Resumo objetivo:
O presidente Lula cancelou sua ida à posse do novo presidente chileno de direita, José Antonio Kast, sem que os motivos tenham sido oficialmente esclarecidos pelo governo brasileiro. A presença havia sido solicitada por Kast e seria um gesto de pragmatismo nas relações bilaterais, contrastando com a ausência de Lula na posse do argentino Javier Milei.
Principais tópicos abordados:
1. O cancelamento da viagem de Lula à posse do presidente chileno.
2. A ausência de explicação oficial para a decisão.
3. O contexto das relações diplomáticas pragmáticas com líderes de direita na América Latina.
4. O perfil político de Kast e a transição no Chile.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou a ida para a posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, marcada para esta quarta-feira (11). O recuo ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmar a presença ao evento.
A informação foi revelada pelo G1 e confirmada pela Folha por pessoas ligadas ao presidente. A agenda de Lula, divulgada diariamente, não foi publicada até o momento de publicação desta reportagem.
Os motivos para a mudança de planos ainda não foram esclarecidos pelo governo brasileiro, que segue sem manifestação oficial. Na manhã desta terça, Lula recebeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, uma reunião de despachos que já estava prevista antes do cancelamento da viagem.
A previsão era de que Lula fosse ao Chile no fim da tarde desta terça-feira (10) para comparecer à posse e a demais compromissos oficiais na quarta.
A presença do brasileiro seria uma nova sinalização de que a relação com o lÃder da direita chilena deve ser pragmática e contrastar com os atritos com Javier Milei, da Argentina, posse na qual Lula não compareceu, em dezembro de 2023.
Kast é visto como o polÃtico mais à direita a comandar o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90). Com sua posse, o paÃs encerra um perÃodo de quatro anos da liderança esquerdista de Gabriel Boric, aliado de Lula na região.
Além da questão diplomática, Chile e Brasil têm interesses em comum como o fluxo de turistas entre os dois paÃses, a rota bioceânica do paÃs andino, o setor aéreo, entre outros.
A presença de Lula foi requisitada mais de uma vez pelo lÃder chileno, que se encontrou com Lula na última passagem dos dois pelo Panamá, no fim de janeiro deste ano.
Como mostrou a Folha, Lula saiu satisfeito do encontro, segundo pessoas a par da conversa. Na ocasião, ambos os lÃderes reconheceram representar correntes ideológicas distintas, mas defenderam que o relacionamento bilateral seja marcado por pragmatismo.
Esta não é a primeira posse de um lÃder latino de direita a qual Lula não comparece. Antes, o presidente brasileiro não foi aos atos em La Paz (BolÃvia) pelo inÃcio do mandato de Rodrigo Paz, que marcou o fim do domÃnio da esquerda no paÃs vizinho. Na ocasião, o Brasil foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lula chegou a participar da cerimônia de posse de Santiago Peña, presidente de direita do Paraguai.