A Justiça condenou dois homens por latrocínio (roubo seguido de morte) no caso da universitária Beatriz Munhos, assassinada durante uma falsa negociação de venda de um drone em São Paulo. Isaías dos Santos Silva, autor do disparo, recebeu 31 anos e 6 meses, e Lucas Kauan da Silva Pereira, motorista da moto, foi sentenciado a 30 anos e 4 meses, com ambos cumprindo pena em regime fechado. Outros dois suspeitos, acusados de planejar o crime criando perfis falsos na internet, permanecem presos e respondem em processo separado.
Principais tópicos abordados:
1. A condenação por latrocínio de dois envolvidos no crime.
2. Os detalhes do assalto ocorrido durante uma negociação fraudulenta de um drone.
3. A situação processual de outros dois suspeitos presos.
4. As reações da defesa dos condenados e da família da vítima.
A Justiça condenou, na última quinta-feira (5), 2 dos 4 acusados de envolvimento no assalto que terminou na morte da universitária Beatriz Munhos, de 20 anos. O crime ocorreu em 2025, na zona leste de São Paulo, durante uma negociação de venda de um drone anunciada na internet.
IsaÃas dos Santos Silva, acusado de ser o autor do disparo, foi condenado a 31 anos e 6 meses de prisão. Já Lucas Kauan da Silva Pereira, acusado de ser o motorista da motocicleta usada na ação, recebeu pena de 30 anos e 4 meses.
Os dois foram condenados por latrocÃnio (roubo seguido de morte) e deverão cumprir a pena em regime fechado. Ainda cabe recurso. Segundo a decisão judicial, ambos participaram diretamente da abordagem que terminou na morte da jovem. Outros dois suspeitos permanecem presos e respondem em processo separado pelo mesmo crime. A participação deles no esquema ainda é analisada no processo em andamento na Justiça.
Beatriz saiu de carro de Sorocaba, no interior paulista, para vender um drone anunciado na internet por R$ 35 mil. Ela foi até o bairro de Sapopemba, na zona leste da capital, para encontrar o suposto comprador na rua Pacoeira. A jovem estava acompanhada do pai, Lucas Munhos, e do namorado, Leonardo Silva. Os três foram abordados pelos criminosos por volta das 20h do dia 1º de novembro.
Durante o assalto, o pai da jovem teve o celular roubado. Beatriz chegou a usar um spray de pimenta contra IsaÃas. Segundo a investigação, o suspeito reagiu e disparou contra a universitária. Os criminosos fugiram levando o celular do pai, mas não conseguiram levar o drone anunciado.
Durante as investigações, a polÃcia analisou imagens de segurança e identificou quatro pessoas com participação no crime. Segundo os investigadores, dois atuaram diretamente na execução do assalto e outros dois teriam planejado a abordagem.
A polÃcia aponta que o grupo utilizava falsas negociações pela internet para atrair vÃtimas. O caso foi tratado como parte de um esquema de roubos semelhantes.
A sentença, proferida pelo juiz Marcello Guimarães, da 18ª Vara Criminal de São Paulo, menciona que IsaÃas confessou ter feito o disparo. Ele afirmou que não teve intenção de atirar e que se assustou quando a vÃtima utilizou o spray de pimenta.
De acordo com o processo, ele estava na garupa da motocicleta pilotada por Lucas. O comparsa também admitiu participação no roubo durante o julgamento.
Em vÃdeo publicado no Instagram, o pai da vÃtima afirmou que a decisão era "o mÃnimo que esperava da Justiça brasileira". Segundo ele, a prisão dos envolvidos traz um "sutil alÃvio" à famÃlia.
à Folha a advogada de IsaÃas, Ana Cleide Araújo Santos, afirmou que pretende recorrer da decisão. "A defesa entende que a condenação foi exacerbada, uma vez que o réu confessou a prática do crime. Por essa razão, vamos recorrer da sentença", declarou.
Lucas Kauan é representado pela Defensoria Pública no processo, que disse que não se manifesta publicamente sobre processos criminais em andamento.
Além dos dois condenados, estão presos preventivamente Gabriel Ferreira da Silva e Matheus Andrade da Silva.
Segundo a polÃcia, Gabriel criava perfis falsos em redes sociais para abordar anúncios de produtos de alto valor. Ele seria responsável por iniciar o contato com as vÃtimas e marcar encontros para as supostas negociações. Matheus também é investigado por participação no crime.
De acordo com as investigações, Gabriel é apontado como o lÃder do grupo criminoso. Ele teria se passado pelo comprador interessado no drone anunciado pela famÃlia da vÃtima. O processo envolvendo os dois suspeitos segue em andamento na Justiça.
A reportagem consultou o sistema do Tribunal de Justiça do estado, mas não identificou defensores cadastrados em nome da dupla, o que impossibilitou a tentativa de contato.