Resumo objetivo:
O TikTok destaca que conteúdos educacionais em redes sociais estão se tornando uma ferramenta de estudo complementar, com 41,5% dos usuários brasileiros pesquisados afirmando usar a plataforma para se preparar para provas. No entanto, especialistas alertam que esse formato rápido não substitui a profundidade e o esforço do aprendizado tradicional, podendo gerar uma falsa sensação de preparo se usado sem acompanhamento adequado.
Principais tópicos abordados:
1. A popularização do uso do TikTok e de redes sociais para estudos complementares.
2. Os riscos do consumo passivo de conteúdo educativo rápido, que não substitui a construção de repertório e raciocínio.
3. O papel das redes como ferramenta de apoio e revisão, desde que mediada por professores e sem substituir a educação formal.
Depois de destacar em suas campanhas os influenciadores que, em meio a tantos vÃdeos de entretenimento, usam a plataforma para ensinar, o TikTok também quer mostrar que conteúdos educacionais nas redes sociais vêm ganhando espaço na rotina de estudos.
Segundo a empresa, em levantamento realizado pelo TikTok com 91.101 usuários brasileiros maiores de 18 anos, 41,5% âcerca de 4 em cada 10â responderam já ter recorrido a vÃdeos na plataforma como forma de se preparar para provas escolares, vestibulares ou concursos públicos.
Gustavo Rodrigues, lÃder de polÃticas públicas para segurança do TikTok no Brasil, afirma que esse comportamento está relacionado tanto à busca ativa por preparação quanto à aparição desses conteúdos na linha do tempo dos usuários.
Ainda de acordo com a consulta, realizada em novembro de 2025, 45% dos participantes que responderam à pergunta indicaram consumir vÃdeos educacionais diariamente, enquanto 13% disseram acessar o aplicativo ao menos uma vez por semana com esse objetivo.
Apesar das iniciativas como a campanha #AprendaNoTikTok e o "aulão do Enem", Rodrigues ressalta que o papel da plataforma é complementar ao ensino tradicional. "O papel e a figura do professor enquanto esse mediador, dentro da plataforma ou na sala de aula, continua sendo indispensável."
Especialistas em educação alertam que o uso de redes sociais para os estudos apresenta riscos se não houver acompanhamento adequado.
"à preciso ter muito cuidado para não cair na armadilha da passividade. O aprendizado real exige esforço, erro e repetição", afirma Natália Melo, orientadora educacional do Poliedro Curso.
Ela ressalta a falsa sensação de preparo que o consumo de vÃdeos gera em relação aos estudos. Assistir a um vÃdeo de 60 segundos sobre a Revolução Francesa traz uma satisfação imediata de entendimento, mas isso não substitui a construção de repertório e a capacidade analÃtica necessária para uma redação, por exemplo.
Renato Júdice de Andrade, professor e diretor de sucesso do cliente do COC, opina que as redes sociais podem ser um apoio nas revisões, mas ressalta que a facilidade não pode ser confundida com profundidade.
"O principal risco é que o conteúdo rápido seja encarado como um 'atalho' para respostas prontas, o que pode enfraquecer o processo de aprendizagem e reduzir a responsabilidade intelectual do estudante", afirma Andrade.
Para o professor, a educação é um processo de construção de autonomia que as redes sociais, sozinhas, não sustentam. "A tecnologia deve apoiar o pensamento, mas nunca substituir a nossa responsabilidade intelectual. O risco é criarmos uma geração que sabe onde encontrar a resposta, mas não sabe como chegar nela por meio do raciocÃnio lógico."
Samuel Nepomuceno, professor de história e criador de conteúdo na plataforma, afirma que as redes sociais podem funcionar como aliadas do processo educacional, sem substituir o ambiente formal de ensino.
"Os professores, tanto de história, de matemática, de fÃsica, podem atuar nas redes sociais para ser um ambiente para compartilhar insights, resumos e ser esse parceiro nas horas dos estudos, já que o professor que está em sala de aula não pode acompanhar o estudante 24 horas por dia", afirma Nepomuceno.
De acordo com o levantamento, as áreas mais procuradas coincidem com disciplinas apontadas como mais difÃceis entre os estudantes, como português e redação (48%), matemática (47%), história (37%) e lÃnguas estrangeiras (34%).
Gabi Mello, professora de matemática e também criadora de conteúdo nas redes sociais, conta que começou a gravar na pandemia e enxerga os vÃdeos como um meio de ajudar os estudantes em uma matéria que é considerada complicada.
"As pessoas já têm aquele conhecimento guardado e ali tiram uma ideia, um pensamento que estava guardado em algum lugar e conseguem destravar para finalmente entender", explica a professora.
Nepomuceno ressalta que, para o formato funcionar, o aluno não pode ser apenas um espectador. "A partir do momento em que eu publico o vÃdeo, a responsabilidade passa a ser do aluno. Se o estudante quer realmente aprender, ele vai buscar fazer as suas anotações e buscar um complemento necessário sobre o tema", orienta.