Resumo objetivo:
Cerca de 500 mulheres do MST organizaram uma distribuição de alimentos em resposta ao despejo de uma usina da CBB em Goiás, integrando a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra. A ação denuncia supostos crimes trabalhistas e ambientais na usina e defende que a área seja destinada à reforma agrária. O movimento criticou a intervenção policial do governo estadual, classificando-a como truculenta, e propõe a solidariedade e a agricultura familiar como alternativas ao modelo atual.
Principais tópicos abordados:
1. Ação de protesto e solidariedade do MST com distribuição de alimentos.
2. Conflito fundiário e despejo judicial na usina da CBB.
3. Denúncias de trabalho análogo à escravidão e crimes ambientais na empresa.
4. Defesa da reforma agrária popular e crítica à repressão policial.
5. Agricultura familiar como modelo alternativo para combater a fome e a desigualdade.
Nesta terça-feira (10), cerca de 500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizaram uma distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar como resposta ao despejo da Usina da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), no município de Vila Boa de Goiás, localizado a aproximadamente 165 quilômetros de Brasília.
Após a chegada da Polícia Militar do governo de Goiás, e diante de uma ordem judicial, as manifestantes responderam à repressão organizando ações de solidariedade. A ação integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e denuncia casos de trabalho análogo à escravidão, crimes ambientais e o descumprimento da função social da terra.
A mobilização reúne mulheres do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia e faz parte da agenda nacional de lutas do MST para o mês de março. Com o lema “Reforma Agrária Popular: Enfrentar as violências, Ocupar e Organizar”, o movimento chama atenção para a situação da usina, que acumula denúncias trabalhistas, ambientais e financeiras.
Segundo o MST, a área possui cerca de 8 mil hectares e inclui complexos agrícolas como as fazendas Tábua de Cima e Prelúdio. Parte dessas terras estaria em processo de adjudicação, que é quando um bem é transferido ao patrimônio da União para quitar dívidas. O movimento defende que a área seja destinada ao Programa Nacional de Reforma Agrária.
Em nota pública, as manifestantes criticaram a gestão de Ronaldo Caiado (PSD) pelo envio de policiais militares ao local da ocupação. Para o movimento, a medida demonstra prioridade ao uso da força em vez da mediação de conflitos fundiários. As mulheres classificaram a ação policial como truculenta e defenderam que o Estado deveria promover diálogo sobre a destinação social das terras.
“Enquanto alguns defendem cercas marcadas pela exploração, nós oferecemos o fruto da terra para alimentar o povo”, afirma nota divulgada pelo movimento. Segundo as manifestantes, a Reforma Agrária Popular continua sendo o caminho para enfrentar desigualdades sociais, violência no campo e a insegurança alimentar.
Reforma agrária para combater a fome
Mesmo tendo cumprido a determinação judicial, o grupo afirmou que manterá a mobilização em forma de atos públicos e ações solidárias. Uma das iniciativas anunciadas foi a distribuição de alimentos orgânicos produzidos em assentamentos da reforma agrária. Segundo as organizadoras, a iniciativa busca evidenciar o papel da agricultura familiar no combate à fome e na produção de alimentos.
A Usina da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB) é alvo de investigações e autuações relacionadas a irregularidades trabalhistas e ambientais. Em setembro do ano passado, uma operação conduzida pelo Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO), em parceria com a Polícia Federal e o Ministério do Trabalho e Emprego, resgatou 108 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda da empresa.
Para as mulheres do MST, a mobilização simboliza mais do que a disputa pela terra. Em meio ao conflito, elas afirmam que a principal resposta será reforçar a organização coletiva e apresentar, por meio da produção de alimentos e da solidariedade, um modelo alternativo para o campo brasileiro.
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