Resumo objetivo:
A SLB, uma das principais empresas de serviços petrolíferos, não projeta queda na demanda por combustíveis fósseis, focando seu discurso em "adição energética" em vez de transição. Embora mantenha a exploração de óleo e gás como negócio principal, a empresa investe em tecnologias para descarbonizar suas operações, como a captura e armazenamento de carbono (CCS). O Brasil é visto como um mercado estratégico para esses investimentos, especialmente devido ao potencial de CCS vinculado à produção de etanol e à criação de um mercado de créditos de carbono.
Principais tópicos abordados:
1. A visão da indústria petrolífera sobre a demanda futura de energia (ênfase em "adição", não substituição).
2. Os investimentos da SLB em descarbonização e novas energias (CCS, geotérmica, hidrogênio), mantendo o "core business" em óleo e gás.
3. O foco no Brasil como polo para projetos de CCS, impulsionado pela cadeia do etanol e pelo mercado emergente de créditos de carbono.
4. O contexto e as perspectivas do mercado de créditos de carbono, incluindo seu valor e estágio de desenvolvimento.
Empresas do setor petroleiro não acreditam na queda de demanda da energia gerada por combustÃveis fósseis. Em vez de transição energética, a SLB (ex-Schlumberger), empresa de serviços de petróleo, quer falar sobre adição energética.
A SLB mudou marca e nome em 2022, em um rebranding que visava destacar projetos em descarbonização e inovação no setor. No entanto, a exploração de óleo e gás continua como "core business", isto é, o principal negócio da companhia. Na visão da companhia, não há projeção de recuo para a essa indústria, mesmo com novas opções. Há projetos, contudo, para reduzir e compensar as emissões poluentes da atividade petroleira.
"A demanda global por energia continua crescendo e diferentes fontes terão de coexistir. Se estou na indústria de óleo e gás, o que eu posso fazer para descarbonizar enquanto busco novas tecnologias? Temos colocado bastante recurso e foco nisso", diz JanaÃna Ruas, diretora da área de New Energy âque direciona a exploração de formas renováveis de energia.
Entre as tais inovações, a companhia investe na geração de energia geotérmica, hidrogênio de base de carbono, minerais crÃticos (extração direta de lÃtio) e infraestrutura energética para data centers.
Um investimento "quente" no Brasil, na visão de Ruas, é a captura e armazenamento de carbono, método conhecido pela sigla CCS. A SLB toca o primeiro projeto do tipo na América Latina.
O Brasil é um "hot spot" para investimentos do tipo sobretudo devido à produção de etanol no paÃs. A fermentação da biomassa para produzir etanol gera CO2 que pode ser capturado, tornando o processo mais sustentável e gerando créditos de carbono.
O projeto de CCS visa capturar o dióxido de carbono (CO2), gás poluente que causa o efeito estufa, e enterrá-lo num poço profundo âuma tentativa de afastá-lo da atmosfera.
O investimento é, sobretudo, uma aposta da empresa no mercado de carbono no continente. Uma vez operacional, a usina de captura gerará créditos, a serem vendidos para empresas que precisam atingir metas ambientais.
Apesar dos investimentos no setor, projetos de CCS ainda são caros e pouco eficientes para o tamanho do gasto. à uma tecnologia considerada relativamente experimental e em estágio inicial de implementação, segundo especialistas do setor.
Mercado de carbono
A expectativa é que o ambiente de comércio de crédito de carbono comece a operar no inÃcio da década de 2030. Enquanto isso, governos de vários estados já preparam suas próprias emissões de créditos, de olho nos ganhos financeiros.
Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de carbono absorvida da atmosfera ou que deixou de ser emitida. Isso equivale a cerca de 8% do carbono emitido por um avião num voo entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 2021 e 2022, o mercado mundial chegou a movimentar anualmente US$ 2 bilhões apenas em fornecimento de curto prazo, valor que reduziu para US$ 500 milhões em 2024. Em 2025, a estimativa de analistas do Itaú é que esse mercado tenha movimentado US$ 1,5 bilhão. Essas estimativas não consideram os contratos de longo prazo, que podem atualmente significar 40% do mercado.
à incerto o tamanho exato desse setor no Brasil. A consultoria Fastmarkets, no entanto, estima que de 2011 a 2025, o paÃs emitiu cerca de 88,5 milhões de créditos de carbono de base florestal, o que, considerando os valores de hoje, representam US$ 588 milhões movimentados.