Resumo objetivo:
Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, realizaram um ato contra o assédio e cobraram da direção a retomada de debates sobre gênero nas salas de aula. O protesto ocorreu no contexto do afastamento de dois alunos da instituição, acusados de participação em um estupro coletivo em Copacabana. O colégio afirmou ter instaurado processo disciplinar e se comprometeu a realizar atividades de enfrentamento à violência de gênero durante o ano letivo.
Principais tópicos abordados:
1. Protesto estudantil: Ato contra o assédio e pela inclusão de debates sobre gênero no currículo escolar.
2. Caso criminal: A ligação dos acusados de um estupro coletivo com a instituição de ensino, que os afastou.
3. Cobrança à instituição: Reivindicação dos alunos por uma resposta educativa e preventiva da direção, superando o medo de pressões conservadoras.
4. Posicionamento da escola: Nota oficial informando sobre o processo disciplinar em curso e o anúncio de um plano de enfrentamento ao assédio.
Estudantes do colégio Pedro 2º, no Rio de Janeiro, fizeram nesta terça-feira (10) um ato contra o assédio e com cobranças à direção por debates de gênero dentro das salas de aula. Dois acusados do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana eram estudantes do colégio e foram afastados.
Eles estudavam na unidade Humaitá, na zona sul carioca. Colégio de ensino secundário mais antigo do Rio, o Pedro 2º é uma instituição federal com seleção de alunos por concurso.
Os estudantes se reuniram em frente à unidade São Cristóvão, na zona norte, onde fica a reitoria. Entre os manifestantes estavam alunos da unidade onde estudavam os acusados.
Em discurso, um aluno da unidade, que não será identificado por ser adolescente, cobrou da direção a inclusão de debates sobre gênero dentro das salas de aula e em atividades extracurriculares. Ele afirmou que o assunto era tratado há alguns anos, mas foi preterido diante da pressão de movimentos conservadores contra uma alegada agenda de "ideologia de gênero" nas escolas.
Ana Berlarmino, 20, representante do grêmio estudantil da unidade Humaitá, afirma que o movimento contra o assédio não considera o colégio como rival.
"A gente entende que existe um certo medo da escola de falar sobre esse assunto. Mas precisamos, e essa é a maior reivindicação, que o debate de gênero volte para dentro da sala. Se este letramento tivesse avançado, a gente poderia não ter o problema de uma aluna não saber que tinha sido abusada pelo Vitor Hugo", diz Ana, sobre uma jovem de 18 anos que procurou a polÃcia após a repercussão do estupro coletivo âum dos acusados, Vitor Hugo Simonin nega a participação no crime de Copacabana, segundo sua defesa.
Ana afirma que o grêmio teme intimidações de grupos misóginos organizados nas redes sociais.
Em nota publicada no sábado (7), o Pedro 2º disse que a acusação de estupro chegou à direção através da responsável pela vÃtima, após denúncia na delegacia. O colégio disse que "instaurou um processo disciplinar discente, cujo trâmite poderá culminar no desligamento compulsório dos envolvidos".
Estudantes ouvidos pela reportagem sob reserva disseram que o histórico dos acusados de estupro no colégio envolviam brigas internas e que não era de conhecimento geral as acusações de estupro. Um deles, contudo, era conhecido por assediar alunas.
"Cabe esclarecer que as ocorrências pregressas dos envolvidos que chegaram à Direção, ao longo de seu percurso escolar, eram ligadas a situações de descumprimento e desrespeito dos artigos previstos no Código de Ãtica Discente do Colégio Pedro 2º", disse o colégio em nota.
"Todos os registros sempre foram compartilhados com as famÃlias por meio de reuniões presenciais e/ou emails, com o objetivo de comunicar aos seus tutores comportamentos não adequados ao ambiente escolar."
O colégio disse que vai realizar durante o ano letivo atividades de enfrentamento da violência de gênero. Nesta segunda, a direção publicou portaria que institui um plano de enfrentamento do assédio.