Resumo objetivo:
A Jamaica encerrou um acordo de cooperação médica com Cuba, que mantinha cerca de 300 profissionais de saúde no país, alegando discordâncias sobre os termos legais e trabalhistas do contrato. O governo cubano acusou os Estados Unidos de conduzir uma campanha "perversa" de pressão para que países rompam essas missões, classificadas por autoridades norte-americanas como "trabalho forçado". A decisão jamaicana segue tendência similar em Honduras e Guatemala, causando impacto nos sistemas de saúde locais.
Principais tópicos abordados:
1. Rompimento do acordo médico bilateral entre Jamaica e Cuba.
2. Acusações cubanas de pressão e campanha dos Estados Unidos contra suas missões de saúde.
3. Repercussão regional, com outros países caribenhos revisando ou cancelando acordos similares.
4. Impacto nos sistemas de saúde e medidas de contingência nos países afetados.
Jamaica rompe acordo médico com Cuba sob pressão norte-americana
Havana denuncia campanha contra missões de saúde: ‘algo muito perverso deve motivar os Estados Unidos’, Honduras e Guatemala também cancelaram apoio cubano
O governo da Jamaica encerrou um acordo de décadas com Cuba que permitia a atuação de brigadas médicas no país caribenho. A decisão ocorreu no último dia 5, em meio à crescente pressão dos Estados Unidos contra as missões internacionais de saúde do governo cubano.
Nesta terça-feira (10/03), o Ministério da Saúde e Bem-Estar jamaicano apelou pela paciência e cooperação da população, anunciando que implementará medidas de contingência frente a saída dos quase 300 profissionais que estão no país.
O ministro da Saúde, Christopher Tufton, disse que foram feitas propostas, por meio do embaixador cubano, para a criação de contratos diretos com profissionais que desejam permanecer na Jamaica. “Não vemos o término como uma decisão de descontinuar a relação. Trata-se, na verdade, do formato dessa relação”, afirmou.
“Nos próximos dias e semanas, enquanto avaliamos o nível de adesão à oferta, começamos a implementar medidas alternativas para lidar com as lacunas existentes”, anunciou.
Ruptura do acordo
Ao romper o contrato, o Ministério das Relações Exteriores da Jamaica alegou que os dois países não conseguiram concordar sobre “os termos e condições de um novo acordo de cooperação técnica”. A chancelaria jamaicana alega problemas legais e trabalhistas e o fato de os serviços médicos serem feitos diretamente ao governo cubano.
“Dadas as nossas obrigações legais, o nosso dever de garantir justiça aos trabalhadores na Jamaica e a necessidade de cumprir as nossas próprias leis e convenções internacionais, o governo concluiu, em última instância, que a continuação nos termos existentes era insustentável”, afirmou, em comunicado.
Após a decisão, o governo cubano reagiu. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, acusou os Estados Unidos de prejudicar populações que dependem dos serviços de saúde prestados por médicos cubanos.
“Algo muito perverso deve motivar o governo dos EUA quando, em nome da punição coletiva contra o povo de Cuba, pressiona governos soberanos a privarem suas próprias populações de serviços de saúde de qualidade”, escreveu o diplomata nas redes sociais.
Pressão de Washington
A pressão é liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que acusa o programa cubano de constituir “trabalho forçado” e “uma forma de tráfico humano”, pressionando governos a encerrarem os acordos.
Em Honduras, mais de 150 médicos cubanos deixaram o país após o cancelamento do acordo de cooperação médica com Cuba. A Guatemala também anunciou, em fevereiro de 2026, a retirada gradual da brigada médica cubana. Bahamas, Dominica e Antígua afirmaram que irão revisar ou reestruturar seus acordos com a ilha.
No ano passado, líderes caribenhos reuniram-se com autoridades norte-americanas, após Washington ameaçar restringir vistos para os envolvidos nos programas. Os primeiros-ministros de Trinidad e Tobago e de São Vicente e Granadinas disseram que renunciariam a seus vistos, sem hesitação, para manter a cooperação médica com Cuba.
Nesta terça-feira (09/10) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar a situação de Cuba . Em coletiva de imprensa, na Flórida, ele afirmou que Cuba enfrenta “problemas humanitários profundos” e disse que Marco Rubio “está tratando disso e pode ser uma aquisição amigável, pode não ser uma aquisição amigável”.
O governo cubano nega a existência de qualquer negociação de alto nível com a Casa Branca.