Resumo objetivo:
A autora relata que, durante a pandemia, quase recusou um convite para um debate devido a problemas de saúde, mas foi encorajada por um amigo de 98 anos a participar — decisão que se tornou um marco positivo. Ela também descreve como lida com críticas e arrogância, especialmente em relação ao envelhecimento, adotando estratégias emocionais como o "botão do foda-se" e a frase "vai catar coquinho" para não se abalar com comentários destrutivos.
Principais tópicos abordados:
1. Superação pessoal e encorajamento no contexto do envelhecimento.
2. Críticas e preconceitos enfrentados por idosos ativos e autônomos.
3. Estratégias emocionais para lidar com pessoas arrogantes e preservar o bem-estar.
No inÃcio da pandemia de Covid-19, fui convidada para participar de um debate online sobre envelhecimento, autonomia e felicidade. Minha primeira reação foi dizer não, pois estava muito deprimida e com sérios problemas de saúde.
Como todos os dias, liguei para o meu melhor amigo, Guedes, de 98 anos. Contei que recebi o convite, mas que decidi recusar. Achava que ele iria me apoiar e dizer: "Lógico, Mirian, você está péssima. Precisa cuidar da sua saúde em primeiro lugar".
Ao contrário do que eu esperava, Guedes me deu uma bronca: "Tem que ter coragem, Mirian. Coragem. Você vai, sim!". Eu fui e foi lindo...
Desde então, todas as vezes que recebo um convite e tenho vontade de recusar lembro da bronca carinhosa do Guedes: "Tem que ter coragem, Mirian. Coragem. Você vai, sim!". E eu vou...
Ainda durante a pandemia, contei para Irene, minha amiga desde os meus 16 anos, que uma das pessoas mais arrogantes que eu conheço me disse em um debate público: "Seus velhinhos são uma minoria insignificante. à impossÃvel existir pessoas de mais de 90 anos tão lúcidas, ativas e autônomas. Você deveria estudar temas mais importantes, como os velhos miseráveis, inválidos e abandonados pela famÃlia".
Irene me disse que, em vez de ter ficado tão triste com a agressão, eu poderia ter respondido: "Sabe que você tem toda razão? Meus velhinhos não existem. Muito obrigada pela sua crÃtica tão brilhante. Eu realmente deveria pesquisar os temas que você acha mais importantes. Afinal, todo mundo sabe que você entende muito mais de envelhecimento, autonomia e felicidade do que eu, não é mesmo?"
Infelizmente, não sou ataráxica nem tenho "sangue de barata" para ignorar ou dar risada dessas pessoas tão prepotentes.
No entanto, aprendi que não é nada pessoal. Elas fazem exatamente o mesmo com todos que consideram um obstáculo ou um adversário, com aqueles que podem ameaçar a sua autoproclamada autoridade e superioridade intelectual. São competitivas ao extremo e precisam, o tempo todo, destruir qualquer um que considerem uma ameaça ao seu poder.
Em um grupo de discussão que fiz com mulheres de mais de 50 anos, uma psicóloga me mostrou um botãozinho tatuado no pulso esquerdo. Era o seu botão da libertação grisalha: o botão do foda-se! E contou que quando uma pessoa arrogante faz algum comentário destrutivo ela simplesmente sorri e aperta o botão, sem dizer mais nada.
"Esse tipo de gente invejosa, mesquinha e medÃocre existe em todos os lugares, não só no trabalho, mas até mesmo nas nossas famÃlias. Em vez de reagir, brigar ou gritar, deixo a invejosa falando sozinha e vou embora. Não vale a pena gastar meus neurônios para tentar argumentar ou me defender. Não bato palmas nem dou palco para pessoas desprezÃveis."
Recentemente, minha melhor amiga, Thais, de 100 anos, me deu um conselho excelente para não me afetar com pessoas presunçosas que sentem um prazer sádico em ofender e debochar dos outros.
"Mirian, não dá bola para elas. à só dizer: âvai catar coquinho e me deixa em paz, por favorâ."
Ainda não tatuei o meu botão de libertação, mas meu marido me deu de presente uma caneta azul especial para desenhar um botãozinho no meu pulso esquerdo.
Agora, quando sou obrigada a conviver com essas pessoas insuportáveis, simplesmente aperto o meu botãozinho azul e penso: "vai catar coquinho e me deixe em paz, por favor".
Sabe que o meu botão está funcionando maravilhosamente?