Principais pontos da notícia:
A peça teatral "Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez" reestreia em São Paulo, resgatando a história real de Jacinta Maria de Santana, uma mulher negra e pobre que, após morrer no início do século XX, teve seu corpo embalsamado e exibido como curiosidade na Faculdade de Direito da USP por quase 30 anos. O espetáculo, que integra um projeto de resgate de histórias de pessoas negras apagadas, faz uma temporada gratuita na capital paulista até 29 de março. A montagem aborda poeticamente a trajetória de Jacinta, relacionando seu caso a temas como racismo científico, eugenia e apagamento histórico.
Principais tópicos abordados:
1. O resgate histórico da história de Jacinta Maria de Santana.
2. A temporada gratuita do espetáculo teatral em São Paulo.
3. A denúncia do racismo científico e do tratamento desumano dado ao corpo da mulher.
4. O projeto da companhia de recuperar memórias negras apagadas.
O espetáculo Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez, da Cia do Pássaro, reestreia em São Paulo (SP) com o resgate da história de Jacinta Maria de Santana, mulher negra cujo corpo foi embalsamado e exibido como curiosidade científica por quase três décadas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. A montagem faz temporada gratuita no centro da capital paulista, com sessões aos sábados e domingos, até 29 de março.
Escrita e dirigida por Dawton Abranches, a peça parte de um caso real ocorrido no início do século 20. Após morrer nas ruas da cidade, Jacinta teve o corpo embalsamado, que passou a ser utilizado em trotes estudantis e exposições na instituição de ensino, onde permaneceu por cerca de 30 anos antes de receber sepultamento.
Em cena, a atriz Gislaine Nascimento interpreta a trajetória de Jacinta, acompanhada pelo ator Alessandro Marba e pela musicista Camila Silva, responsável pela trilha executada ao vivo no cavaquinho, evocando elementos do universo do samba.
O espetáculo integra o projeto “Trilogia do Resgate”, da Companhia do Pássaro, que busca recuperar trajetórias de pessoas negras apagadas da história brasileira. A primeira montagem do ciclo foi Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário, sobre o ex-escravizado Mahommah Gardo Baquaqua.
Quem foi Jacinta
A história de Jacinta permaneceu praticamente desconhecida por décadas. O caso voltou à tona recentemente após pesquisas da historiadora Suzane Jardim, que encontrou registros em um jornal de 1929 relatando a exposição do corpo da mulher.
Segundo os levantamentos históricos, Jacinta era uma mulher pobre que circulava pelo centro da capital paulista. Após passar mal e cair em uma rua próxima à Estação da Luz, foi encaminhada à Santa Casa de Misericórdia, mas morreu antes de chegar ao hospital.
Seu corpo foi então entregue ao médico legista Amâncio de Carvalho, que decidiu embalsamá-lo para aperfeiçoar técnicas de preservação. A partir daí, Jacinta passou a permanecer exposta na Faculdade de Direito do Largo São Francisco por décadas.
Na montagem teatral, a narrativa assume tom poético. Enquanto a atriz narra a trajetória da personagem, é acompanhada pela figura de Exu Tatá Caveira, interpretada por Marba, que manipula tempo e espaço e conduz o encontro entre atriz e personagem.
A encenação também estabelece relações entre o caso e processos históricos mais amplos, como o racismo científico e a disseminação de ideias eugenistas no Brasil do início do século 20.
Para a dramaturgia, a equipe utilizou referências teóricas de autoras como Cida Bento, Leda Maria Martins, Neusa Santos Souza, Sueli Carneiro e Rosane Borges, buscando refletir sobre memória, racismo estrutural e apagamento histórico.
A montagem, que utiliza a linguagem do teatro popular, estreou em 2023 e já circulou por unidades dos CEUs em São Paulo, além de realizar temporada no Sesc Copacabana e apresentações em cidades do interior paulista. A nova temporada na capital busca recolocar em debate uma história pouco conhecida da cidade e homenagear a memória de Jacinta Maria de Santana.
Serviço
Jacinta – Você Só Morre Quando Dizem Seu Nome Pela Última Vez
Temporada gratuita entre 7 e 29 de março
Local: Espaço Cia do Pássaro – Voo e Teatro
Endereço: R. Álvaro de Carvalho, 177 – Anhangabaú, São Paulo/ SP
Ingresso: gratuito, por ordem de chegada – Retirar com uma hora de antecedência
Sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h.
Não haverá sessão no dia 21 de março (sábado). Haverá sessão extra no dia 29 de março (domingo), às 15h. Duração: 80min
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: Libras em todas as sessões | O espaço também é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.