A inatividade física está associada a cerca de 5 milhões de mortes anuais, sendo um grave problema de saúde pública. Um estudo publicado na Nature Medicine destaca que fatores como gênero, renda e desigualdades sociais e globais criam disparidades significativas na prática de atividade física, com uma diferença de até 40 pontos percentuais entre homens ricos de países ricos e mulheres pobres de países pobres. Paralelamente, outro artigo na Nature Health aponta que, apesar do aumento de políticas públicas contra o sedentarismo, a implementação é ineficaz devido à falta de metas mensuráveis, recursos e clareza nas estratégias.
Principais tópicos abordados:
1. O impacto global do sedentarismo na saúde e mortalidade.
2. A influência das desigualdades sociais (gênero, renda, país) no acesso à atividade física.
3. A ineficácia e os desafios na implementação de políticas públicas para promover a atividade física.
A ausência de uma rotina regular de exercÃcios fÃsicos é apontada como um problema de saúde global âcerca de 5 milhões de mortes por ano são associadas a uma vida inativa. O dado corrobora a importância do combate ao sedentarismo, algo que também envolve considerar desigualdades sociais. à isso que defende um artigo publicado na segunda-feira (9) na Nature Medicine. No estudo, pesquisadores apontam que gênero e renda são fatores que influenciam a adesão à prática regular de atividades fÃsicas.
O artigo discutiu o tema do sedentarismo e os malefÃcios associados a ele a partir de desigualdades sociais e globais. Dados de 68 paÃses acessados por meio de um sistema da OMS (Organização Mundial da Saúde) foram considerados pelos pesquisadores.
Dois pontos foram centrais para a análise dessas informações. O primeiro foi considerar evidências de que os benefÃcios da prática de atividade fÃsica vão muito além da prevenção a doenças cardiovasculares e obesidade. Segundo dados já levantados em outros estudos, o exercÃcio fÃsico regular impacta positivamente a imunidade contra doenças infecciosas e tem benefÃcios também contra câncer e depressão.
O segundo ponto foi observar como fatores sociais influenciam uma menor ou maior prevalência da prática esportiva em diferentes grupos populacionais. A partir disso, o objetivo dos autores do artigo foi desenvolver um modelo de análise de atividade fÃsica alinhado à realidade.
Essa preocupação resultou em diferentes conclusões. Uma delas diz respeito à disparidade de lazer ativo âquando a decisão de praticar exercÃcio fÃsico se dá de forma voluntária pelo indivÃduoâ entre grupos historicamente privilegiados e marginalizados. Os autores observaram que há uma diferença de até 40 pontos percentuais na prática regular de atividade fÃsica entre homens ricos em paÃses ricos na comparação com mulheres pobres em paÃses pobres.
Os autores apontam que essa conclusão evidencia "uma grande disparidade de oportunidades para o lazer ativo" entre diferentes grupos sociais. Além disso, os pesquisadores defendem a importância de discutir o tema a partir de diferentes fatores sociais a fim de evitar simplificações do assunto. Ao analisar apenas diferenças de gênero, por exemplo, as disparidades nos Ãndices de sedentarismo foram menores do que ao considerar simultaneamente desigualdades de renda e de gênero.
Atividade fÃsica é subutilizada como polÃtica pública
Outro artigo publicado também nesta segunda-feira na revista Nature Health debateu o sedentarismo. De acordo com a publicação, mesmo com progressos na discussão de polÃticas públicas voltadas a reduzir as taxas de sedentarismo, poucas ações são de fato implementadas.
O estudo considerou dados de 218 paÃses a partir do Observatório Global de Atividade FÃsica. Entre 2004 e 2025, observou-se um aumento no número de paÃses membros da OMS com polÃticas voltadas para a promoção de atividade fÃsica entre a população.
A repercussão, contudo, foi baixa, uma vez que os Ãndices de atividade fÃsica regular não aumentaram de forma considerável.
"A análise do conteúdo constatou que a maioria das polÃticas adotadas era altamente aspiracional, sem metas mensuráveis [...], compromissos financeiros/de recursos ou agências responsáveis pela implementação", escreveram os autores do artigo. Nesse ponto, um dos desafios apontados pelos autores do artigo está na falta de clareza em como definir polÃticas públicas para combater o sedentarismo.
O assunto foi considerado também no editorial da Nature Health. O texto reitera que a promoção de uma vida ativa é uma importante ferramenta de saúde pública, mas diz que a estratégia ainda é subutilizada. Uma forma de superar esse problema, afirma o editorial, é considerar a realidade de diferentes grupos para desenvolver planos personalizados.
"A saúde pública de precisão pode ajudar a desenvolver planos de atividade fÃsica que levem em consideração as necessidades e barreiras reais de uma pessoa, em vez de defender soluções genéricas e padronizadas", escreveram os autores do editorial.