Resumo objetivo:
A CIA, com aval do governo Trump, planeja armar grupos curdos iranianos para fomentar uma revolta popular e desestabilizar o regime do Irã, utilizando o Curdistão iraquiano como base de apoio logístico. A operação conta com a coordenação de forças de oposição curdas e prevê apoio militar dos EUA e de Israel, incluindo ataques para preparar o terreno. No entanto, avaliações de inteligência dos EUA indicam ceticismo sobre a capacidade atual desses grupos para sustentar uma rebelião bem-sucedida.
Principais tópicos abordados:
1. O plano dos EUA (via CIA) de armar grupos curdos para instigar uma revolta no Irã.
2. A cooperação militar e logística envolvendo EUA, Israel, curdos iraquianos e grupos de oposição iraniana.
3. As dúvidas e desafios do plano, incluindo a capacidade limitada dos curdos iranianos e o histórico de desconfiança na aliança.
CIA planeja armar curdos para fomentar revolta contra o Irã, diz CNN
Segundo emissora, governo Trump mantém conversas ativas com grupos da oposição iraniana e líderes curdos no Iraque sobre fornecimento de apoio militar
A CIA está trabalhando para armar forças curdas com o objetivo de fomentar uma revolta popular no Irã – mais uma tentativa de desestabilização na região. Segundo fontes anônimas familiarizadas com o assunto, o governo Trump tem mantido conversas ativas com grupos da oposição iraniana e líderes curdos no Iraque sobre o fornecimento de apoio militar.
O presidente Donald Trump teria conversado nesta terça-feira (03/03) com o líder do Partido Democrático do Curdistão Iraniano (KDPI), Mustafa Hijri, segundo um alto funcionário curdo. O KDPI foi um dos grupos alvejados em ataques da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Forças da oposição curda iraniana devem participar de uma operação terrestre no oeste do Irã nos próximos dias, disse à CNN um alto funcionário curdo. “Acreditamos que agora temos uma grande chance”, afirmou a fonte, explicando o momento da operação. Ele acrescentou que as milícias esperam apoio dos EUA e de Israel.
No domingo (01/03), Trump também telefonou para líderes curdos iraquianos para discutir a operação militar dos EUA no Irã e como os dois lados poderiam trabalhar juntos, segundo dois funcionários americanos e uma terceira fonte ouvidas pelo Axios.
Qualquer tentativa de armar grupos curdos iranianos dependeria do apoio dos curdos iraquianos para permitir o trânsito das armas e o uso do Curdistão iraquiano como base de lançamento.
Outra fonte afirmou que a ideia seria as forças curdas enfrentarem as forças de segurança iranianas, imobilizando-as para facilitar a saída de iranianos desarmados às ruas, “sem serem massacrados novamente, como aconteceu durante os distúrbios de janeiro“.
Uma fonte dos EUA afirmou à CNN que os curdos poderiam contribuir para “semear o caos na região” e sobrecarregar os recursos militares do Irã. Outra ideia é que os curdos tomem e mantenham território no norte do Irã, criando uma zona tampão para Israel.
Nos últimos dias, forças israelenses têm atacado postos militares e policiais iranianos ao longo da fronteira com o Iraque, em parte para preparar o terreno para um possível avanço de forças curdas armadas no noroeste do Irã, disse uma fonte. Uma fonte israelense afirmou que esses ataques devem se intensificar nos próximos dias.
Ainda assim, qualquer apoio dos EUA e de Israel a uma força terrestre curda para derrubar o regime iraniano precisaria ser substancial, acrescentaram pessoas familiarizadas com o assunto.
Avaliações da inteligência americana indicam consistentemente que os curdos iranianos não têm atualmente influência ou recursos para sustentar uma revolta bem-sucedida. Além disso, os partidos curdos buscam garantias políticas de Washington antes de se comprometerem com qualquer esforço de resistência.
Histórico da aliança EUA-curdos e desconfianças do passado
O povo curdo é um grupo étnico minoritário sem Estado oficial. Estima-se que haja entre 25 e 30 milhões de curdos, a maioria vivendo em uma região que abrange partes da Turquia, Iraque, Irã, Síria e Armênia.
Funcionários do governo Trump alertaram em privado sobre a desilusão das forças curdas com os EUA no passado, e suas frequentes queixas de se sentirem abandonadas por Washington – um padrão de alianças utilitárias e descartáveis.
A CIA tem um longo histórico de trabalho com facções curdas iraquianas, que remonta a décadas. A agência mantém atualmente um posto avançado no Curdistão iraquiano, perto da fronteira com o Irã, segundo duas pessoas familiarizadas.
Os EUA também possuem um consulado em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, e tropas americanas e da coalizão estão baseadas lá como parte da campanha contra o Estado Islâmico.
Alguns curdos esperavam que, em troca da cooperação, a região semiautônoma do Curdistão iraquiano conquistasse sua independência – o que nunca se concretizou.
Nos últimos anos, os EUA também se apoiaram fortemente nas forças curdas no combate ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria, incluindo a responsabilidade de guardar milhares de detentos em campos improvisados no norte do país.
No entanto, no início deste ano, o novo governo sírio, alinhado aos EUA, lançou uma campanha militar para assumir o controle do norte do país, que incluiu ataques contra o Estado Islâmico e a expulsão das Forças Democráticas Sírias (FDS), controladas pelos curdos. Diante disso, as forças curdas deixaram o país e abandonaram a guarda das prisões quando as forças de Washington se retiraram.
Em janeiro, o enviado especial dos EUA para a Síria, Tom Barrack, afirmou que o propósito da aliança com as FDS havia “praticamente expirado”.