Resumo objetivo:
O preço do petróleo caiu drasticamente após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sugerindo que o conflito com o Irã poderia terminar em breve, aliviando temores sobre o fornecimento global. A queda ocorreu um dia após o petróleo atingir seu maior valor desde 2022, com o barril Brent chegando a recuar mais de 10%. O mercado reagiu à perspectiva de normalização no transporte pelo Estreito de Hormuz e a possíveis medidas para conter preços, como alívio de sanções à Rússia e uso de reservas estratégicas.
Principais tópicos abordados:
1. Queda acentuada nos preços do petróleo (Brent e WTI).
2. Declarações de Trump sobre um possível fim breve do conflito com o Irã.
3. Impacto no fornecimento global pelo Estreito de Hormuz.
4. Medidas potenciais para conter preços, como flexibilização de sanções e uso de reservas.
5. Reação dos mercados financeiros, com alta em bolsas mundiais.
O preço do petróleo despencou nesta terça-feira (10) com os investidores menos tensos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra no Irã pode terminar em breve. A situação poderia normalizar o transporte marÃtimo, já que os navios-petroleiros não estão conseguindo passar pelo estreito de Hormuz, que fica ao lado da costa iraniana e por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A declaração de Trump foi vista pelo mercado como um alÃvio em meio à s preocupações sobre as reservas de petróleo. O fim do conflito também permitiria que paÃses como Arábia Saudita, Emirados Ãrabes Unidos e Qatar retomassem a produção paralisada.
O barril Brent, referência mundial, chegou a desabar mais de 10% durante a sessão desta terça, cotado a US$ 88,10 (R$ 455,08). Ãs 8h20 (horário de BrasÃlia), o contrato de maio era vendido a US$ 91,30, queda de 7,72% em relação ao fechamento no dia anterior.
A redução no preço ocorre um dia após o petróleo superar o seu maior valor desde julho de 2022, quando bateu US$ 119,46 durante a sessão de segunda-feira (9).
O petróleo WTI (West Texas Intermediate) também está em forte queda na terça, sendo vendido a US$ 87,92 (R$ 454,15), uma desvalorização de 7,23% em relação a segunda-feira, quando chegou a atingir US$ 119,43, também o maior valor em quase quatro anos.
Trump disse em entrevista na segunda-feira que achava que a guerra contra o Irã estava "praticamente encerrada" e que Washington estava "muito à frente" de seu prazo inicial estimado em quatro a cinco semanas.
"Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada para o lado positivo ontem, achamos que há uma reação exagerada para o lado negativo hoje", avalia Suvro Sarkar, lÃder da equipe do setor de energia do DBS Bank, acrescentando que o mercado estava subestimando os riscos nesses nÃveis para o Brent.
"Os tipos Murban e Dubai ainda estão bem acima de US$ 100 por barril, portanto, praticamente nada mudou em termos de realidades básicas", diz Sarkat, em relação aos tipos de petróleo de referência do Oriente Médio.
Em resposta a Trump, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã afirmou que "determinaria o fim da guerra" e que Teerã não permitiria que "um litro de petróleo" fosse exportado da região se os ataques dos EUA e de Israel continuassem, afirmou a mÃdia estatal nesta terça, citando o porta-voz das forças armadas iranianas.
Os preços, no entanto, permanecem sob pressão enquanto Trump considera a possibilidade de aliviar as sanções contra a Rússia e liberar estoques emergenciais de petróleo bruto como parte de um pacote de opções destinadas a conter a alta dos preços globais do petróleo, de acordo com várias fontes.
"As discussões em torno da flexibilização das sanções contra o petróleo russo, os comentários de Donald Trump sugerindo que o conflito poderia eventualmente diminuir e a possibilidade de os paÃses do G7 utilizarem as reservas estratégicas de petróleo apontaram para a mesma mensagem âque os barris de petróleo continuarão de alguma forma a chegar ao mercado", afirma Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
PaÃses do G7 disseram na segunda-feira que estavam preparados para implementar "medidas necessárias" em resposta ao aumento dos preços globais do petróleo, mas não chegaram a se comprometer com a liberação de reservas de emergência.
BOLSAS, OURO E BITCOIN SOBEM
As declarações de Trump também levaram os investidores a voltar a apostar em ativos de risco, o que resultou na subida das principais Bolsas pelo mundo nesta terça. Os Ãndices da Europa saltaram mais de 2%, enquanto os maiores mercados asiáticos valorizaram até 5,35%, como foi o caso de Seul.
As Bolsas da China subiram 1,28% no Ãndice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, e 0,65% no Ãndice SSEC, em Xangai. O Nikkei, em Tóquio, ganhou 2,88% nesta terça.
Na Europa, o Euro STOXX 600, referência na União Europeia, estava em alta de 2,44% à s 8h30 (de BrasÃlia), refletindo o que também ocorria em Frankfurt (2,45%), Londres (1,66%), Paris (1,89%), Madri (2,59%) e Milão (2,55%).
As Bolsas dos EUA também subiam nesta manhã, antes da abertura do mercado. A Nasdaq valorizava 0,54%, a Down Jones ganhava 0,44%, mesmo patamar registrado na S&P 500.
O ouro era outro investimento que subia nesta terça, sendo vendido a US$ 5.192,34 (R$ 26,82 mil), alta de 1,7%, enquanto o bitcoin saltava 2,48%, a US$ 70,89 mil (R$ 366,18 mil)