Os ministros de energia do G7 não chegaram a um consenso sobre a liberação das reservas estratégicas de petróleo, delegando à Agência Internacional de Energia (AIE) a avaliação da situação do mercado para orientar uma possível decisão futura. A alta dos preços da energia, impulsionada pela guerra no Irã e pelo temor de uma repetição da crise de 2022, é a principal preocupação, especialmente na Europa, que enfrenta uma desvantagem competitiva devido à dependência de importações caras. Paralelamente, a União Europeia anunciou um grande investimento em infraestrutura energética e destacou estar mais preparada do que em 2022, com um fornecimento de gás mais diversificado, proveniente principalmente da Noruega e dos EUA.
Principais tópicos abordados:
1. A indecisão do G7 sobre liberar reservas de petróleo e o papel da AIE.
2. A volatilidade e alta dos preços da energia devido ao conflito no Oriente Médio.
3. A preocupação europeia com a segurança energética e a dependência de importações.
4. As medidas da UE para aumentar a resiliência, como investimentos em infraestrutura e diversificação de fornecedores.
Os ministros de energia do G7 não chegaram a um acordo sobre a liberação das reservas estratégicas de petróleo nesta terça-feira (10) e, em vez disso, pediram à AIE (Agência Internacional de Energia) que avalie a situação antes de agir.
A AIE disse estar convocando uma reunião extraordinária de seus paÃses membros nesta terça.
Os membros devem "avaliar a segurança atual do fornecimento e as condições do mercado para orientar uma decisão subsequente sobre disponibilizar ou não os estoques de emergência dos paÃses da AIE para o mercado", informou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.
"Pedimos à AIE que elabore cenários para uma possÃvel liberação de estoques de petróleo, precisamos estar prontos para agir a qualquer momento", disse o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, a jornalistas, após reunião dos ministros do G7 para discutir a alta dos preços da energia devido à guerra no Irã.
O G7 é formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.
Os preços de referência do petróleo subiram para máximos de quase quatro anos nesta segunda-feira (9), mas despencaram nesta terça, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve.
Ainda nesta terça, o chanceler alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro belga, Bart De Wever e outros lÃderes da UE devem discutir a competitividade do bloco, incluindo os preços da energia.
Os governos europeus estão preocupados com a perspectiva de uma repetição da crise energética de 2022, provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os preços atingiram picos recordes e forçaram algumas indústrias a encerrar suas operações.
Mesmo antes da crise no Irã, os preços da energia na Europa já eram normalmente mais altos do que nos EUA e na China, e geravam apelos do setor por uma intevenção de Bruxelas com medidas de emergência.
"Em relação aos combustÃveis fósseis, somos totalmente dependentes de importações caras e voláteis, o que nos coloca em desvantagem estrutural em relação a outras regiões. A atual crise do Oriente Médio é um forte lembrete das vulnerabilidades que isso cria", disse nesta terça a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que a redução da energia nuclear foi um erro estratégico na Europa.
A Comissão Europeia disse nesta terça que o Banco Europeu de Investimento destinará 75 bilhões de euros (R$ 449,5 bi) nos próximos três anos para infraestrutura de energia para desbloquear gargalos da rede elétrica e tentar reduzir preços.
"Estamos muito mais bem preparados para essa situação do que estávamos em fevereiro de 2022", disse o comissário de Energia da UE, Dan Jorgensen, citando um fornecimento mais diversificado.
A Europa obtinha cerca de 40% de seu gás da Rússia antes de Moscou reduzir as entregas em 2022. Atualmente, os principais fornecedores da UE são a Noruega e os EUA.