Resumo objetivo:
Donald Trump sinalizou disposição para negociar com o Irã, desde que atendidas certas condições, recuando do tom agressivo anterior. No entanto, ele evitou assumir responsabilidade direta pelo ataque a uma escola primária em Minab, que matou 175 pessoas, atribuído pela imprensa a um míssil Tomahawk norte-americano, afirmando que o caso está "sob investigação".
Principais tópicos abordados:
1. A mudança na postura de Trump, de confronto para abertura condicional a negociações com o Irã.
2. A investigação sobre o ataque à escola primária em Minab e a possível responsabilidade dos EUA.
3. A reação iraniana, que rejeita diálogos e intensifica operações militares contra EUA e Israel.
4. A crítica de Trump à sucessão de Ali Khamenei e sua avaliação dos recentes ataques como bem-sucedidos.
Trump recua, cogita negociar com Irã e desconversa sobre ataque à escola primária
Reportagem do New York Times apontou que míssil Tomahawk, de fabricação norte-americana, atingiu colégio em Minab e matou 175 pessoas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou e afirmou nesta terça-feira (10/03) estar disposto a conversar com as lideranças do Irã para acabar com a guerra, mas que isso depende de “termos”, sem fornecer maiores detalhes. A posição foi dada em entrevista à emissora conservadora Fox News.
Por outro lado, depois da agressão iniciada por Washington e Tel Aviv em 28 de fevereiro, que também resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, Teerã tem reiterado não querer retomar quaisquer negociações com os norte-americanos.
“É possível, dependendo dos termos”, disse o republicano, abandonando o seu tom agressivo manifestado em declarações anteriores. “Você sabe, nós meio que não precisamos conversar mais, se você pensar bem, mas é possível”.
Trump também criticou o Irã pela nomeação de Mojtaba Khamenei, filho de Khamenei, como novo líder supremo. “Não estou feliz. Não acho que ele possa viver em paz”, afirmou, retomando declarações feitas em uma coletiva no dia anterior, durante a qual destacou que as recentes operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tiveram resultados “muito além das expectativas”.
Admitiu, no entanto, estar surpreso com a capacidade militar do país persa, que lançou mísseis e drones contra nações do Golfo. Nesta semana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou, inclusive, o lançamento da 33ª fase da Operação Verdadeira Promessa 4, dirigida contra bases e instalações militares estratégicas dos Estados Unidos e de Israel. A etapa contempla um enorme destacamento de mísseis de combustível sólido Khyber Shikan, projéteis de alta tecnologia equipados com ogivas de uma tonelada.
Questionado pela Fox sobre o ataque que matou ao menos 175 pessoas em uma escola primária feminina na cidade Minab, sul do Irã, em 28 de fevereiro, o presidente norte-americano repetiu a resposta dada à imprensa pelo seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, no fim de semana, ao afirmar que o caso está “sob investigação”.
“Mas não somos os únicos que usam aquele foguete”, acrescentou, em referência aos múltiplos relatos da imprensa local, como o jornal New York Times, que apurou que a escola foi atingida por um míssil de cruzeiro Tomahawk, de fabricação norte-americana, em meio a ataques contra uma base da Guarda Revolucionária Islâmica a poucos metros de distância. O NYT informou que o exército norte-americano é a única força envolvida na guerra usando essa classe de mísseis.
(*) Com Ansa