Resumo objetivo:
Donald Trump agiu para conter o pânico no mercado de petróleo, com medidas como a possível liberação de reservas estratégicas e a retomada parcial do tráfego no Estreito de Hormuz, o que levou a uma queda temporária no preço do Brent. No entanto, persiste a incerteza sobre o real desgaste militar do Irã e sua capacidade de reação, incluindo a ameaça de bloquear o Estreito de Hormuz, o que manteria a pressão sobre os preços e a economia global. O artigo destaca que, mesmo que a guerra atual possa ter um fim, o conflito mais amplo com o Irã deve continuar, com impactos duradouros nos mercados e possíveis desdobramentos geopolíticos, como o incentivo ao rearmamento de outros países.
Principais tópicos abordados:
1. Ações de Trump para estabilizar o mercado de petróleo e a volatilidade dos preços.
2. A capacidade militar residual do Irã e a ameaça de interrupção no Estreito de Hormuz.
3. A distinção entre o possível "fim da guerra" e a continuidade do conflito geopolítico.
4. Impactos econômicos potenciais (inflação, custos energéticos) e consequências geopolíticas (corrida armamentista).
Donald Trump tentou conter o pânico no mercado de petróleo na segunda. Conseguiu, por ora. O barril do Brent chegou a baixar a US$ 84, nesta terça. Teve repique, mas essa é outra história. A possibilidade de que os paÃses mais ricos liberassem petróleo de suas reservas estratégicas, um paliativo bem provisório, ajudou, assim como a volta de algum tráfego no estreito de Hormuz (uns 10% da média diária de navios).
Ainda não se sabe se Trump amarelou (TACO, "Trump Always Chickens Out", Trump Sempre Amarela ou Arrega). Se sabia o que estava dizendo. Se uma destruição significativa das armas iranianas permitiria ao menos um avanço da hipótese de "fim da guerra", embora não de fim do conflito âa distinção é importante. Na sexta passada, Trump dizia que a guerra acabaria apenas em caso de "rendição incondicional" do Irã ou de destruição total da capacidade militar do paÃs.
O Instituto Judaico para a Segurança Nacional da América fez um levantamento de quantos tiros o Irã tem dado. No primeiro dia do conflito, um sábado, dia 28 de fevereiro, as forças dos aiatolás teriam lançado 428 mÃsseis balÃsticos na direção de Israel e dos paÃses do Golfo Persa. Nos últimos sete dias, a média diária teria baixado a 39,9% do número de lançamentos do inÃcio da guerra. Quanto a drones, a baixa teria sido de 345 para 149. Os militares americanos dizem coisa parecida.
Pode ser que as forças armadas e o estoque de armas do Irã estejam desmantelados. Ou pode ser que a teocracia hereditária militar esteja guardando munição ainda para este conflito ou para outros que virão. Isto é, para reagir em caso de provável novo ataque, ameaçando Trump ou a economia mundial com sua arma maior, que é asfixiar o estreito de Hormuz e assim causar inflação e alta de juros, no mÃnimo. Trump deu uma medida da força que o Irã pode ter.
Essa era uma ameaça sempre alardeada, mas que jamais ocorrera para valer. Por uns dias, tem dado certo. Se sobrar arma de fato no Irã, essa arma polÃtica restará à disposição. A guerra pode acabar. O conflito, não.
Como se escrevia nestas colunas no domingo, seria importante saber se o Irã viria a se render, com ou sem condições, ou se, antes, Trump teria de se curvar à polÃtica, ao risco aumentado de perder a eleição por causa de carestia, ou diante de rebuliço maior nos mercados financeiros. Trump piscou. Na terça, passou a dizer que os iranianos lançariam minas no mar de Hormuz. Se verdade, seria um desastre. O rumor, porém, pode justificar a continuação da guerra que estaria acabando.
No inÃcio da noite desta terça, o petróleo tipo Brent voltara à casa dos US$ 90, 25% acima do preço do dia anterior ao do inÃcio da guerra. Sem "fim da guerra", quanto dura essa relativa calmaria? Sem fim do conflito (Irã ainda capaz de atirar, sem mudança de regime), com alguma demora na retomada de produção e transporte, onde para o preço do petróleo?
O futuro da guerra no mÃnimo pode afetar o preço de sua gasolina. De diesel, combustÃvel de aviação, comida, passagens aéreas, fertilizantes, alumÃnio, insumos para a fabricação de chips. Pode não dar em grande coisa. Pode dar em inflação ruim como a de 2022.
As guerras bucaneiras de Trump devem ter outras consequências. Qual paÃs não pensa em se armar, rearmar, em bomba atômica? Luiz Inácio Lula da Silva falou no assunto, nesta segunda: "Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente".