A Anistia Internacional acusa Israel de privar mulheres e meninas em Gaza das condições básicas para viver e dar à luz com segurança, devido à destruição da infraestrutura de saúde e às restrições à ajuda humanitária. O relatório destaca que a ofensiva militar causou uma crise sanitária, com falta de medicamentos, serviços e deslocamento, agravando riscos para gestantes e partos. Além disso, a organização afirma que a escassez energética e a continuidade dos obstáculos à assistência violam acordos de cessar-fogo e configuram um ato deliberado de guerra contra a população feminina palestina.
Principais tópicos abordados:
1. Acusações contra Israel por violar direitos das mulheres em Gaza.
2. Destruição da infraestrutura de saúde e crise humanitária.
3. Restrições à ajuda humanitária e medicamentos.
4. Riscos específicos para a saúde sexual e reprodutiva.
Israel nega condições de vida às mulheres em Gaza, acusa Anistia Internacional
Organização afirma que ação militar no enclave destruiu infraestrutura de saúde e impôs cotidiano de insegurança
Um informe divulgado nesta terça-feira (10/03) pela organização Anistia Internacional acusou Israel de impor às mulheres e meninas palestinas residentes na Faixa de Gaza de uma situação na qual são “privadas das condições necessárias para viver e dar à luz com segurança”.
Segundo a entidade, a ação militar impulsionada pelo governo do premiê sionista Benjamin Netanyahu, além de causar a morte de mais de 72 mil pessoas – segundo dados oficiais, que também apontam mulheres e crianças como as principais vítimas –, também arrasou a infraestrutura que entregava serviços básicos à população local, e também são as mulheres as que mais sofrem com essa situação.
O principal problema gerado pela ofensiva genocida israelense tem a ver com a falta de estrutura básica para o atendimento de saúde.
De acordo com o informe, mulheres grávidas ou que precisam de algum tratamento, mesmo para doenças simples, enfrentam falta de serviços adequados, falta de medicamentos e até dificuldades para se deslocar até os poucos locais para atendimento de saúde – alguns deles improvisados sobre escombros de hospitais que foram destruídos durante os ataques.
Em um dos trechos, o informe diz que “essa erosão sistemática de seus direitos à saúde, segurança, dignidade e um futuro não é um subproduto infeliz da guerra; é um ato de guerra deliberado contra mulheres e meninas palestinas”.
“Também é a consequência previsível das políticas e práticas calculadas de Israel de deslocamento em massa múltiplo, restrições deliberadas a itens básicos e essenciais, bem como à ajuda humanitária, e dois anos de bombardeio implacável que devastaram o sistema de saúde de Gaza e dizimaram famílias inteiras”, acrescenta o documento da Anistia Internacional.
O relatório também ressalta que, mesmo depois do acordo de cessar-fogo implementado em outubro passado, Israel continua obstaculizando a entrada de ajuda humanitária, impedindo que muitos produtos, incluindo medicamentos e itens hospitalares, cheguem à população e aos prestadores de serviço na quantidade necessária, o que viola pontos estabelecidos no próprio acordo.
Outro ponto mencionado no relatório é a questão da segurança, devido à escassez energética imposta por Israel, que torna mais difícil o deslocamento das palestinas durante a noite.
180 partos diários
A Anistia Internacional também cita uma denúncia feita no começo de março pelo Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, por sua sigla em inglês), ligado à Organização das das Nações Unidas (ONU), sobre as “restrições significativas” ao setor de saúde em Gaza, que incluem também a falta de equipamentos médicos e recursos energéticos para o seu funcionamento.
“Os serviços de saúde sexual e reprodutiva continuam gravemente prejudicados devido à infraestrutura danificada, à escassez de medicamentos e suprimentos essenciais e à capacidade limitada de encaminhamento”, afirmou o OCHA, observando que até 180 mulheres dão à luz diariamente em Gaza.
A agência da ONU também observa que “a grave escassez de leitos significa que as mulheres palestinas submetidas a procedimentos importantes, incluindo cesarianas, muitas vezes recebem alta em poucas horas e retornam a locais de deslocamento superlotados, aumentando os riscos de complicações e infecções”.
Com informações de Al Jazeera.