Resumo objetivo:
Em fevereiro, 70% das famílias de São Paulo estavam endividadas, um aumento influenciado pelas despesas de início de ano, como IPTU e material escolar. A inadimplência também subiu moderadamente, atingindo 20,4% das famílias, com o cartão de crédito sendo a principal fonte de dívidas. Apesar do cenário, a FecomercioSP avalia que o contexto econômico ainda é favorável, atribuindo a alta a fatores sazonais.
Principais tópicos abordados:
1. Aumento do endividamento e da inadimplência das famílias paulistanas.
2. Impacto das despesas sazonais (como IPTU e material escolar) no orçamento doméstico.
3. Perfil das dívidas, com destaque para o cartão de crédito como principal fonte.
4. Análise por faixa de renda e a relação entre crédito, emprego e condições econômicas.
Impulsionadas pelos gastos de fim de ano e a longa lista de despesas de janeiro, 3,1 milhões de famÃlias paulistanas iniciaram o mês de fevereiro com algum tipo de dÃvida, segundo levantamento de endividamento e inadimplência da FecomercioSP. O valor equivale a 70% das famÃlias na capital.
O Ãndice voltou a subir após fechar o ano com três quedas consecutivas e registrar, em janeiro, 68,9% âo menor patamar em quase 1 ano.
Para a FecomercioSP, o aumento do endividamento pode ser considerado natural diante das contas tÃpicas do inÃcio do ano (como IPTU, IPVA e material escolar) que alteram a dinâmica de consumo das famÃlias na capital de São Paulo.
"à possÃvel que alguns lares tenham enfrentado dificuldades pontuais na organização do orçamento doméstico, já que não se trata de uma alta expressiva", diz a FecomercioSP em nota.
Entre as faixas salariais, o público com maior comprometimento está entre as famÃlias com até dez salários mÃnimos, que subiu de 72,8%, em janeiro, para 73,5%, em fevereiro. Nas famÃlias que recebem mais de dez salários, o Ãndice saiu de 57,6% para 59,8% no mês passado.
O cartão de crédito segue sendo o principal vilão das despesas, com 78,7% dos tipos de dÃvidas declaradas. Em seguida estão o financiamento imobiliário (16,6%), crédito pessoal (12,4%) e o financiamento de veÃculos (10,6%).
De acordo com a FecomercioSP, o porcentual da renda comprometida com dÃvidas ficou em 27,2% no mês passado, pouco abaixo dos 27,5% de janeiro. A organização avalia que o maior acesso ao crédito não tem sido utilizado como saÃda emergencial pelas famÃlias paulistanas, mas como complemento natural de renda que segue sustentada pelo emprego.
"Por outro lado, o tempo de comprometimento com dÃvidas permaneceu estável pelo terceiro mês consecutivo, com média de sete meses. Quase um terço das famÃlias está comprometida por até três meses âperÃodo mais caracterÃstico de modalidades como o cartão de créditoâ e pouco mais de um terço por prazo superior a um ano, perfil tÃpico de financiamentos imobiliários e de veÃculos", afirma a federação em nota.
INADIMPLÃNCIA EM ALTA
A inadimplência registrou aumento moderado em fevereiro, chegando a 20,4% das famÃlias (era 19,9% em janeiro), o correspondente a 917 mil famÃlias na cidade de São Paulo.
Quando analisado por faixa de renda, para as famÃlias com renda até dez salários, o aumento foi de 24,6%, em janeiro, para 25,2%, em fevereiro, enquanto no grupo que recebe acima desse patamar a alta foi de 8,4% para 8,6%.
O perfil dessa inadimplência é maior entre aqueles que estão com as contas em atraso por mais de 90 dias, chegando a 53,5% das famÃlias. A FecomercioSP afirma que é preciso atenção com esse tempo médio, uma vez que são dÃvidas mais longas e, em tese, com juros mais elevados e que dificultam sua regularização.
Atualmente, 9% das famÃlias afirmam não ter condições de pagar as dÃvidas em atraso. Entre esse porcentual de famÃlias, 10,8% delas têm intenção de contrair crédito ou financiamento nos próximos três meses.
Apesar do aperto financeiro, 81,2% das famÃlias sem condições de cumprir com suas obrigações e que pretendem contratar crédito querem utilizar o dinheiro para fazer compras e somente 12,6% pretendem pagar dÃvidas.
"As condições econômicas permanecem favoráveis, com inflação mais baixa e mercado de trabalho aquecido, o que sugere que essa expansão da inadimplência seja pontual e sazonal. Assim, forma-se um ambiente relativamente saudável para a contratação e, ao mesmo tempo, para a quitação de dÃvidas", diz a FecomercioSP.
A pesquisa de endividamento e inadimplência ao consumidor é apurada mensalmente pela federação. São entrevistados aproximadamente 2.200 consumidores na capital paulista.