O relatório da NASA aponta que o desenvolvimento da nave Starship, da SpaceX, acumula atrasos de pelo menos dois anos e enfrenta obstáculos técnicos significativos, especialmente a complexa transferência de combustível criogênico no espaço. Esses desafios colocam em risco o cronograma do programa Artemis, que visa um pouso lunar tripulado, originalmente previsto para 2024 e agora adiado para 2028. O contexto inclui a corrida espacial com a China e a competição com outras empresas, como a Blue Origin, para estabelecer missões lunares regulares.
Principais tópicos abordados:
1. Atrasos e desafios técnicos no desenvolvimento da Starship.
2. A complexidade e os riscos do reabastecimento criogênico em órbita.
3. Impacto no cronograma do programa Artemis da NASA.
4. O contexto da competição espacial internacional e comercial.
O projeto da nave espacial Starship, da SpaceX, acumulou pelo menos dois anos de atrasos desde que a Nasa a escolheu para levar humanos à Lua. Além disso, a empresa de Elon Musk deve precisar de mais tempo para superar obstáculos no desenvolvimento do veÃculo antes de pousar no satélite natural da Terra.
A conclusão consta de um relatório feito pelo órgão fiscalizador da agência espacial americana divulgado nesta terça-feira (10).
A Nasa vem trabalhando com diversas empresas, sobretudo a SpaceX e a Blue Origin, de Jeff Bezos, no programa Artemis para dar inÃcio a missões tripuladas regulares à Lua. Os Estados Unidos querem chegar ao satélite antes da China, que planeja fazer uma alunissagem até 2030.
Mas os atrasos no desenvolvimento da Starship, escolhida como o primeiro módulo de pouso do programa para levar astronautas à superfÃcie lunar, têm levado ao adiamento da tentativa de um pouso lunar, originalmente prevista para 2024 âà época, autoridades já tratavam este ano com ceticismo.
Segundo o novo relatório da Nasa, entre as etapas mais desafiadoras no caminho da Starship para se tornar um módulo de pouso lunar certificado está a necessidade de ser reabastecida no espaço antes de seguir o trajeto até a Lua, um processo arriscado e delicado que nunca foi tentado em tal escala.
Para que uma nave Starship desça com astronautas na Lua, a SpaceX precisará primeiro lançar outras Starships na órbita da Terra, que funcionarão como tanques de reabastecimento. Uma delas funcionará como um depósito de armazenamento de propelente que exigirá mais de dez Starships para enchê-lo com combustÃvel suficiente, que será transferido para a Starship que pousará na Lua.
A Starship é abastecida com aproximadamente 1.200 toneladas métricas de metano lÃquido e oxigênio lÃquido, dois propelentes altamente explosivos que devem ser mantidos em temperaturas criogênicas, ou seja, abaixo de â150°C.
Acoplar Starships e transferir cuidadosamente propelentes super-resfriados pelo menos dez vezes na órbita baixa da Terra, uma região do espaço com um nÃvel crescente de tráfego de satélites, estaria entre os desafios mais arriscados para a empresa de Musk.
Funcionários da Nasa que supervisionam o desenvolvimento da Starship consideram a demonstração de transferência de propelente criogênico como um dos desafios técnicos mais significativos enfrentados" pela SpaceX, de acordo com o relatório.
"A Nasa está monitorando um risco importante de que algumas das tecnologias e capacidades criogênicas que a SpaceX está desenvolvendo não estarão suficientemente maduras" antes de um pouso lunar em 2028, segundo o documento.
Ao todo, a SpaceX lançou o veÃculo 11 vezes desde 2023, em uma série de testes acompanhados de perto por autoridades da Nasa. Alguns desses voos foram malsucedidos, terminando em explosões.
Nesses voos, houve o teste do veÃculo com a espaçonave, batizada de Starship, no topo do propulsor Super Heavy. O veÃculo como um todo, com esses dois estágios juntos, também é chamado de Starship e tem 123 metros de altura e nove metros de diâmetro.
Em outubro do ano passado, o então administrador interino da Nasa, Sean Duffy, afirmou que a agência procuraria alternativas à SpaceX para fazer seu voo tripulado lunar. "Vamos ter uma corrida espacial em relação a empresas americanas competindo para ver quem pode realmente nos levar de volta à Lua primeiro", disse ele.
Após a manifestação de Duffy, Musk recorreu à rede social X para atacá-lo. "Sean Dummy [um trocadilho entre dummy, idiota em inglês, e o sobrenome Duffy], está tentando destruir a Nasa!", escreveu o bilionário.
Ainda em outubro, a SpaceX propôs à agência um plano simplificado para usar a Starship em uma missão à Lua.
Hoje, a missão Artemis 4, na qual deve ser usado o módulo lunar da SpaceX para se chegar ao solo lunar, está prevista para 2028.
Concorrente da empresa de Musk, a Blue Origin tem um contrato de US$ 3,6 bilhões com a Nasa que ajuda a financiar o desenvolvimento do Blue Moon, um módulo de pouso lunar que também está nos planos para levar astronautas americanos à superfÃcie na Artemis 5.
No inÃcio deste ano, a empresa de Bezos anunciou uma pausa nos voos do seu foguete New Shepard, utilizado para turismo espacial, para concentrar-se nos esforços de construção do Blue Moon.
Recentemente, o administrador da Nasa, Jared Isaacman, anunciou mudanças no programa Artemis. Entre as novidades está a alteração no objetivo da Artemis 3, que será um voo justamente para testar um ou os dois módulos lunares em desenvolvimento, da SpaceX e da Blue Origin. Esta missão está programada para 2027.