Resumo objetivo:
O termo "quinta coluna" originou-se durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), referindo-se a grupos infiltrados que, aparentando lealdade aos republicanos, atuavam secretamente para sabotá-los em apoio às forças franquistas. A expressão foi popularizada por cartazes de alerta em Madri, refletindo o temor de traição interna. Sua criação é atribuída a generais nacionalistas, embora haja relatos conflitantes sobre sua autoria exata.
Principais tópicos abordados:
1. A origem histórica do termo "quinta coluna" na Guerra Civil Espanhola.
2. A definição e atuação desses grupos como agentes de infiltração e sabotagem.
3. O contexto do conflito entre republicanos (apoiados por voluntários internacionais) e franquistas (auxiliados por Alemanha nazista e Itália fascista).
4. A disseminação do termo por meio de propaganda republicana e a desconfiança gerada internamente.
A Guerra Civil Espanhola e a 'quinta coluna'
Termo espalhado pelos cartazes de Madri durante conflito entre republicanos e forças franquistas denunciava grupos que sabotavam as próprias organizações
“Cuidado! A quinta coluna espreita”. Os cartazes com o alerta dominavam as esquinas e muros de Madri durante a Guerra Civil Espanhola, advertindo sobre o perigo da infiltração de agentes franquistas.
Na terminologia política, a expressão “quinta-coluna” refere-se a uma estratégia de subversão e sabotagem empregada durante um conflito ou disputa contra um grupo inimigo, semelhante à ação dos chamados “agentes duplos”.
Os “quinta-colunas” são grupos clandestinos que simulam fidelidade, concordância ou adesão a uma determinada causa, para se infiltrarem em um país, região, segmento da sociedade ou organização. A partir disso, passam a colaborar com as forças inimigas, espionando, sabotando, subvertendo e obstruindo internamente a própria organização a qual pertencem. Mas, afinal, qual é a origem desse termo?
Guerra Civil Espanhola
O uso da expressão “quinta-coluna” remonta à Guerra Civil Espanhola, a sangrenta disputa pelo controle político da Espanha que transcorreu entre os anos de 1936 e 1939, servindo de prelúdio à Segunda Guerra Mundial.
O conflito ocorreu em um contexto de crescente instabilidade política e radicalização da sociedade espanhola, culminando no embate entre os republicanos (agrupados em torno da aliança entre anarquistas, socialistas e comunistas) e as forças franquistas (compostas pela união de falangistas, monarquistas, católicos e carlistas).
Sem aceitar a vitória da esquerda nas eleições de 1936, os setores conservadores da sociedade espanhola, liderados pelo general Francisco Franco, iniciaram uma insurreição armada para derrubar a Frente Popular.
Com apoio de tropas da Itália fascista e da Alemanha nazista, os nacionalistas dominaram vastas porções do território espanhol. Por sua vez, a Frente Popular manteve sob seu controle a capital, Madri, e outras cidades importantes como Barcelona, Valência e Bilbao, recebendo apoio de dezenas de milhares de voluntários das Brigadas Internacionais.
A Guerra Civil Espanhola se estendeu por quase três anos e custou mais de 650 mil vidas. As tropas nacionalistas saíram vitoriosas e Franco tornou-se chefe de um regime ditatorial de inspiração fascista que se estenderia por quase quatro décadas.
A expressão “quinta-coluna” foi registrada pela primeira vez em um telegrama secreto enviado pelo diplomata alemão Hans Hermann Völckers à cúpula do regime nazista em setembro de 1936.
No documento, Völckers transcreve uma informação que repercutia entre os republicanos e que havia sido atribuída ao general Francisco Franco, asseverando que os fascistas estavam se preparando para marchar sobre Madri com quatro colunas (formações militares), ao passo que uma “quinta coluna” estaria esperando para saudá-los dentro da cidade — referindo-se a uma facção que aparentava fidelidade ao campo legalista, mas que se juntaria às tropas de Franco para ajudar a subjugar os republicanos.
Relatos sobre uma “quinta-coluna” pronta para trair os republicanos e prestar auxílio os franquistas se proliferaram em outubro de 1936, mas com informações contrastantes. A revolucionária Dolores Ibárruri publicou artigo no Mundo Obrero repetindo a expressão, mas atribuindo-a ao general Emilio Mola. Ele também teria se referido a uma “quinta coluna” que estaria pronta para entrar em ação quando suas tropas marchassem por Madri.
Outro revolucionário, Domingo Girón, abordou o termo em um comício, mas o imputou ao general Gonzalo Quepo de Llano. Já o jornalista soviético Mikhail Koltsov indicou o nacionalista José Enrique Varela como autor da expressão.
Malgrado o desencontro das informações, os combatentes republicanos ficaram alarmados diante da existência de impostores em seus quadros e passaram a espalhar panfletos, anúncios e cartazes, incitando a população a redobrar os cuidados e a denunciar eventuais quinta-colunistas.
Uso na Segunda Guerra Mundial
O termo foi retomado durante a Segunda Guerra Mundial, onde passou a ser utilizado pelos Aliados em referência a colaboradores infiltrados do regime nazista, estampando cartazes de alerta sobre possíveis sedições e deslealdade.
A Queda da França em 1940 foi atribuída por alguns jornalistas ocidentais não apenas à debilidade das forças domésticas, mas também à colaboração de uma suposta “quinta coluna” pró-Alemanha atuante em postos de decisão no país.
Em agosto de 1940, o jornal The New York Times fez uma matéria identificando “quinta colunas aliadas ao nazismo” em órgãos dos governos da Polônia, Checoslováquia, Noruega e Países Baixos, enquanto Walter Lippman recomendava cuidado com uma possível organização quinta-coluna se estabelecendo em território norte-americano, junto às comunidades nipo-americanas.
Ainda em 1945, logo após os soldados soviéticos tomarem Berlim, derrubando o regime nazista e encerrando a Segunda Guerra Mundial na Europa, o governo norte-americano passou a associar a expressão “quinta-coluna” às organizações socialistas ativas nos Estados Unidos.
Não obstante, Estados Unidos e seus aliados europeus foram os que mais se utilizaram do uso de “quintas colunas” ao longo da Guerra Fria. Um dos casos mais famosos é a fundação do Partido Marxista-Leninista dos Países Baixos, uma legenda falsa criada pela CIA e pelo serviço secreto holandês no âmbito da Operação Arenque Vermelho, com o objetivo de acessar informações confidenciais e monitorar lideranças de esquerda, além de desarticular, dividir e ridicularizar o campo progressista.