As exportações da China cresceram 21,8% nos dois primeiros meses de 2026, superando amplamente as expectativas e impulsionadas por produtos eletrônicos (como circuitos integrados) e por uma recuperação surpreendente em setores como têxteis. Esse desempenho coloca o país a caminho de superar o recorde de superávit comercial de 2025, embora a guerra no Irã e possíveis choques na energia e no transporte representem riscos futuros. Os principais tópicos abordados são: o forte crescimento das exportações e importações chinesas, os setores que impulsionaram o resultado, os riscos geopolíticos e a antecipação de embarques para os EUA devido a mudanças tarifárias.
A China entrou em 2026 com as exportações bem acima das expectativas, impulsionadas pela demanda de produtos eletrônicos, colocando a economia a caminho de superar o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,19 trilhões) do ano passado âexceto por um choque de energia e transporte decorrente da guerra no Irã.
As remessas, convertidas em dólares, da segunda maior economia do mundo cresceram 21,8% nos dois primeiros meses do ano, muito acima do aumento de 6,6% registrado em dezembro e superando a previsão em pesquisa da Reuters de alta de 7,1%.
"A força das exportações de circuitos integrados e tecnologia é bem esperada, em linha com o boom de investimentos em inteligência artificial", comentou Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.
"O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi surpreendente, dado seu desempenho fraco em 2025 em meio aos desafios do Sudeste Asiático e do Sul da Ãsia", apontou.
O Ãmpeto das exportações da China pode acelerar ainda mais no curto prazo, disse Xu, com os dados de março provavelmente mostrando que as fábricas estão apressando os embarques para os EUA para explorar a suspensão das tarifas pela Suprema Corte e as empresas chinesas voltando a atuar em setores de baixo valor agregado, como o de têxteis.
Economistas dizem que ainda é muito cedo para saber se os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã âe o fechamento do estreito de Hormuz, um ponto de estrangulamento para um quinto do petróleo globalâ prejudicarão os fabricantes nos próximos meses.
A China estocou as principais commodities necessárias para seus fabricantes, incluindo minério de ferro e petróleo bruto, nos dois primeiros meses do ano.
O superávit comercial da China nos dois primeiros meses do ano foi de US$ 213,6 bilhões (R$ 1,1 trilhão), segundo os dados, superando em muito os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo perÃodo do ano passado.
As importações da China aumentaram 19,8% em janeiro-fevereiro, bem acima do ganho de 5,7% em dezembro.