Resumo objetivo:
Os Estados Unidos estão realocando sistemas antimísseis Patriot e Thaad, estacionados na Coreia do Sul, para o Oriente Médio. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung rejeitou publicamente a medida unilateral, mas admitiu que seu governo não tem poder para impedi-la, reconhecendo a dependência histórica do apoio militar norte-americano.
Principais tópicos abordados:
1. A transferência unilateral de sistemas de defesa antimísseis dos EUA da Coreia do Sul para o Oriente Médio.
2. A oposição formal, porém limitada, do governo sul-coreano à decisão.
3. A avaliação de que a realocação não compromete a capacidade de dissuasão da Coreia do Sul contra a Coreia do Norte.
4. A defesa da necessidade de autonomia militar sul-coreana diante da instabilidade global.
EUA transferem sistema antimísseis instalado na Coreia do Sul para Oriente Médio; Lee Jae Myung rejeita medida
Presidente sul-coreano lamentou decisão norte-americana de realocar armamentos estacionados no país 'de acordo com suas próprias necessidades', mas admitiu que governo 'não pode impor posição'
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, manifestou oposição à decisão unilateral das Forças Armadas norte-americanas instaladas no país (USFK, na sigla em inglês) de transferirem equipamentos bélicos estacionados em solo nacional para uso na guerra em curso contra o Irã. A posição foi dada nesta terça-feira (10/03) durante uma reunião de gabinete na Casa Azul, onde o mandatário abordou os recentes relatos da mídia internacional de que sistemas de defesa antimísseis Patriot e Thaad, dos Estados Unidos, estavam sendo realocados para a região do Oriente Médio.
“Expressamos oposição às USFK de transferirem algumas armas de defesa aérea de acordo com suas próprias necessidades militares”, disse Lee, mas reconheceu que, apesar disso, “nós não podemos impor totalmente a nossa posição”, referindo-se ao apoio militar oferecido por Washington a Seul desde a Guerra Fria.
Recentemente, o site de rastreamento de voos Flightradar24 informou que várias aeronaves de transporte C-5 e C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos decolaram em uma série de voos no início deste mês. A movimentação foi observada na Base Aérea de Osan, em Pyeongtaek, província de Gyeonggi.
De acordo com uma apuração do jornal The Washington Post, publicada no dia anterior, o Departamento de Defesa norte-americano teria iniciado a realocação de parte de seu sistema de defesa aéreo Terminal High Altitude Area Defense (Thaad), implantado na Coreia do Sul, para o Oriente Médio.
Os sistemas Thaad e Patriot são tidos como os principais dispositivos de defesa antimísseis das USFK: o primeiro intercepta mísseis balísticos em altitudes entre 40 e 150 quilômetros, enquanto o segundo intercepta mísseis em altitudes que variam de 15 a 40 quilômetros.
Lee hipotetiza cenário sem apoio externo
Na mesma reunião, o presidente Lee enfatizou que a transferência de armas não afetará significativamente a capacidade da Coreia do Sul de dissuadir qualquer possível “ameaça” vinda do Norte.
“Se você perguntar se isso cria sérios obstáculos para nossa estratégia de dissuasão contra a Coreia do Norte, posso dizer com certeza que não cria”, disse. Ele apontou que os gastos da nação com defesa estão entre os mais altos do mundo, acrescentando que algumas estimativas indicam o orçamento anual na área em cerca de 1,4 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do vizinho.
“De acordo com avaliações objetivas de organizações internacionais, a força militar da Coreia ocupa cerca de quinto lugar no mundo. Objetivamente falando, a diferença entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte é enorme”, afirmou Lee. “Claro, existe o fator especial das armas nucleares da Coreia do Norte, mas quando se trata de poder de combate convencional e capacidades militares, a diferença está esmagadoramente a nosso favor”.
Ainda sobre os Estados Unidos, o mandatário destacou que a defesa nacional é responsabilidade de cada país. Lee ressaltou a necessidade de a Coreia do Sul pensar “o que faria se não houvesse apoio externo” e que deveria fortalecer suas capacidades de forma autônoma, já que corre o risco de perder apoio externo devido à instabilidade global.
Atualmente a Coreia do Sul abriga uma significativa presença militar norte-americana, com cerca de 28.500 soldados e sistemas de defesa superfície-ar, incluindo os interceptadores de mísseis Patriot. Ambos os países realizam recorrentemente treinamentos militares conjuntos, evento interpretado como uma ameaça pela Coreia do Norte e rechaçado pelo mesmo.