastos. A CMTU, até a data em que este artigo foi escrito, só disponibilizou a planilha de custos de 2024, que não apresenta notas fiscais, e possui diversas anomalias contábeis.
Fontes: TCGrandeLondrina, CMTU Londrina, CBN Londrina, G1 Globo, Bonde, Jornal A Verdade e Portal Londrina.
Tais dados demonstram que, de 2023 para 2025, o valor da tarifa técnica quase dobra, indicando que, ou houveram aumentos nos custos, ou a eficiência piorou. No entanto, a compra de 102 novos veículos foi realizada entre 2025 e 2026, quando o aumento foi menor. Na planilha de custos de 2024, além da diferença de 30 centavos por litro de diesel entre uma empresa e outra, o pneu da Londrisul é R$ 815 mais barato (45,55%), e a recapagem é de R$ 140 menos custosa (315,38%). Além disso, ambas empresas pagam o mesmo salário para os motoristas (R$ 3.405,65), mas a equipe administrativa apresenta custos discrepantes: enquanto a diretoria da TCGL apresentou um custo de R$ 35.243,96 por mês, a diretoria da Londrisul registrou R$ 7.776,89 por mês. As despesas administrativas por veículo também são divergentes: a TCGL, R$ 2.095,68 e a Londrisul, R$ 1.178,82. O custo fixo total por quilômetro da TGCL foi de R$ 4,1996, enquanto na Londrisul foi de R$ 3,0332.
Por fim, a TCGL registrou o maior número de passageiros por km rodado (12%), o que reduziriam os custos, mas sua tarifa técnica é 9,3% mais cara. Se a TCGL operasse com a mesma estrutura de custos unitários de pneus, diesel e administração da Londrisul, sua tarifa técnica deveria ser substancialmente menor que R$ 10,00 devido ao seu IPKe (Índice de Passageiros Equivalentes por Quilômetro) superior.
Após perceber tais inconsistências, a CMTU pediu uma auditoria, que não foi realizada pois a empresa que o prefeito fascista José Tiago Camargo do Amaral contratou (LG Mobilidade Urbana) foi investigada pela Polícia Civil por suspeitas de fraude e simulação de concorrência, e duas das três empresas que apresentaram orçamentos para balizar o preço da prefeitura pertenciam ao mesmo grupo familiar. Além disso, um servidor da CMTU estaria envolvido no direcionamento do contrato.
Quem é leitor do Jornal A Verdade já sabe o que esses números estranhos mostram: o uso da máquina pública e das empresas privadas para tirar dinheiro do povo trabalhador. A população sabe muito bem que o valor da tarifa é injustificável, que ano que vem vão inventar mais alguma desculpa para aumentar mais ainda, e o problema continuará existindo.
Por isso, a Unidade Popular, juntamente com a Frente Classista Combativa de Londrina, iniciou uma jornada de ações pela Tarifa Zero na cidade, com atos públicos, brigadas do Jornal a Verdade e panfletagens nos terminais centrais e regionais, reivindicando a TARIFA ZERO e a estatização do transporte público. Duas mídias da imprensa burguesa fizeram a cobertura do ato do dia 30 de janeiro, mas nenhuma delas publicou uma matéria sequer.
Enquanto o trabalhador percebe que tais problemas jamais serão resolvidos pela gestão da prefeitura e pelos políticos da burguesia, a UP está presente para apresentar a única solução possível: A organização da nossa classe e a construção de uma sociedade nova, sem fraudes insustentáveis, a sociedade Socialista com a ditadura do Proletariado.