Resumo objetivo:
O aumento de 17% no preço da gasolina nos EUA desde o início da guerra contra o Irã preocupa republicanos em ano eleitoral, com receios sobre o impacto político nas eleições de meio de mandato. O governo Trump minimiza a alta, classificando-a como temporária e "artificial", enquanto analistas alertam que os preços permanecerão elevados enquanto durar o conflito. Entre as alternativas discutidas para conter a escalada estão a liberação de petróleo da reserva estratégica, a suspensão temporária de impostos federais sobre combustível e o alívio de sanções à Rússia.
Principais tópicos abordados:
1. A alta dos preços da gasolina e seu impacto político nas eleições norte-americanas.
2. A posição do governo Trump, que minimiza a crise e prevê uma queda futura.
3. As propostas em debate para reduzir os preços, como uso de reservas estratégicas e ajustes fiscais.
Alta da gasolina em ano eleitoral nos EUA preocupa republicanos
Galão do combustível aumentou 17% desde início da guerra; alternativas vão desde liberação de reservas estratégicas à diminuição das sanções contra a Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem buscando minimizar a alta dos combustíveis em consequência da guerra que promove, conjuntamente com Israel, contra o Irã. Desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, preço da gasolina subiu 17% nos postos de abastecimento norte-americano, chegando a US$ 3,48 por galão, o nível mais alto desde 2024.
Trump disse na segunda-feira (09/03) durante um encontro com republicanos, na Flórida, que o aumento não afeta de verdade os Estados Unidos, trata-se de um valor “artificialmente alto”, e que os preços cairão no fim do enclave.
Desde o início do conflito, os preços já subiram cerca de um terço, ficando acima de US$100 dólares por barril na segunda-feira (10/03), até caírem para US$ 91,7%, após Trump afirmar que o enclave está “praticamente concluído”, o que foi contestado pelo Irã.
Ano eleitoral
Apesar da confiança do republicano, seus aliados demonstram apreensão com o impacto político do aumento da gasolina às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms, que ocorrem em novembro.
“O preço da gasolina é sempre uma espécie de referência, é algo que obviamente precisamos observar”, disse o republicano e líder da maioria no Senado, John Thune (Dakota do Sul). Na avaliação do deputado republicado Don Bacon (Nebraska), “a verdadeira questão é quanto tempo isso vai durar.”
Analistas ouvidos pelo New York Times afirmam que os preços devem permanecer elevados enquanto durar o conflito. Segundo Patrick De Haan, da GasBuddy, “os americanos hoje vão gastar US$ 200 milhões a mais por dia em gasolina do que gastavam há oito dias”.
Já a ex-assessora comercial do governo Biden, Sarah Bianchi, disse ser “surpreendente que [o governo Trump] tenha entrado nisso sem um plano mais elaborado”.
Alternativas
O democrata e líder da minoria no Senado, Chuck Schumer (Nova York), pediu que a Casa Branca libere petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país para conter a escalada dos preços.
A reportagem destaca trata-se da mais rápida medida que poderia ser tomada. As reservas acumulam grande estoque de petróleo bruto, cerca de 415 milhões de barris em cavernas subterrâneas, com capacidade máxima de liberação de 4,4 milhões de barris por dia. Trump, no entanto, criticou o governo Biden por adotar a estratégia em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Outra proposta, do senador democrata Mark Kelly (Arizona), é a suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina, que soma 18,4 centavos por galão, mas isso exigiria uma lei do Congresso. Também são citadas a restrição temporária das exportações de petróleo do país, que chegam a mais de 10 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos petrolíferos.
Outra opção seria aliviar as sanções contra a Rússia, que possui milhões de barris de petróleo em petroleiros que não conseguiram vender. Também são cidadãs ideias como flexibilizar as regras ambientais para que as refinarias possam produzir misturas de gasolina menos caras.