Resumo objetivo:
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, condenou a escalada militar dos EUA e Israel contra o Irã, resumindo a posição da Espanha em "não à guerra". Ele criticou a falta de objetivos claros no conflito, alertou contra violações do direito internacional e citou a Guerra do Iraque como exemplo de intervenção que gerou mais terrorismo e crises migratórias. Sánchez defendeu uma solução diplomática e rejeitou o uso de conflitos para desviar a atenção de fracassos domésticos.
Principais tópicos abordados:
1. Condenação da escalada militar EUA-Israel contra o Irã e defesa de uma solução diplomática.
2. Crítica à falta de clareza nos objetivos do conflito e aos riscos de violar o direito internacional.
3. Paralelo com os erros da Guerra do Iraque, destacando consequências negativas como aumento do terrorismo e da crise migratória.
4. Reação às ameaças comerciais de Donald Trump contra a Espanha e alinhamento tácito com a posição crítica da China.
'Não à guerra': premiê espanhol condena escalada no Irã
Pedro Sánchez criticou a falta de objetivos no conflito e lembrou que invasão do Iraque, justificada com mentiras: 'só trouxe mais terrorismo e crise migratória'
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira (04/03) que a posição do governo espanhol “pode ser resumida em quatro palavras: não à guerra”.
Após analisar a escalada militar dos EUA e Israel contra o Irã nos últimos dias, Sánchez afirmou que “ninguém sabe ao certo o que vai acontecer agora” e que nem mesmo “os objetivos daqueles que lançaram o primeiro ataque estão claros”.
“Não ao desrespeito ao direito internacional que nos protege a todos, especialmente os mais vulneráveis, a população civil’, declarou. Em seguida, completou: “Não à ideia de que o mundo só pode resolver seus problemas por meio de conflitos e bombas e, finalmente, não à repetição dos erros do passado”.
Sánchez relembrou a Guerra do Iraque, na qual a Espanha foi “arrastada” por uma administração norte-americana anterior. Ele afirmou que as justificativas eram eliminar armas de destruição em massa, promover a democracia e garantir a segurança global. “O efeito foi o oposto, desencadeando a maior onda de insegurança que nosso continente sofreu desde a queda do Muro de Berlim“, com aumento drástico do terrorismo jihadista e grave crise migratória – uma autocrítica tardia que expõe as lições não aprendidas pelas potências ocidentais.
Diante da perspectiva de crescente incerteza econômica e da disparada dos preços do gás e do petróleo, o premiê afirmou que “da Espanha, somos contra esse desastre” e considerou “inaceitável” que líderes incapazes de melhorar a vida das pessoas “usem a fumaça da guerra para esconder seu fracasso e, de quebra, encher os bolsos de alguns, os suspeitos de sempre”.
La posición del Gobierno de España ante esta coyuntura es clara y consistente. La misma que hemos mantenido en Ucrania y Gaza.
No a la quiebra de un derecho internacional que nos protege a todos, especialmente a la población civil.
No a asumir que el mundo solo puede… pic.twitter.com/bOUJy4PKK0
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) March 4, 2026
Pedro Sánchez exigiu “a cessação das hostilidades e uma resolução diplomática para esta guerra” para que EUA, Irã e Israel “parem antes que seja tarde demais”. “Não se pode responder a uma ilegalidade com outra, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade”, salientou.
“A Espanha defende os princípios fundadores da União Europeia, a Carta das Nações Unidas, o Direito Internacional e a paz e a coexistência pacífica entre os países”, concluiu o líder espanhol.
Na terça-feira (03/03), Donald Trump ameaçou “cortar todo o comércio com a Espanha” e afirmou que não queria “nada a ver” com o país, em resposta ao que considera o baixo investimento em defesa da Espanha dentro da OTAN. Ele também questionou as restrições impostas por Madri ao uso de suas bases militares pelos EUA para ataques contra o Irã.
Diante desse cenário, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que “os ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã violam o direito internacional, e o comércio não deve ser usado como arma ou instrumento”, em referência às ameaças de Trump contra a Espanha.
Enquanto Trump ameaça aliados históricos, a voz da Espanha se junta à China e a outros países que pedem o fim da escalada – um sinal de que a comunidade internacional começa a se cansar da política de força bruta.