Resumo objetivo:
A notícia aborda a longa e contraditória relação do Irã com as bebidas alcoólicas, desde sua possível origem na Pérsia Antiga, passando pela celebração poética na Idade Média, até a proibição atual após a Revolução Islâmica de 1979. O texto descreve como a proibição deu origem a um vasto mercado clandestino e ao contrabando, mantendo o consumo como um ato de resistência e status social, apesar dos riscos.
Principais tópicos abordados:
1. A origem lendária e a evidência arqueológica da produção de vinho na antiga Pérsia.
2. A tradição cultural e poética (ex.: poeta Hafez) associada ao vinho no Irã.
3. A proibição religiosa após a Revolução de 1979 e o consequente mercado negro e contrabando de bebidas.
4. O consumo atual como um ato de transgressão e alívio em meio ao contexto político repressivo e de conflitos.
Era costume no reino da Pérsia preservar as uvas em grandes jarros. Com o tempo, porém, elas fermentavam, liberando um lÃquido até então estranho, que foi considerado veneno. Uma princesa, vÃtima de fortes dores de cabeça ou de um amor não correspondido âprovavelmente de ambosâ bebeu desse lÃquido para se matar. Acordou mais viva que nunca, com a sensação de euforia. Eureca! O rei experimentou a bebida, ficou altinho e decretou que aquele néctar era um presente dos deuses.
Até prova em contrário, isso é uma lenda âmas a arqueologia já pode ter essa prova. Descobriram-se no planalto iraniano traços de uva fermentada em jarros datados de 5.000 anos antes de Cristo âou, no caso, 5.600 anos antes do Islã (que proÃbe o vinho).
Não muito longe do estreito de Hormuz está a cidade de Shiraz, conhecida por seus jardins e poetas âe também pelo vinho ancestral. Na Idade Média era muito apreciado, tendo circulado entre mercadores europeus no Golfo Pérsico e na Ãndia, além da corte persa. Em Shiraz está o memorial ao grande poeta Hafez, que celebrava o amor e a embriaguez.
"Traga vinho, pois o céu não dura para sempre." Situados em alcovas e tabernas, seus versos são também interpretados como metáforas do êxtase espiritual. Muito populares no Irã, os poemas de Hafez são também consultados como oráculos, um I-Ching persa.
Entre os anos 1950 e 1970, em plena Guerra Fria, o Irã era um aliado estratégico dos EUA. Os bares dos grandes hotéis de Teerã eram frequentados por diplomatas soviéticos, agentes da CIA e oficiais do temido serviço secreto iraniano âo SAVAK. Bebiam uÃsque escocês e coquetéis clássicos enquanto negociavam e espionavam uns aos outros.
Depois da revolução teocrática que derrubou o xá Pahlavi e empoderou o aiatolá Khomeini, o consumo de álcool foi barrado pela lei islâmica. Floresceu, desde então, o mercado clandestino. Garrafas de uÃsque e vodca são escondidas em caixas de sucos e refrigerantes e transportadas por caminhões de carga via Armênia, Iraque e Azerbaijão ou por barcos no Golfo.
Oferecer uÃsque numa festa é sinal de status. Por vezes, jornalistas e diplomatas contrabandeiam. A vodca passa por barreiras policiais em garrafas de água mineral. A fabricação de bebidas caseiras (algo próximo do arak) também é substancial, com o risco grande de intoxicação por metanol.
A proibição tem valor simbólico no filme "Argo" âquando saem do espaço aéreo iraniano, a comissária anuncia que irão servir bebidas no avião. O alÃvio é geral: é o sinal de que estão livres.
No meio de tudo isso, vive-se âe morre-se, na repressão a manifestações ou sob bombas israelenses e estadunidenses. Quem tem os canais, consegue beber em busca de alguma alegria perdida.
Sekanjabin mojito
- 2 colheres de sopa de xarope de sekanjabin (vinagre, açúcar, água e hortelã)
- 60 ml de rum branco
- 10 folhas de hortelã
- 2 fatias de limão
- Ãgua com gás
Num copo Collins, despeje o xarope de sekanjabin, coloque as folhas de hortelã, as fatias de limão e macere. Ponha gelo e rum e mexa. Finalize com a água com gás