A Raízen está em negociações avançadas com seus principais credores para uma recuperação extrajudicial, com um acordo possível ainda nesta semana. Como parte da reestruturação, a Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em injetar R$ 4 bilhões, enquanto a própria Cosan não está mais em negociações para um resgate. A empresa enfrenta uma grave crise de endividamento, com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e a cotação de seus títulos em queda acentuada.
Principais tópicos abordados:
1. Negociações para recuperação extrajudicial da dívida.
2. Mudança no quadro de acionistas e investidores (entrada de Shell e Ometto, saída da Cosan e do BTG).
3. Situação financeira crítica e causas do endividamento.
4. Impacto no mercado financeiro, incluindo desmontagem de hedges e desvalorização dos títulos.
A RaÃzen está próxima de chegar a um acordo com seus principais credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela agência de notÃcias Bloomberg.
Um acordo com os credores pode sair já nesta semana, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque a informação é privada. A empresa está em discussões com bancos há uma semana, e tanto a RaÃzen quanto seus credores reduziram posições de hedge que haviam sido montadas para honrar dÃvidas denominadas em dólar à medida que as conversas avançam, afirmaram as fontes.
A Cosan, que controla a RaÃzen por meio de uma joint venture com a Shell, não está mais em negociações com a petroleira para resgatar a companhia, disse o diretor-presidente Marcelo Martins durante teleconferência de resultados nesta terça-feira (10). Os credores agora discutem o futuro da RaÃzen com a Shell e as conversas estão evoluindo, acrescentou.
A RaÃzen informou na semana passada que pode entrar em um processo de reestruturação extrajudicial enquanto busca uma solução para seus problemas de endividamento. A Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em injetar juntos R$ 4 bilhões na empresa como parte de uma proposta que inclui uma reestruturação mais ampla da dÃvida, que pode envolver a conversão de parte da dÃvida em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo remanescente e a venda de ativos não estratégicos.
Trata-se de uma reviravolta dramática para a que já foi a principal produtora de biocombustÃveis do Brasil. Esforços anteriores para fortalecer a RaÃzen fracassaram após Cosan e Shell não chegarem a um acordo sobre quanto capital deveriam aportar na empresa.
Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar recursos, disse uma pessoa com conhecimento do assunto na semana passada.
Desde que o BTG deixou as discussões, bancos e detentores de tÃtulos intensificaram a análise da estrutura de capital da RaÃzen, disseram pessoas com conhecimento do tema, que pediram para não ser identificadas porque as negociações são privadas.
RaÃzen, Cosan e BTG não comentaram. A Shell não respondeu a um pedido de comentário. Na semana passada, a Shell afirmou que está "ajudando a aliviar os desafios financeiros que a RaÃzen enfrenta atualmente" e propôs uma contribuição de R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural.
Desde a semana passada, operadores de câmbio e gestores de recursos em todo o Brasil relataram uma onda significativa de desmontagem de hedges ligados a operações relacionadas à empresa. Os fluxos afetaram tanto o dólar à vista quanto o chamado cupom cambial, a taxa de juros do dólar no mercado doméstico implÃcita no mercado de juros futuros e amplamente utilizada como referência para o custo de hedge contra exposição ao dólar.
O Valor Econômico noticiou anteriormente as reduções de hedge.
A RaÃzen vem sendo pressionada por juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram retorno. Esses fatores corroeram o fluxo de caixa e fizeram a dÃvida disparar. A empresa encerrou o último ano com dÃvida lÃquida total de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante 3 vezes no ano anterior.
Os tÃtulos da empresa, já sob pressão, despencaram depois que ela mudou o tom sobre possÃveis negociações sobre reestruturação no inÃcio deste ano. Agências de classificação de risco rapidamente rebaixaram fortemente o grau de investimento da empresa para nÃveis de grau especulativo, intensificandoo selloff.
A dÃvida da RaÃzen com vencimento em 2034, que era negociada acima de 80 centavos de dólar até fevereiro, atualmente é transacionada a cerca de 49,5 centavos de dólar, segundo dados da Trace. Os rendimentos estão em torno de 19% âabaixo do pico de 25% registrado em fevereiro, mas ainda bem acima dos nÃveis considerados estressados no mercado de crédito.