Resumo objetivo:
O grupo Cosan aguarda novos desdobramentos em breve sobre o plano de capitalização da endividada Raízen, sua joint-venture com a Shell. A proposta em análise, liderada pela Shell com participação da família de Rubens Ometto, prevê um aporte de R$ 4 bilhões, enquanto a Raízen também avalia uma recuperação extrajudicial como solução para sua dívida de R$ 55,3 bilhões. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a empresa não participará da capitalização por questões estratégicas e por acreditar que a solução definitiva requer a separação das estruturas de capital dos distintos negócios de açúcar/etanol e distribuição de combustíveis da Raízen.
Principais tópicos abordados:
1. Plano de capitalização e endividamento da Raízen: Discussão de uma proposta de aporte de R$ 4 bilhões e a possibilidade de recuperação extrajudicial para resolver a crise da dívida.
2. Posicionamento estratégico da Cosan: A decisão de não participar financeiramente do resgate, focando em reduzir sua própria dívida e defendendo a separação dos negócios da Raízen como condição para uma solução sustentável.
3. Engajamento das partes interessadas: Negociações em andamento com credores, Shell e o grupo de Rubens Ometto para encontrar uma saída adequada para a empresa.
O grupo Cosan espera ver nos próximos dias novos desdobramentos sobre o plano para capitalização da endividada RaÃzen, empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustÃveis na qual a Cosan é sócia junto com a Shell.
Em teleconferência nesta terça-feira (10), o CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a RaÃzen possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.
Martins afirmou que existe um "engajamento bastante forte" com os credores, com a própria Shell e o empresário Rubens Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan e também colocou a sua intenção de fazer uma contribuição de capital no processo por meio da Aguassanta.
A RaÃzen afirmou anteriormente que está analisando uma proposta de capitalização de R$ 4 bilhões liderada pela Shell, ao mesmo tempo em que indicou que a solução para sua crise de endividamento pode ocorrer por meio de uma recuperação extrajudicial.
Em um comunicado, a RaÃzen afirmou também que a proposta em análise inclui um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões da Shell e mais R$ 500 milhões de um veÃculo de investimento pertencente à famÃlia de Rubens Ometto.
A Cosan teve prejuÃzo lÃquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre, representando um recuo de 38% em relação ao prejuÃzo dos últimos três meses de 2024 de quase R$ 9,3 bilhões.
O CEO disse que a Cosan acredita na possibilidade de uma solução definitiva para a RaÃzen, mas ressaltou que a estrutura de capital decorrente deveria ser adequada para os diferentes negócios da companhia.
"Isso é algo que está sendo discutido, porque são negócios bastante distintos, que têm uma geração de caixa também distinta e que exige uma estrutura de capital também distinta. Acho que isso será absolutamente fundamental e determinante para que a gente tenha uma empresa sustentável."
Ele lembrou que o envolvimento da Cosan deixou de ser direto, conforme já comunicado ao mercado, "em virtude da nossa não participação na capitalização".
"Mas, como acionistas e conselheiros, temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saÃda adequada para a companhia."
Martins pontuou que, além da questão da disponibilidade de recursos para participar da capitalização da RaÃzen, a razão de a Cosan não estar envolvida se relaciona ao fato de considerar que a estrutura apresentada não resolveria a "integridade" dos problemas da RaÃzen.
Para ele, a não separação dos negócios da RaÃzen, que se divide principalmente entre a produção de açúcar/etanol e distribuição de combustÃveis, "é um problema". "A separação significa que os negócios teriam estrutura de capital distinta, porque são negócios de geração de caixa distinta e que têm natureza de alocação de capital distinta."
Para ele, a Cosan também não coloca isso "de forma inexorável, até porque neste momento não está fazendo contribuição de capital", e "não poderia impor condições". "Não vamos passar por cima do que seja aceitável para a Shell e os credores...", afirmou.
A dÃvida lÃquida da RaÃzen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de gastos elevados com investimentos, instabilidade climática e altas taxas de juros.
As ações da Cosan operavam em alta de mais de 7%, enquanto as da RaÃzen recuavam 1,8%, por volta das 14h15 (horário de BrasÃlia).
A Cosan, que busca zerar em algum momento a dÃvida da holding, trabalha em estratégias que incluem vendas de ativos, mas isso não será feito a qualquer preço, afirmou o CEO.
Ele destacou que esse compromisso também explica por que a Cosan não está colocando dinheiro na capitalização da RaÃzen.
A dÃvida lÃquida expandida do corporativo da Cosan somou R$ 9,8 bilhões ao final do último trimestre do ano passado, uma redução de 46% na comparação com o trimestre anterior, com entrada dos recursos em novembro, resultado das ofertas públicas de ações e consequente injeção de capital.
"Estamos em fase de saneamento de alavancagem, até porque a estrutura precisa se tornar mais eficiente... Qual é o ponto no tempo que isso vai acontecer? Depois de a gente conseguir executar a nossa estratégia de desinvestimento em alguns ativos de forma eficiente", disse Martins.
O executivo disse que a Cosan não exclui a possibilidade de vender um determinado ativo, mas também não está privilegiando a negociação de um ativo especÃfico. As vendas de ativos deveriam ocorrer de forma "oportunista" em momento adequado, para obter o melhor valor.
Martins disse ainda que está "incorreta" a informação que circulou no mercado sobre venda da participação total pela Cosan na empresa de logÃstica ferroviária Rumo.
Mais adiante, a companhia poderia considerar venda de alguma participação na Rumo, mas isso depende do momento adequado e da estrutura do negócio, acrescentou.
O executivo disse que nenhum acionista da Cosan pressiona a administração para fazer acordos de venda de ativos a qualquer preço, ou para a empresa rapidamente zerar a alavancagem com a venda de determinado ativo.
Martins disse que a companhia também tem opções de mercado para fazer a desalavancagem, lembrando da recém-anunciada oferta pública inicial de ações da Compass Gás e Energia.